Cupins subterrâneos
27/12/2013 11:46:10 - Atualizado em 27/12/2013
19:38:04
Os cupins são
insetos da ordem Isoptera, também conhecidos por térmitas, siriris ou aleluias.
Estes insetos são espécies sociais, formando castas de indivíduos ápteros ou
alados. Há mais de 2000 espécies descritas no mundo, sendo a maioria encontrada
em regiões tropicais e subtropicais. Os cupins vivem em colônias populosas e
constroem seus ninhos, chamados cupinzeiros ou termiteiros, para proteção da
colônia, armazenamento de alimento e manutenção de condições ótimas para o
desenvolvimento dos indivíduos.
Segundo
Constantino (1999) há relatos que no Brasil ocorra pelo menos cerca de 290
espécies, sendo considerado uma das termitofaunas mais diversas do mundo, apesar
de ser pouco conhecida. As principais espécies pertencem as famílias
Kalotermitidae, Rhinotermitidae, Serritermitidae e Termitidae, sendo que 85% dos
exemplares coletados e registrados no Brasil pertencem a esta última
família.
Em altas
infestações, os cupins são conhecidos por sua importância econômica como pragas
de madeira e de outros materiais celulósicos sendo responsável por danos
econômicos em áreas urbanas e rurais. Mas por outro lado, os cupins são
importantes componentes da fauna de solo de regiões tropicais, exercendo papel
essencial nos processos de decomposição e de ciclagem de nutrientes,
interferindo de modo benéfico no ambiente em que habita.
Os cupins, além
de auxiliarem na formação de matéria orgânica no solo, também ajudam a melhorar
a sua qualidade física, devido aos inúmeros túneis construídos por eles. Além de
serem conhecidos como pragas, somente perto de 10% podem causar dano econômico.
De acordo com a localização do ninho, são divididos em cupim de madeira seca,
subterrâneo, de montículo e arbícola.
Biologia
Com o intuito de
propagar a espécie, formam a colônia por meio do evento chamado de enxameagem.
As colônias são formadas por castas de indivíduos ápteros, ou seja “sem asas” e
alados, “com asas”. Além das formas jovens, existem duas categorias de
indivíduos adultos. A primeira é formada pelos reprodutores, que são os machos e
fêmeas conhecidos como “aleluias" e "siris-siris", que saem em revoada para
acasalarem e para formar novos cupinzeiros.
Na falta do casal
real, a proliferação da colônia é mantida por indivíduos que se apresentam como
formas jovens e sexualmente pouco desenvolvidas. A segunda categoria compreende
as formas ápteras de ambos os sexos, mas estéreis, os soldados e operários, que
são os responsáveis pela defesa e pela execução do trabalho e alimentação das
outras castas, respectivamente.
Após a
enxameagem, o casal penetra no solo e forma uma pequena câmara onde a rainha
coloca os ovos. Com o desenvolvimento, fica definida a função de cada um dentro
do cupinzeiro. Cada casta possui um comportamento diferente e pode-se observar
grandes diferenças físicas, refletindo assim sua responsabilidade para com a
colônia.
Cupins
Subterrâneos
O cupins
subterrâneos ou de solo são assim denominados por construírem seus ninhos no
solo e estão na primeira posição quando o assunto é causar danos e prejuízos.
Apesar do nome, não se restringem ao solo, podendo construir seu ninho em
árvores, vãos de construções, lajes, paredes duplas ou qualquer outro espaço
confinado que exista em uma estrutura, seja uma residência, fazenda, indústria
ou comércio. Uma importante característica é que os operários dos cupins
subterrâneos podem se utilizar de outros meios além da madeira, facilitando
assim a sua sobrevivência, principalmente devido a fartura de elementos à base
de celulose que se encontram na natureza ou nas proximidades do ninho. Um ninho
maduro do cupim subterrâneo pode causar severos danos a uma estrutura em cerca
de 3 meses.
