quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Incidência da ferrugem asiática da soja é zero nesta safra






Incidência da ferrugem asiática da soja é zero nesta safra, frisa a Aprosoja

30/12 
Mato Grosso, no ano passado, nesta mesma época, colecionava focos. Estiagem explica ausência

MARCONDES MACIEL

Considerada o terror do sojicultor mato-grossense nas últimas safras e uma das responsáveis pelo aumento dos custos de produção, a ferrugem asiática da soja está sob controle – até o momento -, em Mato Grosso, na safra 10/11. Em 2009, nesta mesma época do ano, vários focos já tinham sido confirmados.

“Este ano o prolongamento da estiagem está contribuindo para o atraso no surgimento da doença, pois as condições ainda não são propícias para o desenvolvimento do fungo”, diz o agrônomo Luiz Nery Ribas, gerente técnico da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja/MT) e membro do Consórcio Nacional Antiferrugem. Ele informou, contudo, que em outros estados – como Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul – já foram detectados focos de ferrugem.

“Independente de termos ou não casos de ferrugem nesta safra, o produtor deve continuar atento e fazer o monitoramento diário da lavoura para evitar uma possível propagação da doença”, recomenda.

Segundo Nery Ribas, além de favorecidos pelo clima, os produtores fizeram este ano um bom trabalho durante o período do vazio sanitário, de 15 de junho a 15 de setembro, período em que é proibido o plantio de soja para evitar a manutenção do fungo no solo, o que é chamado de ponte verde, ou seja, fungos que passam de uma safra para a outra, e assim, retardar ao máximo o surgimento da doença e também reduzir a sua incidência. “Por isso acreditamos que a safra 10/11 será bem mais tranqüila”.

A recomendação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento é fazer o monitoramento efetivo da lavoura, com aplicações preventivas nos primeiros sintomas da doença. Segundo os agrônomos, o produtor deve estar atento à qualidade da aplicação, utilizando equipamentos bem regulados e uso das doses recomendadas. Lembrou que este ano, em decorrência do prolongamento da seca, os produtores terão que “redobrar a atenção e fazer um monitoramento permanente da lavoura”.

ATAQUE - Na safra 09/10, praticamente todas as lavouras de soja de Mato Grosso foram infestadas pela ferrugem asiática. De acordo com a Aprosoja/MT, mais de 600 focos foram registrados no Estado. A média foi de três aplicações, mas algumas lavouras chegaram a fazer até quatro aplicações de fungicidas nas regiões mais críticas como Vale do Araguaia e o leste mato-grossense, em função da realização de plantios tardios.

A Aprosoja/MT, que vem acompanhando a evolução da ferrugem asiática em Mato Grosso nas últimas safras, constata sérios prejuízos para os sojicultores. O principal deles é o aumento dos custos de produção, com perda de renda para o produtor, associado à queda da produtividade.

O agrônomo lembra que o tempo chuvoso e quente é propício para o avanço da ferrugem pelos campos e, por outro lado, acaba dificultando as aplicações de fungicidas, já que o produtor pode acabar tendo um resultado menor em decorrência das chuvas. “No ano passado, as condições climáticas - muito calor e alta umidade - provocaram a proliferação do fungo da ferrugem em várias regiões, gerando perdas no rendimento por hectares e elevação dos custos para o produtor”.

Nery Ribas informou que em 2010 houve uma redução dos intervalos das aplicações de fungicidas devido à intensificação e propagação dos fungos nas lavouras de soja. Em anos anteriores, por exemplo, o intervalo era de 20 a 25 dias entre as aplicações. Este ano o período encurtou para 10, no máximo 15 dias. Com isso, os produtores tiveram de fazer em média uma aplicação a mais nesta safra.

As regiões com o maior número de registros de ferrugem, em Mato Grosso, na safra passada (09/10), foram a oeste, norte, sul e leste. Itiquira, Alto Taquari, Guiratinga, Pedra Preta, Sinop, Sorriso, Campos de Júlio, Campo Novo do Parecis, Sapezal, Tangará da Serra, Lucas do Rio Verde, Diamantino e Nova Xavantina foram os municípios com maiores incidências.

Indústria alerta para “apagão” de fertilizantes




Indústria alerta para “apagão” de fertilizantes

30/12 
Demanda por defensivos agrícolas deve crescer em 2011, mas capacidade de portos brasileiros não acompanhou a procura

Luana Gomes

A escalada das cotações internacionais dos grãos nos últimos meses de 2010 pode levar o Brasil a um novo apagão no setor de fertilizantes no primeiro semestre do ano que vem. O alerta vem da indústria, que prevê aumento na demanda por defensivos agrícolas em 2011. O consumo nacional deve somar 24,5 milhões de toneladas neste ano (aumento de 8,9% ante 2009) e continuar crescendo em 2011, superando o recorde registrado há três anos, quando o volume vendido beirou 25 milhões de toneladas, conforme a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda).

