quinta-feira, 16 de junho de 2016

Abrigo perfeito

                     
Domácias foliares são pequenas estruturas naturais que apresentam diversas formas, tais como invaginações, cavidades, bolsas (com ou sem pelos), tufo de pelos etc existentes na superfície inferior das folhas (superfície abaxial), desde a base do limbo até aproximadamente 2/3 do seu comprimento. As domácias estão situadas nas junções das nervuras, ou seja, no ângulo menor entre a nervura central e as nervuras secundárias de certas espécies de dicotiledôneas (raramente em monocotiledôneas) (Figura 1).
As domácias existem em plantas de várias espécies e mais de 30 famílias de angiospermas lenhosas em todo o mundo (plantas espermatófitas cujas sementes são protegidas por uma estrutura denominada fruto), com ocorrência abundante em florestas tropicais e subtropicais. Essas estruturas foliares podem variar na quantidade, desenvolvimento e formato de acordo com as condições ambientais.
Em 1864 já haviam sido observados “pequenos animais octópodes articulados e seus ovos”, ou seja, ácaros, no interior de pequenas cavidades existentes nos ângulos de união entre a nervura mediana e as secundárias de cafeeiros, Coffea arábica L., (hoje chamadas domácias). O termo domácia ou acarodomácia foi usado pela primeira vez em 1887, portanto, há 127 anos, por um pesquisador sueco, após observações de que essas estruturas serviam de abrigo e morada para ácaros (do grego domatium = casa pequena).
Embora alguns pesquisadores, a maioria botânicos, considerem que as domácias foliares são úteis apenas como características morfológicase de interesse apenas taxonômico, pois não são conhecidas funções fisiológicas para elas, outros sugerem que essas estruturas abrigam ácaros que promovem benefícios para as plantas.
Algumas evidências demonstram a existência de mutualismo entre plantas que apresentam domácias foliares e ácaros, como, por exemplo, (1) a ocorrência de ácaros dentro das domácias, (2) a presença de domácias aumenta a chance de serem encontrados ácaros nas plantas e (3) a atividade dos ácaros aumenta as chances de encontrar plantas com domácias. A observação do aparecimento de ácaros predadores dentro e ao redor das domácias em inúmeras plantas permite considerar a possibilidade de existir mutualismo facultativo entre ácaros e domácias.
As domácias podem, então, representar a forma de mutualismo mais abundante e antiga e amplamente distribuída entre plantas e artrópodes.
Pesquisas têm mostrado que existem interações entre algumas características morfológicas das plantas, como tricomas (apêndices da epiderme presentes em diversos órgãos das plantas, constituindo seu indumento), pilosidade, domácias etc e inimigos naturais de pragas, que podem influenciar de algum modo na capacidade desses organismos em reduzir populações de artrópodes pragas.
Existe, portanto, um amplo mutualismo facultativo entre domácias e ácaros benéficos (predadores e fungívoros), em que as domácias foliares lhes servem de abrigo e criatório que, por sua vez, reduzem o número de artrópodes fitófagos e patógenos que se encontram nas plantas.
Ácaros podem ser observados em domácias de plantas de diversas espécies, o que sugere que os ácaros encontram ali o seu alimento. Porém, pode não ser a regra, pois muitas pesquisas rejeitam a hipótese de que exista mutualismo entre ácaros e domácias, porque estas nem sempre contêm ácaros. Há domácias com completa ausência de desenvolvimento de ácaros em seu interior e também há insuficiência de informações sobre associações de ácaro e domácia.
Já foi relatada a presença dos ácaros Tydeus sp. (Tydeidae), Agistemus sp. (Stigmaeidae), Typhlodromus haramotoi (Prasad, 1968) (Phytoseiidae), entre outros, em domácias de folhas de cafeeiro, C. arabica, e Bdella sp. (Bdellidae) eAmblyseius herbicolus (Chant, 1959) (Phytoseiidae) em Coffea liberica Bull.
Provavelmente, os ácaros Tydeidae e Iolinidae são os mais encontrados nas domácias e por esse motivo ácaros dessas famílias são comumente chamados de ácaros-das-domácias, ácaros que também podem estar servindo de alimento aos ácaros predadores, mesmo que como alimento alternativo. Os tideídeos são encontrados em cafeeiros em qualquer época do ano, porém, aparentemente sem causar nenhum dano.
As domácias também podem abrigar ácaros microbiófagos, ou seja, aqueles que se alimentam de “micróbios” e assim favorecem as plantas consumindo fungos fitopatogênicos ou epífitos, resultando na redução da severidade de doenças de plantas como, por exemplo, o míldio, Plasmopara spp., Phytophthora infestans(Peronosporaceae) etc.
