quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Pesquisas apontam o aumento da eficiência do uso de rochas fosfatadas pela associação com microrganismos solubilizadores


 
A agricultura brasileira tem alcançado recordes de produção de grãos a cada ano, que se devem a um conjunto de fatores, dentre eles, ao aumento da produtividade. A fertilização é um componente fundamental para essas conquistas, por ser um dos fatores de produção mais ligados ao aumento de rendimento das culturas.
Por outro lado, o Brasil ainda é altamente dependente da importação de fertilizantes, principalmente fosfatados e potássicos. Diante desse cenário, a busca por alternativas que possam levar a um melhor aproveitamento de fontes nacionais, como as rochas fosfatadas, é de grande importância para a atividade agrícola.

Até alguns anos atrás, essas rochas não tiveram posição de destaque, principalmente por apresentarem baixa concentração e solubilidade de fósforo (P), no entanto, estudos que visam aumentar a eficiência do uso de P dessas fontes são hoje de grande importância, permitindo gerar alternativas aos produtores que reduzam os custos de produção e a dependência externa.

Uma forma de aumentar a eficiência do uso de P dessas rochas é a mistura com microrganismos solubilizadores. Na Embrapa Milho e Sorgo há um programa de Microbiologia do Solo que isolou, in vitro, alguns microrganismos eficientes em solubilizar P de fontes menos solúveis.

Os possíveis mecanismos que envolvem a melhoria da eficiência de uso do nutriente proporcionada pelos microrganismos solubilizadores, e que aumentam o crescimento das plantas, ainda não estão bem elucidados, mas possivelmente estão ligados à capacidade de solubilização de fosfatos existentes no solo ou adicionados na forma de fertilizantes pela produção de ácidos orgânicos ou diminuição do pH do solo (Calvaruso et al., 2006; Richardson et. al. 2009).

Em continuidade aos trabalhos desenvolvidos pela equipe de Microbiologia do Solo da Embrapa Milho e Sorgo, foram instalados experimentos com a cultura do milheto em casa de vegetação da Empresa. A pesquisadora Eliane Aparecida Gomes avaliou o efeito da inoculação de microrganismos na biodisponibilização de fósforo para o milheto em três cultivos sucessivos de dois experimentos, um envolvendo a inoculação de forma direta dos microrganismos com as rochas fosfatadas Araxá e Itafós nas sementes e outro testando um método de inoculação de forma indireta, onde as rochas utilizadas para a adubação foram pré-incubadas com os microrganismos para a produção de inoculantes (dados não publicados). As bactérias utilizadas como inóculo foram Bacillus pumilus (CMMSB32) e B. subtillis (CMMSB70), pertencentes à coleção de Microrganismos Multifuncionais da Embrapa Milho e Sorgo. O solo utilizado foi o Latossolo Vermelho Distrófico, fase Cerrado, argiloso, com baixo teor de fósforo.

De modo geral, no segundo cultivo, a inoculação direta nas sementes no momento do plantio resultou em tendência de maior acúmulo de massa seca na parte aérea das plantas (MSPA) com relação às plantas cultivadas somente com rochas puras, diferença que não foi observada no primeiro e no terceiro cultivo. Os incrementos foram de 24,6%, 31,8% e 41,25% na produção relativa de biomassa da parte aérea de milheto cultivado em solo com fosfato de Araxá inoculado com CMMSB32 e fosfato de Itafós inoculado com CMMSB32 e CMMSB70, respectivamente. Isso indica que houve efeito residual das rochas na presença de microrganismos solubilizadores de P com o tempo e demonstra a importância da pesquisa de novas fontes de fertilizantes fosfatados de solubilização mais lenta, em que ocorre um aumento gradual da disponibilidade de P (Novais & Smyth, 1999), principalmente se associado aos microrganismo. Os valores de P acumulados na planta também foram avaliados, mas não ocorreram diferenças significativas entre os tratamentos com adubação de fosfatos de rocha sem inoculação e os que tiveram inoculação de microrganismos.

Foi instalado outro experimento pela pesquisadora Flávia Cristina dos Santos (dados não publicados) com P em casa de vegetação da Embrapa Milho e Sorgo, também com a cultura do milheto, em Latossolo argiloso com baixo teor de P disponível. Foram avaliados 22 tratamentos de misturas de rochas Itafós e Bayovar (origem peruana com exploração pela Vale), com ou sem cama de frango, com a mistura de cinco combinações de microrganismos (PenicilliumPinophilum (F14), Bacillus pumilus (CMMSB32), B. subtillis (CMMSB70), CMMSB32 CMMSB70 e sem microrganismos), mais dois tratamentos adicionais (sem fósforo e adubação com superfosfato triplo). Os resultados iniciais mostraram que os tratamentos com a presença da cama de frango proporcionaram efeito positivo significativo no crescimento das plantas. Além disso, houve efeito dos microrganismos, com maior produção de matéria seca das plantas na presença da bactéria solubilizadora CMMSB70 e da mistura CMMSB32 CMMSB70 em relação à CMMSB32 e em relação ao tratamento sem microrganismos.