Uma vez
estabelecido o cupinzeiro, o cupim sai em busca de alimentos, transitando por
meio dos túneis construídos pelos próprios operários nos solos, paredes, pisos,
conduítes, entre outros. Em alguns casos, esses túneis podem chegar até 50
metros. Qualquer sinal de ataque deste tipo de cupim deve ser combatido
imediatamente ou o prejuízo pode ser em proporções absurdas. Estima-se que o
prejuízo anual mundial com cupins subterrâneos ultrapasse os 10 bilhões de
dólares.
Além dos cupins
subterrâneos serem problema em construções, também podem se destacar como praga
de culturas florestais. Em florestas naturais, as árvores nativas são geralmente
tolerantes a esse ataque. Já em áreas de reflorestamento e de plantios de
eucaliptos, as árvores podem ser atacadas, desde a época do plantio até a
colheita, por diversas espécies de cupins.
Os cupins
subterrâneos também são relatados como sendo uma importante praga da cultura
canavieira, ocorrendo em todos os países onde esta cultura está implantada. O
problema com cupins subterrâneos tornou-se ainda mais importante após a
proibição do uso de produtos clorados. Em cana-de-açúcar há dois tipos
diferentes de cupim atacando as plantas, sendo os subterrâneos os mais
importantes. A espécies mais frequentes - Heterotermes tenuis e H. longiceps,
ambos pertencentes a família Rhinotermitidae, distribuem-se em galerias difusas
no solo, no interior de raízes, troncos e, quando eventualmente deslocam-se em
locais expostos, constroem túneis com detritos vegetais, solo e fezes. Os cupins
subterrâneos alimentam-se de material lenhoso em várias fases de decomposição,
sendo comum atingirem partes vitais das plantas, como toletes de cana recém
plantados, sistema radicular e entrenós basais de cana em formação, adulta ou
soqueira.
Vale ressaltar
que protozoários e bactérias presentes no interior do tubo digestivo dos insetos
são os que realizam a digestão da celulose em uma relação simbiótica. Em algumas
lavouras, os cupins subterrâneos dos gêneros Heterotermes sp. e Procornitermes,
atacam as sementes e a parte subterrânea de plantas. Algumas espécies consomem
folhas, à semelhança das formigas cortadeiras.
Os danos causados
podem ser diretos, por meio do consumo de sementes e plantas, ou indiretos,
pelos montes nas lavouras, que dificultam a semeadura e a colheita, provocam a
quebra de equipamentos e hospedam animais peçonhentos.
Devido às
dificuldades encontradas em avaliações de insetos de hábitos subterrâneos e por
amostragem de solo serem trabalhosas, foi desenvolvido o método de amostragem de
cupins utilizando-se iscas de papelão corrugado. A isca em forma de rolos de
papelão corrugado de 20cm de comprimento e 8cm de diâmetro são inseridos em
buracos de 20cm feitos no solo com a ajuda de um trado, ficando livre a
extremidade superior, conforme observado nas fotos.
As iscas podem
ser utilizadas para avaliar as espécies de cupins presentes nas áreas de
cana-de-açúcar, em áreas com plantios de eucalipto ou plantações florestais, ou
até mesmo para o monitoramento das espécies bioindicadoras da qualidade de solo
atuando como indicadores de impactos ambientais conforme mostrado por Melo e
Silva em 2008.
Fonte:
Embrapa Meio Ambiente Simone de Souza Prado.
Publicado: http://agron.com.br/noticia.
Referências
consultadas
CONSTANTINO, R. Chave ilustrada para
identificação dos gêneros de cupins (Insecta: Isoptera) que ocorrem no Brasil.
Papéis avulsos de
zoologia, 40
(25): 387-448, 1999.
GALLO, D. et al. Entomologia
agrícola. Piracicaba: FEALQ, 2002.
920p.
MELO,
L.A. e SILVA, J.R. Método de isca para avaliação
populacional de cupins subterrâneos como indicadores de impacto
ambiental.
Jaguariúna: Embrapa Meio Ambiente, 2008. 3p. Embrapa Meio Ambiente. Comunicado
Técnico, 48).