Alguns ácaros fitófagos podem acarretar sérios problemas para a saúde das plantas, mas têm numerosos inimigos naturais, especialmente pertencentes à família Phytoseiidae de ácaros predadores. Um benefício potencial que as plantas adquirem é o de que os ácaros predadores podem funcionar como seus “guarda-costas” contra ácaros-praga. Além de ácaros, as domácias foliares também podem abrigar ocasionalmente pequenos insetos como tripes e ninfas de percevejos, possivelmente também predadores, e cochonilhas.
Ácaros predadores e também aqueles que se alimentam de material em decomposição (detritívoros), de fungos (fungívoros) ou de outros micróbios, representam 90% dos artrópodes encontrados dentro da domácias foliares. Todos são considerados benéficos para a planta, nenhum é considerado prejudicial, os primeiros por serem inimigos naturais de ácaros e pequenos insetos, e os fungívoros por auxiliarem na redução de patógenos e na mobilização de nutrientes sequestrados por fungos, algas, bactérias leveduras, liquens etc.
As domácias dos cafeeiros servem de abrigo e local de oviposição para o ácaro predador Iphiseiodes zuluagai Denmark & Muma, 1972 (Phytoseiidae) (Figura 2), um dos ácaros que vêm sendo estudados na manutenção de ácaros-praga do cafeeiro em equilíbrio. Isso é uma indicação da importância das domácias como local e fonte de sua sobrevivência, sugerindo uma interação mutualística planta-predador e certamente para outras espécies de ácaros predadores também encontrados em cafeeiro.
Resultados de pesquisas mostram que cafeeiros da espécie arábica (C. arabica) apresentam muitas domácias desenvolvidas e aproximadamente 70% mais domácias que Robusta e Conillon (Coffea canephora Pierre & Froehner), onde as domácias são escassas e pouco definidas. Acredita-se que por isso os cafeeiros arábica apresentam cerca de oito vezes mais ácaros predadores da espécie I. zuluagai e até aproximadamente 0,7 vez menos ácaros-praga [Brevipalpus phoenicis (Geijskes, 1939) (Tenuipalpidae) - (Figura 3) e Oligonychus ilicis(McGregor, 1917) (Tetranychidae)] do que C. canephora e isso também pode ser explicado devido ao efeito positivo da domácia sobre a sobrevivência dos predadores.
As domácias ainda contribuem para a redução, em C. arabica, do canibalismo existente entre o ácaro predador adulto de I. zuluagai sobre os jovens de sua própria espécie, um fator igualmente favorável ao aumento da população do predador.
Tudo indica que o benefício mais óbvio de uma domácia foliar ao ácaro predador é o de oferecer proteção e abrigo, especialmente como local para colocar seus ovos e efetuar a mudança de fase (muda) durante o ciclo de seu desenvolvimento. Diversos estudos têm demonstrado o uso das domácias por Phytoseiidae preferencialmente para oviposição e muda. Em condições de campo, mais de 75% de todos os ovos postos por fitoseídeos já foram encontrados dentro das domácias. Ensaios de laboratório demonstraram que as domácias foliares protegem os ovos do efeito da baixa umidade, e na presença de domácias um ácaro predador coloca duas vezes mais ovos que na sua ausência.
Somente a partir da década de 90 é que a resposta dos ácaros à arquitetura das plantas tem sido considerada, mas é claro que estruturas porventura existentes na superfície foliar alteram a abundância de ácaros, influenciam as interações predador-presa e são importantes para o entendimento do relacionamento entre ácaros plantículas e plantas.
Ácaros encontrados em domácias de folhas de cafeeiro no Brasil
Espécies
Famílias
Referências
-
Iolinidae
Spongoski et al., 2005
Agistemus brasiliensis Matioli, Ueckermann & Oliveira
Stigmaeidae
Mineiro et al., 2006
Amblyseius aerialis (Muma)
Phytoseiidae
Mineiro et al., 2006
Bdella sp.
Bdellidae
Mineiro et al., 2006
Brevipalpus phoenicis (Geijskes)
Tenuipalpidae
Mineiro et al., 2006
Daidalotarsonemus sp.
Tarsonemidae
Mineiro, 2006
Euseius citrifolius Denmark & Muma
Phytoseiidae
Spongoski et al., 2005
Mineiro et al., 2006
Euseius concordis (Chant)
Phytoseiidae
Mineiro et al., 2006
Homeopronematus sp.
Iolinidae
Mineiro et al., 2006
Iphiseiodes zuluagai Denmark & Muma
Phytoseiidae
Matos et al., 2006
Lorrya formosa Cooreman
Tydeidae
Spongoski et al., 2005
Mineiro et al., 2006
Lorrya sp.
Tydeidae
Spongoski et al., 2005
Mineiro et al., 2006
Oligonychus ilicis (McGregor)
Tetranychidae
Mineiro, 2006
Parapronematus acaciae
Iolinidae
Spongoski et al., 2005
Saproglyphus sp.
Winterschmidtiidae
Mineiro al., 2006
Spinibdella sp.
Bdellidae
Mineiro et al., 2006
Tarsonemus confusus Ewing
Tarsonemidae
Spongoski et al., 2005
Tarsonemus sp.
Tarsonemidae
Mineiro et al., 2006
Triophtydeus sp.
Meyexellidae
Mineiro et al., 2006
Typhlodromus camelliae (Chant & Yoshida-Shaul)
Phytoseiidae
Mineiro, 2006
Tyrophagus sp.
Acaridae
Mineiro, 2006
Zetzellia malvinae Matioli, Ueckermann & Oliveira
Stigmaeidae
Mineiro et al.,2006
Zetzellia sp.
Stigmaeidae
Spongoski et al., 2005