Como cerca de 70% do nitrogênio, do fósforo e do potássio (NPK, principal formulado) usados nas lavouras brasileiras vêm de fora do país, pode haver dificuldades caso o aumento da de­­manda interna se confirme. A capacidade de Santos e Parana­guá, principais portas de entrada dos fertilizantes importados, não acompanhou o crescimento do consumo de adubos, justifica o presidente do Sindicato da In­­dústria de Adubos e Corretivos Agrícolas no Estado do Paraná (Sindiadubos), José Carlos de Go­doi. “O problema de Parana­guá nem é tanto a eficiência do porto, mas sim o seu tamanho”, esclarece.

Perto de 45% dos fertilizantes importados pelo Brasil anualmente entram no país pelo terminal portuário paranaense, informa o dirigente. Além do Paraná, o produto que chega por Paranaguá atende também aos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo e Minas Gerais.

Godoi relata que os preços em alta estimulam o plantio de grãos e que, por isso, as vendas de adubos, que já estão aquecidas por causa do milho safrinha e do trigo, tendem a crescer ainda mais a partir de fevereiro, quando Mato Grosso começar a descer soja para Paranaguá. “Os produtores vão querer antecipar as compras para aproveitar o frete de retorno e isso pode causar congestionamentos no porto”, explica. “Se isso acontecer, pode causar falta de produto na fábrica, dificultando ou até atrasando a entrega do produto ao consumidor final”, prevê o presidente do Sindiadubos.

Segundo Godoi, um possível apagão portuário nos primeiros meses do ano que vem encareceria em US$ 18 o custo da tonelada dos produtos, alta que deve ser repassada ao produtor e tende a contaminar toda a cadeia produtiva, chegando inclusive ao consumidor.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Canola




Canola - como o planejamento pode melhorar os resultados?

28/12 
Por *Gilberto Omar Tomm

Valiosas oportunidades de melhoria dos resultados técnicos, da lucratividade e da segurança nas atividades agrícolas podem advir de seus planejamentos. Ainda maiores tendem a ser os benefícios se o planejamento é realizado com antecedência e baseado em informações de qualidade. Aqui destacamos as oportunidades associadas ao planejamento da produção de canola e suas relações com outras culturas dos sistemas de produção de grãos.

O planejamento da rotação de culturas, em cada gleba da propriedade, permite reduzir problemas fitossanitários provenientes da sequência de cultivos que são hospedeiros das mesmas doenças, das mesmas pragas e nos quais se repete o emprego de defensivos similares, favorecendo o desenvolvimento de “pragas resistentes”. Por estas razões, a canola, pertencente à família das crucíferas (como o repolho), constitui alternativa técnica e economicamente atraente para milhões de hectares dos sistemas de produção de grãos brasileiros, os quais são compostos predominantemente por gramíneas como o milho, o trigo e a aveia, e por leguminosas como a soja e o feijão.

O planejamento da rotação incluindo a canola permite o emprego de herbicidas de menor custo para reduzir infestações com aveia, azevém e plantas daninhas de folhas estreitas que causam prejuízos em lavouras de trigo, por exemplo. Por outro lado, o planejamento permite diminuir o risco de efeito residual de determinados herbicidas que são aplicados em soja e milho, os quais podem causar fitotoxicidade na canola. Detalhes destas e de outras indicações para a escolha da área para cultivo de canola visando a aumentar o potencial de rendimento estão disponíveis em
http://www.cnpt.embrapa.br/biblio/do/p_do113_3.htm.

A definição de um programa de rotação na propriedade, preferencialmente para período de vários anos, permite aumentar a eficiência e a economia no uso de fertilizantes. Como exemplo, a sequência de culturas soja-canola-milho, quando comparada com a sequência milho-canola-soja, contribui para maior eficiência do uso de nitrogênio. A palha de milho tem uma relação Carbono : Nitrogênio em torno de 64:1. Para decompô-la, os microorganismos retiram N do solo, limitando a disponibilidade deste nutriente para a canola, diferentemente da soja que tem relação C:N mais próxima de 20:1, a proporção requerida por estes micro-organismos. Assim, em resteva de milho é necessário aplicar dose maior de N para obter o mesmo rendimento de canola. Como é enfatizado investir na adubação de N em canola (rendimentos crescentes empregando até 120 kg/ha de N), é mais indicado cultivar milho (em vez de soja) após a canola. Por que? Porquê a Fixação Biológica de Nitrogênio - FBN em soja é inversamente proporcional à disponibilidade de N no solo (o custo energético da FBN é maior do que o da absorção de N mineral do solo). Além disto, é mais fácil obter adequado estabelecimento da canola em resteva de soja do que de milho, devido à menor quantidade de palha. Também, é menor o risco de morte de plântulas de canola pelo efeito de geadas (associado à maior quantidade de palha na linha de semeadura).

