sexta-feira, 13 de abril de 2012

Café: um aliado da saúde





No Dia Internacional da Saúde, comemorado em 7 de abril, cabe uma pergunta: afinal, café faz bem para a saúde? Em busca de resposta cientificamente comprovada, pesquisou-se estudos de especialistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade de Brasília (UnB), Instituto do Coração (Incor) e informações divulgadas pela Associação Brasileira da Industria de Café (Abic).

A pergunta é motivada por uma realidade contraditória: o tradicional cafezinho, com ampla aceitação em todas as classes sociais, é de fato uma preferência nacional. É a segunda bebida mais consumida no Brasil, só perdendo para a água, segundo levantamento realizado pelo Instituto Ivani Rossi Consultoria em Pesquisa para a Abic. No entanto, apesar de sua popularidade, é uma vítima ainda de preconceitos. Desmentindo muitos dos mitos criados em torno da bebida mais apreciada pelos brasileiros, estudos modernos mostram que, consumido com moderação, o café é saudável sim para o ser humano.

É praticamente consenso pelas pesquisas já desenvolvidas que o café tem ação estimulante sobre o sistema nervoso e, em doses moderadas - três a quatro xícaras por dia - aumenta a atenção, a concentração e a memória de curto e médio prazo, sendo inclusive recomendado para estudantes de todas as idades. Estudos mostram também que o café pode atuar na prevenção do câncer de cólon e reto, doença de Parkinson e de Alzheimer, apatia e depressão, obesidade infantil, diabetes tipo II, cálculos biliares e câncer de fígado. Também aumenta o estado de vigília do cérebro e diminui a sonolência.

Da UFRJ, estudos realizados corroboram a ação do café para a saúde humana. Na dissertação de Mestrado defendida em 2010 por Taissa Lima Torres, sob a orientação da pesquisadora doutora em Ciências de Alimentos Adriana Farah de Miranda Pereira, o café apresentou a maior capacidade antioxidante dentre diversos alimentos avaliados, seguido pelo chá-mate, vinho tinto e açaí. "Assim, levando em consideração o consumo, o café foi destacado como o mais importante contribuinte de antioxidantes na dieta do brasileiro, independente da classe de renda e da grande região do Brasil", explica Adriana Farah.

De acordo com a pesquisadora, essa capacidade antioxidante está relacionada principalmente aos compostos fenólicos do café, os ácidos clorogênicos. "O café é uma das maiores fontes destes compostos na natureza, principalmente quando torrado ao ponto de torra média. Os antioxidantes podem atuar complexando-se a espécies reativas, seqüestrando radicais livres e interrompendo suas reações em cadeia, prevenindo assim, danos ao DNA das células. Eles também podem impedir a oxidação das LDL, ajudando a prevenir o estabelecimento de algumas doenças degenerativas, entre elas a aterosclerose e o mal de Parkinson. Como a doença de Alzheimer está relacionada a danos celulares, o consumo de café a longo-prazo parece exercer um papel na prevenção desta doença", detalha.

Além das propriedades citadas acima, que também atuam na prevenção do câncer, os ácidos clorogênicos são capazes de modificar vias metabólicas de compostos cancerígenos, inativando-os. No coração, a bebida pode diminuir a incidência de doenças coronarianas e alguns tipos de infarto. Os ácidos clorogênicos se ligam a moléculas de gordura impedindo que se formem placas nas paredes das células.

Vários outros efeitos foram atribuídos aos compostos fenólicos do café, entre eles os efeitos hipoglicemiante (atua na prevenção e como coadjuvante no tratamento do diabetes), digestivo e hepatoprotetor (inclusive na prevenção da cirrose e câncer de fígado). Alguns potenciais efeitos destes compostos que estão também sendo estudados são: imunoestimulante, antiviral, antiobesidade, hipotensivo, antibacteriano, inclusive em relação às bactérias causadoras da cárie.