Legendas das figuras citadas no texto

http://www.grupocultivar.com.br/ativemanager/uploads/plugin/imagens/5e77fe58f665bafaa9ee2afa55ca1c36.png
Figura 1 - Superfície inferior de folha (superfície abaxial) de cafeeiro, Coffea arabica, exibindo domácias nos ângulos menores entre a nervura central e as nervuras secundárias. Foto: Paulo Rebelles Reis

Figura 2 - Fêmea adulta de Iphiseiodes zuluagai (Phytoseiidae) após depositar um ovo dentro da domácia foliar de cafeeiro, Coffea arabica, (esquerda), e larva de ácaro da mesma espécie dentro da domácia (direita). Foto: Paulo Rebelles Reis

Figura 3 - Fêmea adulta de Brevipalpus phoenicis (Tenuipalpidae) dentro da domácia (esquerda) e saindo da domácia foliar de cafeeiro, Coffea arabica, (direita). Foto: Paulo Rebelles Reis
Paulo Rebelles Reis


quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

45 anos com a ferrugem do cafeeiro

Por José Braz Matiello e Saulo R.de Almeida, engenheiros agrônomos da Fundação Procafé
Neste 17 de janeiro estamos completando 45 anos desde a constatação da ferrugem do cafeeiro no Brasil, identificada, pela primeira vez, em 1970, em Aurelino Leal, município do Sul Baiano.

Naquela época, pouco sabíamos sobre a doença e tentamos, a princípio, erradicá-la, depois procuramos confiná-la mais ao norte, através de uma faixa de segurança, mas logo, devido à facilidade de disseminação da ferrugem, ela escapou para as regiões cafeeiras mais ao Sul, sendo que em junho de 1970 já se encontrava o primeiro foco no Sul de Minas, em janeiro de 1971 em São Paulo e em outubro de 1971 no Paraná.

Assim, rapidamente foi preciso partir para uma estratégia de convivência com a ferrugem em nossos cafezais, com base em um programa de controle, que passou a dar ênfase a 3 setores – a pesquisa, a assistência técnica e o crédito. A pesquisa desenvolveu os métodos de controle, a assistência levou as tecnologias até aos produtores e o crédito deu suporte para a execução das práticas de controle.

O objetivo principal foi o de preparar os cafezais para o controle, através de novos plantios, em áreas zoneadas, com espaçamentos mais abertos na rua, visando facilidade no trânsito de maquinário pulverizador e adaptar, por podas e tratos adequados, as lavouras existentes. A melhoria da produtividade foi um ponto básico na política de convivência com a ferrugem, sendo essencial para gerar receita necessária para cobrir gastos adicionais com o controle químico, na época atingindo cerca de 20% do custo de produção do café.

Surgiu, assim, com a ferrugem, uma nova cafeicultura brasileira, ao contrário do que nos contava na época a história, que dizia que a ferrugem poderia acabar com o café, como havia acontecido no Ceilão. Também a literatura apontava a necessidade de usar um elevado número de pulverizações ao ano e com altas doses de cobre (7,5 kg por ha, a cada 21 dias).