A semeadura e a colheita de canola são as operações que mais diferem em relação a outros cultivos e que têm sido mais decisivas no seu nível de sucesso. É recomendável que o preparo e a regulagem de semeadoras sejam realizados no “galpão”, com bastante antecedência, preferencialmente em período de menos atividade, logo após a implantação dos cultivos de verão. A obtenção, instalação e ajuste de kit especial para semeadura de canola e de facão-sulcador para facilitar o desenvolvimento radicular e a remoção de palha na linha de semeadura, bem como todas as regulagens, com exceção da profundidade de deposição de sementes, tendem a ser de maior qualidade se planejadas e realizadas com bastante antecedência, o que permite, inclusive, em caso de pequenas áreas, que se prepare e empregue uma (a melhor) semeadora em várias propriedades.

O planejamento do corte-enleiramento e colheita é favorecido pela aquisição de plataformas que precisam ser encomendadas com antecedência, ou da identificação de prestador de serviço. A prestação de serviços de corte-enleiramento e colheita de canola ainda é limitada, mas é favorecida pela diferença de época de semeadura, que ocorre antes no estado do Paraná (inicia em 1o de março) do que no Rio Grande do Sul (inicia em 14 de abril). Desta forma, é possível evitar a imobilização de capital com a compra individual destas plataformas.

Em geral, no hemisfério sul o potencial de rendimento decresce a cada dia que se atrasa a semeadura em relação ao início da época recomendada para cada região (exemplificada acima). Portanto, o planejamento do cultivo anterior é importante para que a área onde vai ser semeada canola já esteja disponível para o manejo de plantas daninhas e das da cultura anterior (como a soja “guacha”) e para a semeadura de canola na época que proporciona maior potencial.

O principal ingrediente para o sucesso de quem deseja começar a cultivar canola é a busca de conhecimento sobre os aspectos diferenciados do manejo dessa cultura. Informações detalhadas sobre a tecnologia de produção de canola estão disponíveis em http://www.cnpt.embrapa.br/biblio/do/p_do113.htm. Indicações detalhadas de cuidados que têm contribuído para aumentar o rendimento das lavouras da média atual, em torno de 1.500 kg/ha para 2.500 kg/ha, obtidos por produtores com maior domínio do manejo, estão disponíveis em http://www.cnpt.embrapa.br/biblio/do/p_do118.htm. Anualmente, no início de março, o DRS Biocombustíveis promove, na Embrapa Trigo, treinamento detalhado sobre o assunto. Iniciar, com meses de antecedência, a interação com as empresas e cooperativas que fomentam a produção de canola permite aperfeiçoar o planejamento através da definição dos insumos e práticas mais adequados e obter assistência técnica e informações sobre aspectos comerciais. É recomendável que o produtor obtenha financiamento para custeio da lavoura com seguro agrícola, porque o produtor estará tendo vantagens mesmo em caso de perda da lavoura por problemas climáticos. Os benefícios indiretos do efeito residual dos fertilizantes empregados na canola e da cobertura de solo com canola têm potencial para aumentar a lucratividade das culturas seguintes.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Ano Novo chega com mudanças no acesso ao crédito rural




Ano Novo chega com mudanças no acesso ao crédito rural

Com a chegada do Ano Novo, entram em vigor no Banco do Brasil, exigências referentes ao crédito rural. A partir de 3 de janeiro o licenciamento ambiental ou dispensa formal do órgão competente para todos os projetos agropecuários em vista, cumprindo o que determina a legislação vigente no seu Estado. Isso inclui os beneficiários de operações do Pronaf, de Pronamp e de custeio. Caso contrário, não terá direito a obter crédito rural.
As exigências também abrangem a outorga do uso da água, que deve ser apresentada quando o produtor solicitar crédito para investir em atividades que necessitam de recursos hídricos, tanto para áreas de conflito de água como para áreas sem conflito de água. O mesmo vale para financiamentos de atividades pecuárias de suinocultura e confinamento de bovinos, bubalinos, caprinos e ovinos.
Em relação à reserva legal de acordo com o código florestal em vigor, a partir de 12 de junho, o produtor, para obter crédito, deve apresentar averbação ou adesão ao “Programa Mais Ambiente”, nome dado ao programa do governo federal para regularização ambiental.
Caso seja aprovado o novo projeto de lei do Código Florestal, haverá mudanças nas exigências para concessão do crédito rural.
Assessoria de Comunicação Cooxupé

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Algodão brasileiro baterá recorde em área e produção




Algodão brasileiro baterá recorde em área e produção

22/12 
Daniel Popov

SÃO PAULO - A safra de 2010/2011 de algodão deve registrar aumento na área plantada de 56%, que equivale ao recorde de 1,230 milhão de hectares, ante os 820 mil da última safra. A meta do setor para os próximos três anos é atingir dois milhões de hectares. Além disso, os cotonicultores esperam exportar mais de 700 mil toneladas em 2011 e assumir a terceira posição entre os maiores exportadores da commodity no mundo. Os dados são da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa).