O médico Luiz Antonio Machado, do Incor, afirma que hoje se sabe que o café não faz mal à saúde, se tomado em quantidades moderadas e habituais, até quatro xícaras de café ao dia. "O que tem sido sempre mostrado é que o café, provavelmente à substâncias anti-oxidantes que possui, protege as pessoas de desenvolverem diabetes, principalmente o café descafeinado. Ou ao menos postergam o aparecimento. Importante lembrar que o café não é remédio e pessoas doentes precisam de tratamento e orientação médica".

A equipe do Instituto está agora realizando estudos para saber os efeitos do café na pressão arterial e no coração de pacientes que já têm doença das coronárias. "Temos observado que o café não traz nenhum mal. Somente o café com torra mais clara ou média, parece aumentar um pouco a pressão arterial, mas o café de torra mais escura que costumamos tomar não interfere na pressão", garante. O médico estudioso acredita que, para diminuir o preconceito das pessoas com relação ao café, a pesquisa e sua divulgação são excelentes aliados.

Devem realmente evitar o consumo da bebida, segundo Luiz Antonio, quem se sente mal ou tem insônia ao ingeri-la ao fim do dia. "Pode-se dizer que o hábito de tomar um bom café pode trazer benefícios como traz também o bom hábito de comer frutas, verduras, legumes etc. Além disso, o café nos desperta pela manhã graças à cafeína, que ativa nosso sistema nervoso central nos mantendo alertas e dispostos".

Pesquisas realizadas por professores da Universidade de Brasília realizadas em populações que têm o hábito de tomar café confirmam os benefícios da bebida do ponto de vista coletivo. "Do ponto de vista médico individual, há controvérsias, mas olhando sobre o prisma coletivo não. Em populações que consomem costumeiramente a bebida comparadas com as que não consomem, observa-se ganhos relevantes para a saúde. Ou seja, sob o enfoque geral, as populações que consomem café estão mais saudáveis do que as que não consomem. Asiáticos que não tinham esse hábito e estão passando a adquiri-lo estão mostrando perfil epidemiológico positivo com relação a algumas patologias degenerativas. O que precisa mudar, no caso do Brasil, é o padrão de exigência do consumidor. Quanto melhor a qualidade do café, melhores serão os benefícios para a saúde", informa o professor José Garrofe Dórea da UnB.

Café para nutrir

São da UFRJ estudos que comprovam que o café pode ser um aliado no combate às deficiências nutricionais de parte da população brasileira, além das já apreciadas qualidades aromáticas e de sabor. "Para que o café possa ser visto como um alimento saudável, vários cuidados devem ser tomados, desde a qualidade inicial dos grãos até o grau e as condições de torrefação, evitando a presença na bebida de compostos prejudiciais à saúde", alerta a professora Adriana Farah.

Com o objetivo de aproveitar a popularidade da bebida a favor da melhoria da nutrição, foi criado o café torrado e moído fortificado com ferro e zinco, fruto de projeto da dissertação de mestrado de Luciana Lopes Costa sob orientação da professora Adriana Farah. "A iniciativa visa suprir o consumo inadequado desses minerais, ainda abaixo dos níveis recomendados pelos padrões internacionais da Organização Mundial da Saúde (OMS), principalmente nos países em desenvolvimento. Cada xícara do café fortificado atende a 20% da recomendação da OMS para a ingestão diária de ferro e de zinco", completa. "Além disso, na análise sensorial, não foram percebidas diferenças entre o sabor do café fortificado e o do café comum, até mesmo em doses acima daquelas utilizadas na fortificação, o que indica que o produto pode vir a ter uma boa aceitação do público", explica Adriana.

Segundo a pesquisadora, ainda não há previsão de quando o produto deve chegar ao mercado, mas o objetivo principal é que ele venha a ser empregado como uma ferramenta de apoio às políticas de assistência à saúde. "O café torrado e moído fortificado ou até mesmo o café solúvel fortificado, que apesar do custo mais elevado oferece um aproveitamento de 100% dos minerais adicionados, poderão ser comercializados ou distribuídos, no futuro, a populações carentes no contexto dos programas de saúde governamentais", diz Adriana.