A estrutura montada pelo IBC, na época, com 15 centros regionais de pesquisa, com uma equipe de Assistência de mais de 600 técnicos e com o crédito do Plano de Renovação e Revigoramento de Cafezais, resultou na renovação, de 1970 a 1979, de 1,4 milhão de hectares de novos cafezais. Chegou-se, em 1980, com uma safra de 25 milhões de sacas, apesar da geada arrasadora de 1975 e em 1983 com safras de 35 milhões e recorde, na época, de 42,7 milhões de sacas em 1987, quando em 1970, antes da ferrugem, produzia-se, apenas, 20 milhões. A base foi montada para que agora pudéssemos atingir, com novas melhorias, safras na faixa de 45-50 milhões de sacas/ano.

Parece que tudo foi fácil, porém houve muito esforço e mudanças fundamentais tiveram que ser feitas. Hoje, o custo de controle da ferrugem é de apenas cerca de 5% do custeio anual da lavoura e o próprio controle pode resultar em ganhos adicionais de produtividade, por efeito tônico dos produtos.

Vemos que a cafeicultura brasileira sobreviveu e melhorou com a ferrugem. Mas não foi assim em países cafeeiros vizinhos, aqui no continente americano. A Colômbia teve que trocar quase toda sua cafeicultura, substituindo a variedade caturra por variedade resistente e sua safra caiu de 12-13 milhões de sacas ano para 8 milhões e só agora começa a se recuperar. Países da América Central, como Guatemala, Honduras, El Salvador e Nicarágua, e, em escala menor, também a Costa Rica, estão tendo perdas importantes de safra com a ferrugem. Peru e Equador estão tendo problemas graves. A República Dominicana passou de exportadora para importadora de café com a ferrugem.

Disso tudo tiramos uma lição. Para enfrentarmos um problema grave precisamos investir com seriedade. Uma estrutura de trabalho ativa e integrada é importante. Conhecimentos, tecnologias e formas para fazê-los chegar aos produtores são a chave. Lavouras com bons níveis de produtividade são a base. Tudo isso com o apoio em preços de café remuneradores.

Evoluímos muito no controle químico da ferrugem. Precisamos evoluir mais na utilização do controle genético. Existe bom material disponível. É preciso maior difusão, para uma melhor aceitação das novas variedades pelos produtores. Afinal, os 45 anos de convivência com a ferrugem, com sucesso, nos trouxeram boas experiências, úteis para nossa luta contínua na tecnologia cafeeira.

Cafeeiro Acaiá, sem controle, desfolhado pela ferrugem. Varginha-MG


Cafeeiros Asabranca, resistentes à ferrugem. Coromandel-MG
Na Colômbia o prejuízo da ferrugem sobre a variedade Caturra


Planta de variedade resistente, na Colômbia

Postado CaféPoint 15/01/2015
http://www.cafepoint.com.br

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

INFORMAÇÕES PARA O MANEJO DE RESISTÊNCIA A AGROQUÍMICOS


A resistência de pragas a agrotóxicos ou qualquer outro agente de controle pode tornar-se um
problema econômico, ou seja, fracassos no controle da praga podem ser observados devido a
resistência. As seguintes estratégias podem prevenir, retardar ou reverter a evolução da resistência:
- Rotação de produtos com mecanismos de ação distintos, quando apropriado;
- Adotar outras táticas de controle, prevista no Manejo Integrado de Pragas (MIP) como rotação de
culturas, controle biológico, controle por comportamento, etc., sempre que disponível e apropriado;
- Utilizar as recomendações de dose e modo de aplicação de acordo com a bula do produto;
- Sempre consultar um engenheiro agrônomo para o direcionamento das principais estratégias
regionais para o manejo de resistência e para a orientação técnica na aplicação de inseticidas;
Informações sobre possíveis casos de resistência em insetos e ácaros devem ser encaminhados para o
lRAC-BR (www.irac-br.org.br), ou para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

(www.agricultura.gov.br).

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Como planejar a implantação da lavoura cafeeira


Por: Msc Rodrigo Elias Batista Almeida Dias, doutorando – Fitotecnia (Ufla) e Leonardo Luiz Oliveira, graduando em Agronomia (Ufla)


Atualmente, para se ter sucesso na cafeicultura é imprescindível o planejamento da lavoura para seu melhor aproveitamento. Tratando-se de uma cultura permanente como o café, erros cometidos na implantação poderão gerar dores de cabeça no futuro, o que pode comprometer seriamente o manejo da lavoura. 