Após um ano rentável, o produtor de algodão está ainda mais otimista para a próxima temporada. Isso é demonstrado na previsão de colheita para 2011 que, em alguns meses, passou de 1,5 milhão de toneladas para 1,8 milhão. Com a ajuda do clima esse número pode chegar a 2 milhões de toneladas. "O clima ainda nos mantém em alerta. Prevemos que a safra supere o recorde visto em 2008, com 1,6 milhão de toneladas. Inicialmente, ela já superou até as nossas expectativas e, se o clima ajudar, podemos chegar a 2 milhões de toneladas nessa safra", disse Sérgio de Marco, presidente da Abrapa.

Em sua gestão, Marco afirmou que pretende fomentar ainda mais o uso do algodão. O objetivo é chegar na safra 2011/2012 com uma área superior a 1,4 milhão de hectares. "O Brasil tem chance de crescer mais. Se o algodão continuar valorizado, em 2011 é possível saltar para 1,4 milhão de hectares. E em três anos alcançaremos dois milhões de hectares."

Em relação às exportações, a previsão é de que o País embarque mais de 700 mil toneladas de algodão, contra as 500 mil registradas em 2009. Com esse volume, Marco vislumbra ocupar a terceira posição entre os maiores exportadores mundiais de algodão. "Prevemos um volume de exportação recorde também e, com isso, acredito que o Brasil será o terceiro maior exportador de algodão do mundo", diz Marco.

Atualmente os Estados Unidos são os lideres em exportação de algodão, seguido pela Índia, e Uzbequistão que, com a quebra de produção esperada naquela região, pode reduzir o volume exportado (que hoje é de aproximadamente 800 mil toneladas). "A Austrália, que é a quinta colocada, também está ampliando a sua produção e pode brigar por esta posição com o Brasil", afirma.

Em pouco mais de seis meses, os cotonicultores já comercializaram 1,1 milhão de toneladas da safra 2010/2011. Deste montante, 700 mil toneladas foram vendidas a US$ 0,74 por libra-peso e outras 400 mil toneladas, a US$ 1 por libra-peso. "Os preços ficaram melhores há dois meses. Antes disso, o agricultor já tinha vendido boa parte da sua produção a US$ 0,74 por libra-peso, que era um preço bom na época. Se compararmos com o US$ 1,3 visto agora, a média vendida antecipadamente não é tão boa assim", diz Sérgio de Marco.

Apesar das boas perspectivas, o presidente da associação afirmou que o setor precisa investir novamente em ampliações, maquinários e indústrias para suprir a crescente demanda. "Os investimentos pararam desde a crise econômica global. Os produtores estão tratando de colocar em campo as colheitadeiras que estavam encostadas para suprir o crescimento esperado em 2011. Ainda assim é preciso mais investimentos", afirma Marco.

Mato Grosso

Já o Mato Grosso, maior estado produtor de algodão do País, assiste as mais diferentes previsões a respeito da sua ampliação de área. Segundo a Abrapa, a área passará de 420 mil hectares na safra 2009/2010, para 670 mil, que representa um crescimento de 60%. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima uma área de aproximadamente 614 mil hectares.

Por sua vez, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) apostava em uma área de 595 mil hectares, mas já considera um incremento maior, de até 625 mil hectares. "Estimamos que a área de plantio será de 595 mil hectares, mas esse volume pode ficar um pouco maior. Acredito que passará facilmente a barreira dos 600 milhões", afirmou o Imea.

O estado já comercializou mais de 60% da safra 2010/2011 esperada que, segundo a Abrapa, deve ficar em 2,613 milhões de toneladas de algodão em caroço.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Interesse público

 
VALE O ALERTA!

Eucalipto tratado

Interesse público.

De olho na churrasqueira, na lareira, no fogão a lenha.


Eucalipto tratado

Em Itaiópolis (SC), cidade próxima a Mafra-SC, houve a ocorrência com três mortes que poderiam ter sido evitadas.
Três amigos faziam um churrasco e na falta de lenha ou Carvão, utilizaram madeira de um poste usado e descartado, de transmissão elétrica para dar continuidade ao fogo, desconhecendo que os mesmos são tratados em autoclave, utilizando-se o cobre, o cobalto e o arsênico no processo.

A volatização do arsênico contaminou a carne e os três acabaram morrendo envenenados.