Os resultados apresentados referem-se ao primeiro cultivo, porém, serão avaliados mais dois cultivos sucessivos. Além disso, com a seleção dos melhores tratamentos, objetiva-se realizar testes em campo com a cultura do milho.

De maneira geral, os resultados preliminares já apontam para o uso de microrganismos solubilizadores como alternativa promissora aos produtores, pois são insumos de mais baixo custo, podendo, assim, melhor atender à demanda da agricultura orgânica e familiar, por exemplo.

BIBLIOGRAFIA

CALVARUSO, C.; TURPAULT, M.P.; FREY-KLETT, P. Root-associated bacteria contribute to mineral weathering and to mineral nutrition in trees: a budgeting analysis. Appliedand Environmental Microbiology, 72:1258-1266. 2006.

NOVAIS. R.F.; SMYTH. T.J. Fósforo em solo e planta em condições tropicais.Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, 1999. 399p.

RICHARDSON, E. A. Regulating the phosphorus nutrition of plants: molecular biology meeting agronomic needs. Plant and Soil, v. 322, p. 17-24, 2009.

AUTORIA

Flávia Cristina dos Santos, Eliane Aparecida Gomes, Christiane Abreu de Oliveira, Ivanildo Evódio Marriel
Pesquisadores da Embrapa Milho e Sorgo
Sete Lagoas - MG

José Carlos Polidoro
Pesquisador da Embrapa Solos
Rio de Janeiro - RJ

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Milho

                     
Inoculantes são mais eficientes e econômicos
Procedimento aumenta produtividade do milho safrinha em até 50% e reduz o custo de produção em 20%  

     
               Kamila Pitombeira
27/12/2011
A fertilização é extremamente importante para o desenvolvimento da cultura. É dela que vêm os nutrientes essenciais para o desenvolvimento das plantas e que, eventualmente, se encontram com índices baixos no solo. São vários os tipos de fertilização, mas um deles tem chamado a atenção pelo baixo custo e ótima eficiência. A inoculação de sementes pode aumentar a produtividade do milho safrinha em até 50%, além de reduzir o custo de produção em 20%. Isso porque uma dose do material inoculante custa apenas R$8 por hectare em média.
— O principal benefício do uso de inoculantes em gramíneas é a possibilidade de economia de nitrogênio que o inoculante pode oferecer às culturas. Sendo uma gramínea, o milho exige grande quantidade de nitrogênio e, com isso, eleva o custo de produção. O uso de inoculantes poderia suprir parte dessa necessidade de nitrogênio, levando com isso, além de uma possibilidade de economia, uma possibilidade também de incremento de produtividade — afirma Itacir Eloi Sandini, professor da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro).
Estudos mostram que o uso de inoculantes em milho safrinha pode gerar um incremento de até 50% na produtividade, dependendo da estirpe e do material genético utilizado. Segundo Sandini, pode ocorrer ainda uma redução de custo em torno de 20%.
— A principal forma de utilização do inoculante é através da semente. Por outro lado, especificamente na cultura do milho, tem sido observado que o tratamento industrial da semente acaba beneficiando o produtor na questão de não precisar fazer o procedimento na propriedade, mas dificulta o uso do inoculante devido à baixa sobrevivência da bactéria — explica ele.
Dessa forma, o professor conta que novas pesquisas têm sido feitas sobre alternativas ao uso do inoculante na semente, que poderia ser feito também no sulco de semeadura. No caso da inoculação de sementes, é preciso que o tratamento seja feito em, no máximo, 24 horas antes da operação de plantio. Já a inoculação através do sulco de semeadura, deve ser feita com equipamentos especiais.
— É preciso ainda utilizar alguns produtos que venham a proteger as bactérias, evitando assim a necessidade de fazer uma reaplicação dos inoculantes após o período de plantio. Além disso, é importante ressaltar ainda que a inoculação realizada em um período superior a 24 horas, não surte efeito — diz.
Sandini explica que na cultura do milho, uma das tecnologias mais baratas é a inoculação. Ele afirma que hoje, o custo de uma dose de inoculante gira em torno de R$8 por hectare. Portanto, esse investimento é extremamente baixo frente à possibilidade de redução do uso do nitrogênio aplicado em cobertura.
Para mais informações, basta entrar em contato com a Unicentro através do número (42) 3621-1000.
Publicação:  www.diadecampo.com.br