A sistematização da área na qual será implantada a lavoura cafeeira é de fundamental importância para o sucesso da atividade, desta forma é necessário analisar fatores importantes, levando em conta os aspectos edafo-climáticos e o preparo do solo:

 Evitar terrenos sujeitos a ventos frios;
 Topografias muito íngremes (< 20%: mecanizável);
 Solos rasos, pedregosos ou muito erodidos;
 Baixadas úmidas, em locais com riscos de geadas; 
 Locais onde houve plantio de milho por vários anos;
 Ocorrência de nematoides;
 Divisão de glebas homogêneas;
 Carreadores;
 Cultivo mínimo ou convencional;
 Correção de pH e adubação.

Para a escolha da cultivar ideal, várias são as condições que devem ser analisadas, primeiro a escolha de um viveiro de confiança, lembrar do manejo, do clima da região (interação cultivar-ambiente), fazer a programação do estande e do espaçamento de plantio, de acordo com o porte da cultivar escolhida e da tecnologia da propriedade (cultivo mecanizado ou manual), não esquecendo de utilizar sempre um manejo conservacionista. Após analisar todos estes fatores do planejamento e do gerenciamento, podemos seguir com a implantação das mudas no campo com os seguintes cuidados:

 Mudas com boa procedência e de boa qualidade;
 Distribuição corretas das mudas no campo;
 Corte do fundo dos saquinhos (evita-se pião torto);
 Alinhamento da muda no sulco.

Ainda sendo observado no momento da implantação a disponibilidade de mão de obra e a estrutura física da propriedade. Não esquecendo de calcular etapas de manejo, processamento do café e da pós-colheita.

Após o plantio devemos observar alguns fatores importantes para o sucesso da implantação das mudas:

 Programar capinas e se necessário o uso de herbicidas seletivos;
 Programar as adubações de cobertura (N e K) começando por volta dos 20 dias após o plantio;
 Programar adubações foliares, fungicidas e inseticidas quando necessários;
 Eliminação de plantas excedentes;
Replantio de mudas;

O planejamento evita erros, economiza recursos financeiros e melhora o sistema produtivo. Assim, quando se pretende formar e explorar uma lavoura cafeeira é prudente e recomendável o máximo de atenção e técnica, já que os resultados não são apenas técnicos, mas também econômicos. 

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Uso de Aminoácidos na Agricultura

16/06 - http://www.agrolink.com.br/noticias/ClippingDetalhe.aspx?CodNoticia=198807
por Juscelio Ramos de Souza - P&D Kimberlit Agrociências

A constante busca de novas tecnologias voltadas para a agricultura moderna, através da análise dos problemas dos produtores com respostas baseadas em pesquisas, visa à obtenção de diferentes práticas e substâncias para melhorar a eficiência da produção agrícola. Sabe-se que o desenvolvimento das culturas é controlado por fatores ecofisiológicos, genéticos e tratos culturais, culminando em respostas fisiológicas e/ou hormonais por parte das plantas. Com isso, o uso de aminoácidos, ligados ou não à aplicação de nutrientes, tem-se intensificado em sistemas de produção de grãos, obtendo ótimos resultados nas lavouras. A utilização dessas substâncias aumenta de importância à medida que o potencial genético das culturas é elevado e os fatores limitantes ligados à nutrição mineral das plantas são mínimos. Nestas áreas, o produtor busca o ajuste fino de suas práticas objetivando a obtenção de picos produtivos e a melhoria da qualidade do produto final.

Segundo a literatura, os aminoácidos são ácidos orgânicos que possuem em sua molécula um carbono central, geralmente assimétrico, ligado a um grupamento carboxila, um grupamento amina e um átomo de hidrogênio. Além destas três estruturas, os aminoácidos apresentam um radical genericamente conhecido como “R”, que os diferencia. Sua principal função é como constituintes de proteínas, bem como precursores de inúmeras substâncias reguladoras do metabolismo vegetal, além de funcionar como ativadores de metabolismos fisiológicos.

Os aminoácidos, dentre outras funções, têm interação com a nutrição de plantas, aumentando a eficiência na absorção, transporte e assimilação dos nutrientes. A quelação de cátions com aminoácidos gera moléculas sem cargas, reduzindo o efeito das forças de atração e repulsão da cutícula da folha, elevando a velocidade de absorção dos nutrientes. Além disso, estes quelatos formados por cátions+aminoácidos aumentam a capacidade de circulação de nutrientes pelas membranas, culminando em um importante componente da nutrição das plantas, a translocação de nutrientes pouco móveis pelos vasos do floema.