Em Monte Castelo existe uma empresa, de propriedade do
Presidente do Rotary Club daquela cidade, que efetua o tal processo de autoclave, atendendo todas as exigências ambientais, não comprometendo o meio-ambiente.

O problema é que a vulgarização do uso da madeira assim tratada poderá trazer problemas, pela falta de informação, uma vez que não pode ser serrada ou furada sem recolhimento dos resíduos e,  nenhum alimento deve ser
cultivado próximo aos locais de implantação de  postes ou outros elementos confeccionados com esta madeira.

A queima é totalmente proibitiva porque a simples inalação dos gases poderá ser fatal.

A madeira tratada é de fácil identificação, pois adquire uma coloração esverdeada decorrente do óxido de cobre e não comporta a formação de fungos
ou líquens como as não tratadas.


Divulguem esta mensagem, a fim de evitarmos perda de vidas por falta de informações.


Prof. Tetuo Hara
Dept.Eng.Agricola/CCA/UFV
Consultor Técnico do CENTREINAR - Centro Nacional de Treinamento em Armazenagem Campus da Universidade Federal de Viçosa

Ferrugem no café da Colômbia

Fundação Procafé
Alameda do Café, 1000 – Varginha, MG – CEP: 37026-400
35 – 3214 1411
www.fundacaoprocafe.com.br
MUITA FERRUGEM NO CAFÉ DA COLÔMBIA
J.B. Matiello- Eng Agr MAPA-Procafé
Os Técnicos e a Gerencia da Federação de Cafeicultores da Colômbia estão muito preocupados com o forte ataque da ferrugem, que vem sendo observado nos cafezais do pais , neste último ano. Por isso, fui convidado para ir lá diagnosticar as causas do problema e sugerir medidas de controle.
A viagem ocorreu no período de 29-nov a 3-dez de 2010. Acompanhado pelos Agrônomos da Federação visitamos a região de Pereira, Manizales e Chinchiná, verificando a condição dos cafezais e também alguns ensaios de controle químico e mantivemos contato no comitê cafeeiro de Risaralda. No final tivemos uma reunião na Gerencia da Federação em Bogotá e fizemos uma palestra no “Congresso cafetero,” para 150 representantes dos comitês regionais, na sede da Federacción.
A ferrugem e a introdução de variedades resistentes
A ferrugem do cafeeiro foi constatada na Colômbia em setembro de 1983 e todo o esforço de controle foi baseado na substituição de variedades, das tradicionais, Typica e Caturra, para variedades resistentes à doença. No inicio foi introduzida a variedade Colômbia, uma mistura de linhas de Catimores de frutos amarelos e, mais recentemente,está sendo indicado o plantio da variedade Castillo, uma seleção também de Catimores, agora de frutos vermelhos, composta por 30 linhas diferentes, trocadas conforme se constate a sua perda de resistência..Toda a semente é produzida e fornecida pelo CENICAFÈ, o Centro de Pesquisas da Federacción.
A renovação com variedades resistentes, embora muito significativa, atingiu, apenas, cerca de 300 mil hectares, restando, ainda, 600 mil ha das variedades tradicionais, quase todos de Caturra. Esse total, de 900 mil ha de lavouras cafeeiras no pais, está distribuído em cerca de 600 mil produtores, portanto, muito pequenos, com média de 1,5 ha por propriedade.
Fatores favoráveis à doença
Como se conhece, a cafeicultura da Colômbia é desenvolvida em zonas montanhosas, em altitudes entre 1000 a 2000 m, onde os solos são, no geral, bastante férteis, com altos teores de matéria orgânica, chovendo muito, de 1500 a 2500 mm por ano, com boa distribuição, com a maioria da área cafeeira apresentando temperatura média anual na faixa de 18-22º C, com pouca variação durante os meses do ano. Os plantios de café são feitos no sistema adensado, sendo o normal 1x 1m a 1,4 x 1 m, com populações médias em torno de 6000 plantas por há, podendo chegar até a 10 mil plantas por ha. Portanto, as condições de umidade e temperatura, mais o adensamento de plantio, são muito favoráveis à evolução da ferrugem nas lavouras da Colômbia, mais até do que no Brasil, onde ocorre um período frio e seco no inverno.
Nos dois últimos anos ocorreram outros fatores que favoreceram a doença. Primeiro a ocorrência de mais chuvas, cerca de 1000 mm a mais no ano. Isto até diminuiu a floração e resultou em pequena safra em 2009, com apenas cerca de 8 milhões de sacas. Com a pequena carga as plantas desfolharam menos e acumularam inoculo para a safra de 2010, esta com maior produtividade, portanto coincidindo inoculo residual elevado, com carga alta, fatores muito importantes na evolução da doença. Segundo, a elevação do custo dos fertilizantes, que levaram à redução do seu uso, deixando, assim, as plantas menos nutridas e mais sujeitas à doença.
Para completar o elenco de fatores favoráveis temos a susceptibilidade das plantas. A variedade Caturra, cultivada lá em grande escala, embora oriunda daqui, não
encontrou, nas nossas condições, de maior stress climático, a boa adaptação que lá ocorre, sendo, por isso, bem aceita pelos produtorescolombianos. Sabe-se, no entanto, pelos pequenos lotes aqui cultivados, à semelhança da variedade Bourbon Amarelo, que a variedade é muito susceptível à ferrugem, pelo seu menor vigor, pela sua maturação concentrada e precoce.
Situação observada em campo
Nas visitas de campo, de fato, foi possível verificar altas infecções pela ferrugem em lavouras de Caturra, mesmo em altitudes um pouco mais altas, na região cafeeira visitada na Colômbia. As plantas apresentavam elevado numero de pústulas por folha, com a doença atingindo até o último par de folhas, com muita desfolha. Em função do ataque, verificou-se grande proporção de ramos secos nos cafeeiros e conseqüente má granação e chochamento de frutos, devido à desfolha precoce. Essa característica de ataque mais cedo, chega a prejudicar a produtividade das lavouras no mesmo ciclo, com perda de rendimento na relação frutos-grãos. Por sua vez, a produtividade prevista para o próximo ano aponta para perda quase total.