Recomendações e restrições

O café consumido moderadamente não causa doenças em pessoas normais e saudáveis, da infância a velhice. Mas pessoas que possuem doenças como gastrite, doença do refluxo gastroesofágico, úlcera, transtorno de ansiedade generalizada, transtorno do pânico, palpitações devido arritmias cardíacas, hipertensão arterial, insônia ou doença isquêmica do coração devem ter cuidado no consumo de café, pois ele podem agravar os sintomas ou a doença, principalmente se consumido em excesso.

Para saber mais

Veja mais informações nos sites cafeesaude.com, www.coffeeishealth.org e www.abic.com.br.

FONTE

Embrapa Café
Flávia Bessa - Jornalista
Telefone: (61) 3448-1927

Colaboração de Edmilson Liberal, jornalista.

Cigarras: um inimigo quase invisível da cafeicultura




O cafeeiro (Coffea sp.) é uma planta arbustiva originária da Etiópia, da qual se colhem as sementes, para a produção de uma bebida estimulante conhecida como café. Essa planta é largamente cultivada em países tropicais, para consumo próprio, e exportação para países de clima temperado. No Brasil, essa espécie foi introduzida, vinda das Guianas, pelas mãos dos colonizadores. Atualmente o País é o principal produtor mundial de café, seguido pelo Vietnã e Colômbia. Em âmbito nacional, os principais estados produtores são Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Bahia, Paraná e Rondônia, que correspondem a 97% da produção nacional.
Por ser uma cultura tradicional do Brasil, seu bom desempenho é de fundamental importância para toda a economia nacional, pela sua participação na receita cambial, transferência de renda aos outros setores da economia, contribuição à formação de capital no setor agrícola do País, além da expressiva capacidade de absorção de mão de obra. A estimativa de produção de café (arábica e conilon) para a safra de 2012 está entre 48,9 e 52,2 milhões de sacas de 60 quilos do produto beneficiado, o que corresponde a 50,6 milhões de sacas no ponto médio. O resultado representa um crescimento entre 12,6% e 20,2%, quando comparado com a produção obtida na temporada
anterior que foi de 43,4 milhões de sacas. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e a Emater estimam crescimento expressivo na produção de café conilon em Rondônia (principal estado produtor da região Norte), entre 26% e 32%, com uma área plantada de 168 mil hectares.

As cigarras são relatadas como uma das mais importantes pragas-chave dessa cultura. Apesar de referidas pelos produtores acrianos como insetos presentes nessa cultura, não se sabe ao certo o nível de danos que causam. O cafeeiro, quando atacado por cigarras, apresenta definhamento progressivo, folhas com pontuações brancas e com queda prematura, "envaretamento" e, principalmente, decréscimo acentuado de produção. Os danos provocados por esses insetos, à primeira vista, não são detectados devido às cigarras passarem a maior parte de seu ciclo biológico enterradas no solo. Na fase ninfal, sugam continuamente a seiva bruta das raízes do cafeeiro. Posteriormente, a ninfa móvel abandona as raízes cavando uma galeria circular
e individual para sair do solo (quanto maior o número de orifícios sob a saia do cafeeiro, maior o grau de infestação), fixando-se em suportes, como o tronco das árvores. Nessa fase acontece a emergência dos adultos, que irão começar o novo ciclo reprodutivo da praga. Por intermédio de órgãos especializados localizados no abdômen, o macho estridula ou "canta", com a finalidade de atrair a fêmea da espécie para o acasalamento.

Os principais gêneros de cigarras associadas ao cafeeiro são: Quesada, Fidicina, Dorisiana, Carineta e Fidicinoides e, até o momento, foram registradas 12 espécies associadas ao cafeeiro no Brasil: Quesada gigas (Olivier), Quesada sodalis (Walker), Fidicina mannifera (Fabricius), Fidicina pullata (Berg), Dorisiana drewseni (Stål), Dorisiana viridis (Olivier), Carineta fasciculata
(Germar), Carineta matura (Distant), Carineta spoliata (Walker), Fidicinoides pronoe (Walker), Fidicinoides pauliensis (Boulard & Martinelli) e Fidicinoides sarutaiensis (Santos, Martinelli & Maccagnan).