Existem cerca de 20 aminoácidos essenciais nas plantas, possuindo concentrações e funções distintas. Por exemplo, o triptofano, precursor do mais importante hormônio de crescimento radicular e da parte aérea das plantas, a auxina. Ou a metionina, precursora do etileno, responsável pela maturação dos frutos. Outros aminoácidos como a tirosina e a fenilanina são os precursores dos compostos fenólicos envolvidos na defesa das plantas e na síntese de lignina, que aumenta a resistência ao acamamento das plantas. A glicina é precursora da síntese de clorofila, além de agir nos mecanismos de defesa das culturas. Focado no desenvolvimento inicial, a valina afeta diretamente a germinação das sementes e a arginina age sobre o desenvolvimento radicular e eleva a solubilidade e absorção de nutrientes, sendo ainda o principal aminoácido de translocação no floema.

Na literatura, tem-se citado inúmeros benefícios quanto ao uso de aminoácidos, podendo-se citar a pontecialização da síntese de proteínas, de compostos intermediários dos hormônios vegetais e do efeito quelatizante de nutrientes ou agroquímicos. Contudo, as melhores respostas dos aminoácidos têm sido em situações de estresses bióticos, como relacionados ao ataque de pragas e doenças, e abióticos, como desordens nutricionais, climáticas, deficiências hídricas ou estresses relacionados à aplicação de defensivos, em especial herbicidas, conferindo aos aminoácidos o título de agentes antiestressantes.