Por outro lado, as plantações com as variedades resistentes, Colômbia e Castillo, se mostram com baixos níveis de infecção, existindo, também, plantas imunes á doença, dentro dos lotes, que, assim, não apresentam desfolhas significativas, portanto, sem perdas produtivas, evidenciando o acerto no uso desses materiais genéticos.
Outra alternativa analisada, o uso do controle químico nas plantações de caturra, mostrou acertos e erros na Colômbia. A prioridade que vem sendo dada, no momento, é o controle através de pulverizações, com o emprego de fungicidas triazóis, em especial o Cyproconazole. Como o período favorável à doença é muito longo, seriam necessárias várias aplicações no ano. Com a forte declividade das áreas de café, fica muito difícil a operacionalidade das aplicações foliares, que exigem o carregamento de muita água. O trabalho também é dificultado pelo adensamento das plantas, que atrapalha o transito dos trabalhadores e expõe os mesmos à calda aplicada. A definição da época de aplicação fica complicada por existir regiões com diferentes épocas de floração e colheita. A principal área cafeeira possui a colheita concentrada(70%) no segundo semestre, com colheita em outubro- novembro. Outras tem a colheita concentrada no primeiro semestre, e outras, ainda, tem colheita equilibrada, metade no primeiro e metade no segundo semestre. O que vimos, como forma errada, é o inicio e término das aplicações foliares muito cedo. Também, ocorre o uso de doses muito baixas, por exemplo, 25 g de Cyproconazole(250 ml de Alto 100) por há, quando se conhece a maior área foliar das plantações (6000-10000 pl por ha). Aqui no Brasil, no inicio, usava-se 50 g de Cyproconazole por ha, agora essa dose passou a 80 g , isto mesmo para um menor numero de plantas por ha.
Em lavoura de um pequeno produtor, onde o controle começou e terminou mais tarde, em agosto, 2 meses antes da colheita, com o emprego de 5 foliares de triazol, o controle foi eficiente, em plantação mais jovem de caturra, com menor área foliar e menor produção, enquanto em área de plantas mais velhas e com carga mais alta, houve controle, porem com menor eficiência. Em propriedade vizinha, onde o mesmo produtor passou a administrar recentemente, portanto, onde o controle químico não foi feito a lavoura de caturra ficou totalmente desfolhada, só sobrando enfolhadas,, no meio, algumas plantas das variedades resistentes oriundas de replantios.
Também observamos as parcelas de um ensaio, agora encerrado, onde, nos 2 últimos anos em lavoura, da variedade caturra,f oi testada a formulação de Cyproconazole via solo. Ali onde houve bom efeito das maiores doses, verificando-se
ótimo enfolhamento das parcelas tratadas, contra elevada desfolha nas plantas da parcela testemunha.
Problemas agronômicos paralelos
Outras verificações paralelas, ligadas ao manejo das plantações foram feitas nas visitas. Elas dizem respeito a deficiências agronômicas nas práticas culturais, que levam as plantas a um maior stress nutricional, que favorece a sua susceptibilidade à ferrugem.
Observou-se muitas áreas deficientes em magnésio e fósforo, alem da deficiência de cobre, esta mais observada nas variedades resistentes. Solos com muita matéria orgânica, como os da Colômbia, são sabidamente carentes em Cobre, já que o elemento é ali imobilizado.. Aplicações foliares de fungicidas cúpricos, assim, deverão melhorar a produtividade também nas lavouras de variedades resistentes á ferrugem, pelo seu efeito tônico nutricional.
Algumas análises de solo obtidas nas propriedades, durante as visitas, evidenciaram essas carências, embora o laboratórios não apresentou resultados da CTC do solo, e, consequentemente, não se conhecia a participação percentual das bases Ca, Mg e K, porem parece que ocorre um desequilíbrio entre elas. Como se sabe é importante que se volte a esse equilíbrio, em razão semelhante a 9 de Ca para 3 de Mg, para 1 de K. Na Colombia muitos laboratórios incluem a CTC e o equilíbrio que acham ideal é de 6-2-1.Outra coisa é que não se tem, nos boletins de análise química de solo, os micro-nutrientes. Tampouco se utiliza a análise foliar como elemento auxiliar de entendimento do que se passa na absorção-aproveitamento nutricional pelas plantas. Essas análises se tornam uito custosas para o pequeno produtor. Alem disso, a pesquisa na Colômbia não considera os micro-nutrientes muito importantes para a a condição dos cafezais.
Deficiências localizadas de manganês e ferro foram observadas, em pequenas áreas, devidas a excesso de umidade ligadas á física inadequada do solo, com pouca drenagem.
Outras duas observações efetuadas dão conta, a primeira, da presença, em numero significativo, de plantas aparentemente com sistema radicular pouco desenvolvido, sempre amareladas, que sofrem muito com a carga. Isto pode estar ligado a doença no tronco ou em raízes, por exemplo a ocorrência de chaga macana, ou a problemas de baixo fósforo no plantio ou a problemas no viveiro ou, finalmente, ligado a física de solo, por má drenagem, especialmente nestes últimos anos, muito chuvosos. A segunda foi a observação de sintomas de virose- a leprose, em folhas e frutos em plantação de variedade resistente à ferrugem. Observou-se os sintomas típicos nas folhas, a presença de manchas amareladas acompanhando as nervuras, porem a constatação da doença necessita de melhor confirmação, via cortes e exame em microscopia eletrônica.
Finalmente, no aspecto de práticas agronômicas verificou-se, em alguns casos, o excesso de mato, em especial nas plantações jovens e em brotas de recepa. Esta falta de controle do mato está ligada à coincidência da época de colheita, quando os trabalhadores estão pouco disponíveis para os tratos, pois ganham mais no serviço de colheita. Ali, o abafamento-sombreamento pelo mato alto favorece o molhamento foliar nos cafeeiros, facilitando a inoculação da ferrugem sem falar na concorrência pelos nutrientes, igualmente danosa, por enfraquecer as plantas de café.