Para o Estado do Acre são registradas as espécies: Carineta dolosa Boulard, Carineta rufescens (Fabricius), Carineta viridicolis (Germar), Carineta spoliata (Walker), além de espécimes dos gêneros Taphura e Dorisiana. Assim, nota-se que, além de uma espécie que tem o cafeeiro como planta hospedeira, foi confirmada a presença do gênero Dorisiana no estado, o qual também possui espécies associadas ao cafeeiro. Portanto, novos estudos devem ser realizados a fim de constatar ou não a presença de espécies de importância econômica em cafezais no Estado do Acre, para que medidas de controle sejam efetivamente realizadas.

Os patógenos de solo, como por exemplo, o fungo entomopatogênico Metarhizium anisoplie (Metsch.), são os principais inimigos naturais das cigarras. Quando entram em contato com as ninfas de cigarras, os esporos do fungo germinam, produzindo enzimas que degradam a pele da cigarra e ajudam o fungo a invadi-la. Conforme cresce, o fungo libera toxinas que modificam o comportamento da ninfa e impedem que ela se mova, levando o inseto à morte.

Assim, nota-se que as cigarras são importantes insetos-praga associados à cultura do café no Brasil. No entanto, novos estudos fazem-se necessários para verificar as espécies associadas e níveis de dano ocasionados por esses insetos na produção de café na Amazônia, para que técnicas de controle eficiente sejam adotadas.

AUTORIA

Rodrigo Souza Santos
Biólogo
Doutor em Entomologia Agrícola
Pesquisador da Embrapa Acre,
E-mail:: rodrigo@cpafac.embrapa.br

Café: municípios produtores de MG tem IDH superior à média




Estudo da Emater, baseado em dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), diz que a cafeicultura está associada à geração e distribuição de renda
Agência Estado
Municípios mineiros que têm no café a base de sua economia registram Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) maior que a média do Estado, aponta estudo da Emater-MG. O IDH médio dos municípios que cultivam mais de 5 mil hectares está acima de 0,756, enquanto que o IDH médio no Estado é de 0,726, informa a Secretaria de Agricultura. O estudo tem como base dados divulgados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
IDH médio dos municípios produtores de café está acima de 0,756, enquanto que o IDH médio no Estado é de 0,726 
Nos municípios pesquisados, ao se comparar o IDH com as áreas plantadas com café, ficou evidenciado que, quanto maior a área plantada, maior o IDH do município. “Isso não é apenas uma questão de preço e mercado”, analisa o gerente de programas especiais da Emater-MG, Leonardo Kalil. Segundo ele, o mercado vem passando por bons momentos, os estoques mundiais enfrentaram um período de baixa, o consumo individual vem aumentando, mas a cultura está associada não apenas à geração mas também à distribuição de renda.
Os cinco municípios com a maior área plantada de café em Minas Gerais que têm um índice superior à média do todo o Estado são Patrocínio (0,799); Três Pontas (0,733); Manhuaçu (0,776); Monte Carmelo (0,768) e Nepomuceno (0,747). ”É uma cultura que emprega muita mão de obra não apenas nas lavouras, mas na cadeia produtiva como um todo. Além disso, apresenta um faturamento por área muito bom, em comparação com outras atividades agropecuárias”, afirma Kalil.
De acordo com seus cálculos, uma lavoura com produtividade média de 25 sacas por hectare, pode render cerca de R$ 10 mil por hectare, se cada saca for comercializada ao preço médio atual de R$ 400. “É um bom retorno financeiro, se compararmos ao conseguido com o eucalipto, por exemplo, que na média do estado gira torno de R$ 2,28 mil por hectare ao ano”, compara.
O café lidera as exportações do agro mineiro. Minas Gerais produziu em 2011 22,2 milhões de sacas em uma área plantada de 1 milhão de hectares, distribuídos por mais de 600 municípios.