quinta-feira, 24 de abril de 2014

24 de abril dia internacional do milho

Milho e suas riquezas – História


Segundo Mary Poll, em trabalho publicado na revista Pnas, os primeiros registros do cultivo do milho datam de há 7.300 anos, e foram encontrados em pequenas ilhas próximas ao litoral do México, no golfo do México.
Seu nome, de origem indígena caribenha, significa “sustento da vida”. Alimentação básica de várias civilizações importantes ao longo dos séculos, os Olmecas, Maias, Astecas e Incas reverenciavam o cereal na arte e na religião.
Grande parte de suas atividades diárias era ligada ao seu cultivo. Segundo Linda Perry, em artigo publicado na revista Nature, o milho já era cultivado na América do Sul há pelo menos 4.000 anos.
O milho era plantado por índios americanos em montes, usando um sistema complexo que variava a espécie plantada de acordo com o seu uso. Esse método foi substituído por plantações de uma única espécie.
Com as grandes navegações do século XVI e o início do processo de colonização da América, a cultura do milho se expandiu para outras partes do mundo. Hoje é cultivado e consumido em todos os continentes e sua produção só perde para a do trigo e do arroz. No Brasil, o cultivo do milho vem desde antes da chegada dos europeus.
Os índios, principalmente os guaranis, tinham o cereal como o principal ingrediente de sua dieta. Com a chegada dos portugueses, o consumo aumentou e novos produtos à base de milho foram incorporados aos hábitos alimentares dos brasileiros.
Sua popularidade começou quando os primeiros europeus descobriram sua existência: os exploradores falavam de “um tipo de grão” que chamavam de milho, de bom sabor quando cozido seco e como farinha.
Sua presença foi fundamental para a dieta e mesmo para a cultura de antigas civilizações americanas. Na América é conhecido por diferentes nomes: milho, choclo, jojoto, corn, maíz, elote. Deve-se notar que existem tipos diferentes de milho, como o dentado, o duro, o macio ou farinhoso, o doce e o pipoca. Encontramos hoje aproximadamente 150 espécies de milho, com grande diversidade de cor e formato dos grãos.
Além de suas virtudes como alimento (onde demonstra uma incrível capacidade para transformar-se em farinha, flocos, pastas, etc.), o milho tem reservadas outras surpresas: tem uso como ingrediente básico para processos industriais. Está na raiz de produtos como amido, azeite e proteínas, bebidas alcoólicas, edulcorantes alimentícios e combustível.
O plantio de milho na forma ancestral continua a praticar-se na América do Sul, nomeadamente em regiões pouco desenvolvidas, no sistema conhecido no Brasil como de roças.
Atualmente, embora o nível de consumo do milho no Brasil venha crescendo, ainda está longe de ser comparado a países como o México e aos da região do Caribe.
COMPONENTES
O grão de milho, quando cortado na vertical, revela seus componentes básicos. São eles:
Endosperma – corresponde à maior parte do grão de milho e é composto basicamente de amido (quase 61%), além de outros 7% de glúten que envolve os grânulos de amido e de pequena porcentagem de gordura e demais componentes.
Película – é a parte que recobre o grão. Devidamente processada, ela é empregada como ingrediente em rações animais.
Água – corresponde a aproximadamente 16% do grão de milho. A água também é utilizada no processo inicial de maceração. O liquor resultante da maceração é rico em vitaminas, especialmente do complexo B. Ele é normalmente usado em rações, além de ser aplicado na fabricação de antibióticos.
Germe – é a parte vegetativa do grão e fonte de óleo do milho. O germe é um componente importante para alimentos, produtos farmacêuticos e aplicações industriais. As frações remanescentes do germe são processadas e podem ser utilizadas como ingredientes em rações animais.
BENEFÍCIOS
O milho é uma planta da família Gramineae e da espécie Zea mays. Comummente, o termo se refere à sua semente, um cereal de altas qualidades nutritivas. È um conhecido cereal cultivado em grande parte do mundo. É extensivamente utilizado como alimento humano ou ração animal, devido às suas qualidades nutricionais. O maior produtor mundial são os Estados Unidos.
No Brasil, que também é um grande produtor e exportador, São Paulo e Paraná são os estados líderes na sua produção. A maior produção municipal é a de Jataí, em Goiás.
O milho é um dos alimentos mais nutritivos que existem. Puro ou como ingrediente de outros produtos, é uma importante fonte energética para o homem.
Ao contrário do trigo e o arroz, que são refinados durante seus processos de industrialização, o milho conserva sua casca, que é rica em fibras, fundamental para a eliminação das toxinas do organismo humano.
Além das fibras, o grão de milho é constituído de calorias, gordura puras, vitaminas (B e complexo A), sais naturais (metal, isuqieo, fóssio, cálcio), óleo e grandes quantidades de açúcares, gorduras e celulose.
Maior que as qualidades nutricionais do milho, só mesmo sua versatilidade para o aproveitamento na alimentação humana. Ele pode ser consumido diretamente ou como componente para a fabricação de balas, biscoitos, pães, chocolates, geléias, sorvetes, maionese e até cerveja.
Nos Estados Unidos, o uso do milho na alimentação humana direta é relativamente pequeno – embora haja grande produção de cereais matinais como flocos de cereais ou corn flakes e xarope de milho, utilizado como adoçante. No México o seu uso é muito importante, sendo a base da alimentação da população (é o ingrediente principal das tortilhas, e outros pratos da culinária mexicana).
No Brasil, é a matéria-prima principal de vários pratos da culinária típica brasileira como canjica, cuscuz, polenta, angu, mingaus, pamonhas, cremes, entre outros como bolos, pipoca ou simplesmente milho cozido. Maior que as qualidades nutricionais do milho, só mesmo sua versatilidade para o aproveitamento na alimentação humana.
Atualmente somente cerca de 5% de produção brasileira se destina ao consumo humano e, mesmo assim, de maneira indireta na composição de outros produtos, sendo a maior parte de sua produção é utilizada na alimentação animal e chega até nós através dos diversos tipos de carne (bovina, suína, aves e peixes).
Isto se deve principalmente à falta de informação sobre o milho e à ausência de uma maior divulgação de suas qualidades nutricionais, bem como aos hábitos alimentares da população brasileira, que privilegia outros grãos. O uso primário do milho nos Estados Unidos e no Canadá é na alimentação para animais. O Brasil tem situação parecida: 65% do milho é utilizado na alimentação animal, e 11% é consumido pela indústria, para diversos fins.
Seu uso industrial não se restringe à indústria alimentícia. É largamente utilizado na produção de elementos espessantes e colantes (para diversos fins) e na produção de óleos e de etanol. O etanol é utilizado como aditivo na gasolina, para aumentar a octanagem. Algumas formas da planta são ocasionalmente cultivadas na jardinagem.
Para este propósito, são usadas espécies com folhas de cores e formas variadas, assim como espécies com espigas de cores vibrantes.
O milho, afinal, é um cereal de elevado valor energético – justamente a principal deficiência nutricional da população brasileira de baixa renda. Cada cem gramas do milho em grão contém aproximadamente 360 kcal – o que representa perto de 20% da necessidade calórica de um adulto, em torno de 2.100 kcal diárias.
Trata-se, de outra parte, de um alimento de grande penetração popular, sobretudo sob a formulação de farinhas e misturas.
Não por acaso, o Ministério da Saúde escolheu a farinha de milho, juntamente com a de trigo, para a incorporação de ferro e vitamina B9 (ácido fólico).
Com a adição desses produtos à farinha, os técnicos do Ministério da Saúde pretendem, acertadamente, reduzir substancialmente os índices de anemia e de mielomeningocele, doença que provoca a paralisia dos membros inferiores e de órgãos internos, dentre outras seqüelas.
Pesquisadores do Instituto de Biotecnologia da Universidade de Granada, da Rede Nacional de Pesquisa do Envelhecimento da Espanha, concluíram estudo que demonstrou que o consumo de milho adia o envelhecimento, devido ao alto conteúdo de melatonina, substância produzida em pequenas quantidades pelo corpo, com propriedades antioxidantes que retardam a degeneração neuronial.
O milho cumpre ainda o importante papel de ajudar a prevenir doenças crônico-degenerativas por possuir a substância ß-glucano, que protege contra enfermidades cardiovasculares. O uso do milho está presente também na indústria farmacêutica, onde é empregado em aproximadamente 85 tipos diferentes de antibióticos.
Além de ser uma resposta à altura para as demandas e necessidades da população brasileira, o aumento do consumo humano de milho encerra outro benefício: a oportunidade de conferir ganhos de qualidade e de abrir novas frentes de negócios para a cadeia produtiva.
O aumento do consumo humano de milho, com efeito, abre um enorme e virtuoso campo de operação para o empresário rural, que pode investir num sistema de produção que agregue maior valor – o milho destinado ao consumo humano, afinal, é um produto sofisticado, mais “limpo”, de maior qualidade nutricional e, portanto, mais valorizado.
Os demais elos da corrente também só têm a ganhar com o desenvolvimento desse segmento – fabricante de insumos, produtores de sementes, fornecedores de máquinas às indústrias processadoras de alimentos. A constituição de uma massa crítica em torno dessa cadeia produtiva concorre, por fim, para abrir mercados externos de valor agregado mais apurado.
Vale lembrar que o País exportou 4,8 milhões de toneladas em 2004, movimentando US$ 166 milhões. Essa produção, transformada em alimentos e produtos acabados, pode agregar receita de maior valor. O aumento do consumo humano de milho, como se vê, é um esforço que interessa a todos os elos da cadeia produtiva e aos mais de 180 milhões de brasileiros.
Fontes:
http://www.abimilho.com.br/riqueza.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Milho
http://www.tierramerica.net/2001/0408/pconectate.shtml
http://www.copacabanarunners.net/milho.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pipoca
Gazeta Mercantil/Caderno A – Página 3 – 03/10/05
* Algumas fotos foram extraídas do clip-art on-line