Por outro lado, o que vimos de muito positivo é a prática de recepa das lavouras em ciclos curtos, podando baixo mais ou menos a cada 5 anos. Isto favorece, abrindo a lavoura, renovando a área de ramos produtivos e facilitando todos os tratos e a colheita
manual. Chama a atenção a boa recuperação da brotação, devida às boas condições de clima e solo, apesar de se tratar de variedades pouco vigorosas, com o caturra e os catimores.
Estrutura de apoio muito adequada
A cafeicultura da Colômbia possui uma estrutura de apoio técnico e econômico muito adequada. A Federacción de Cafeteros coordena e executa, através do CENICAFÉ e do seu serviço de extensão rural, com grande numero de pesquisadores e técnicos extensionistas (70 pesquisadores diretos e mais 150 colaboradores na pesquisa e 1200 técnicos na assistência), todo o trabalho de apoio aos produtores. Alem disso facilita o cafeicultor com fornecimento de insumos a preços mais acessíveis, e mais com concessão de créditos em boas condições. Atua ainda na comercialização do café, com regulação e marketing, favorecendo melhores preços em seus cafés. A marca “Café de Colômbia” e “Juan Valdez”, com sua mula e seu vasto bigode, percorrem o mundo.
Observa-se, no entanto, que em relação à ferrugem ocorre, mesmo assim, um descuido do produtor, que, como aqui, no inicio, não entende os prejuízos da traiçoeira doença. Quando ela parece que some ai é que vem feio. O cafeicultor deve, assim, ser melhor conscientizado pelos extensionistas, através de campos de demonstrações, onde ele poderá comparar os prejuízos de forma visual, com melhor entendimento do problema..Em especial, na área de controle químico, até certo ponto deixada mais de lado pela própria orientação da pesquisa, parece que existe um vazio nas recomendações, entre os trabalhos de pesquisa realizados e indicação na prática. Ai, então, apesar do bom trabalho extensionista da Federacción, as empresas produtoras de agroquímicos vem ocupando espaços, junto a alguns produtores, colocando as suas próprias recomendações.
Conclusões e recomendações
Com base nas observações efetuadas e nas informações obtidas nos contatos junto aos técnicos da Colômbia, foi possível verificar que o problema da ferrugem do cafeeiro no pais é sério e deve se tornar permanente, pelo volume de inoculo acumulado e pela presença dos fatores favoráveis á doença, conforme já discutidos. Poderá, sim, haver anos de maior ou menor ataque, na dependência desses fatores, sendo o mais importante a carga pendente na plantação.
Portanto, o controle deve ser adotado extensivamente, com medidas que considerem a prevenção da doença, visando a proteção das safras. Ao contrário, como já se observa, a ferrugem vai ser um elemento de redução das safras cafeeiras no pais. De modo nenhum o produtor deve querer eliminar totalmente a doença de suas lavouras, pois isto se torna impossível.
A renovação das lavouras susceptíveis , com a substituição da variedade caturra e outras pelas variedades resistentes é uma medida adequada, a qual deve ser acelerada. Nesse aspecto, nos pequenos produtores, os quais não dispõem de outras fontes de renda o plantio poderá ser feito de forma intercalar, uma espécie de dobra da lavoura, colocando uma outra linha, de variedade resistente na rua do cafezal susceptível, o qual deverá ser eliminado oportunamente. Essa possibilidade deve considerar o espaçamento adequado e outros aspectos agronômicos a serem previamente analisados, pelo Técnico extensionista, junto a cada propriedade.
Nas áreas de lavouras susceptíveis, onde, por condição de prazo, ou outro problema qualquer, não for viável substituir a lavoura susceptível, ela deverá ser protegida através do contole químico, bem feito, para evitar perdas produtivas. Nesse caso, considerando as dificuldades operacionais do controle via foliar, indica-se a
prioridade para o controle via solo, através de produtos e doses apropriadas, visando um controle mais eficiente e com maior efeito residual. Uma aplicação anual deve ser suficiente, normalmente usada bem preventivamente, coincidindo no período de maior floração, cerca de 6-7 meses antes da colheita principal. Os ativos eficientes na absorção fliar, portanto, indicados via solo, conforme os testes no Brasil, são o Triadimenol ( cerca de 1 kg de i.a. por ha), o Flutriafol(cerca de 700 g de i.a. por ha) e Cyproconazole( cerca de 400 g de i.a. por ha).
A substituição e o controle químico deverá reduzir o próprio risco de quebra de resistência das variedades atualmente resistentes (Castillo e Colômbia), muito embora, deve-se continuar melhorando sua tolerância, pela eliminação de linhas que vem sendo um pouco atacadas, alem da necessidade de introduzir, a médio prazo, novas fontes genéticas.
O aspecto de adequação nas práticas agronômicas, melhorando a nutrição, o controle do mato, o controle de outras doenças e todo o manejo da plantação, deve ser considerado, para eliminar fraquezas nas plantas e gargalos paralelos na obtenção de maiores produtividades, com isso facilitando e melhor viabilizando, técnica e economicamente, o controle da ferrugem.
Por último, considerando o maior preço observado no suprimento de produtos fungicidas no mercado colombiano, recomenda-se gestões junto ás empresas e uma ação no sentido de colocar esses preços conforme os padrões internacionais, reduzindo o custo do controle químico da ferrugem.
Aspecto geral da cafeicultura colombiana, em região montanhosa, perto de Pereira.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Celeiro do mundo