quarta-feira, 26 de março de 2014

Ministério Público quer proibir uso do glifosato


Ministério Público no Distrito Federal (MPF/DF) acionou a Justiça pedindo a suspensão do uso do glifosato – o herbicida mais utilizado no Brasil. Além dele, a procuradoria quer impugnar ainda o 2,4-D e os princípios ativos: parationa metílica, lactofem, forato, carbofurano, abamectina, tiram e paraquate.

São duas ações protocoladas. “A primeira medida visa obrigar a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a reavaliar a toxidade de oito ingredientes ativos suspeitos de causar danos à saúde humana e ao meio ambiente. Em outra frente, o órgão questiona o registro de agrotóxicos que contenham o herbicida 2,4-D, aplicado para combater ervas daninhas de folha larga”, explica o MP em seu site.

Nas duas ações é solicitada a antecipação de tutela. A procuradoria pede a concessão de liminar para que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) suspenda o registro dos produtos até a conclusão definitiva sobre sua toxidade pela Anvisa.

Na ação civil que contesta o registro do herbicida 2,4-D, o MP pede que a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) seja proibida de liberar a comercialização de sementes transgênicas resistentes à substância até um posicionamento definitivo por parte da Anvisa.

“Se for mantida a mesma proporção de resultado das avaliações anteriores, presumivelmente, cerca de dois terços (dos ingredientes impugnados na ação do MPF) também serão banidos do país por demonstrarem alto risco e grau de toxidade”, justifica o órgão na ação civil.

Agrolink

Autor: Leonardo Gottems