Brasil pode se consolidar como “celeiro do mundo”
A liderança brasileira na produção agropecuária e o seu reconhecimento por mercados exigentes em todo o mundo se fizeram não só da porteira para fora, mas também além das fronteiras. O país é hoje o principal exportador mundial de café, açúcar, etanol e suco de laranja e desponta no mercado de carnes bovina e de frango. “O peso da agricultura no mercado internacional de alimentos é crescente e devemos ampliar ainda mais essa participação como fornecedores de produtos agropecuários ao mundo daqui para a frente”, afirma o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Wagner Rossi.

Ele lembra que, nos últimos oito anos, as exportações cresceram 111%, passando de US$ 30,65 bilhões, em 2003, para US$ 64,78 bilhões, em 2009. O pico das vendas ocorreu em 2008, quando a balança comercial fechou o ano em US$ 71,84 bilhões, mas a previsão é que, em 2010, o total dessas vendas chegue a US$ 75 bilhões. Até novembro, as exportações de produtos agropecuários renderam ao país US$ 70,3 bilhões em divisas. Essa performance é 17,7% superior ao volume embarcado no mesmo período de 2009.

O agronegócio foi responsável por 42,5% das exportações brasileiras, em 2009, e esse percentual só não foi o maior da história por conta da queda de 14% nos preços das commodities agrícolas devido à crise financeira internacional de 2008, que é apontada como a maior desde a quebra da Bolsa de Nova York, em 1929.

Estratégia

As exportações brasileiras agrícolas começaram a ampliar sua participação no total mundial a partir de 2003, quando o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva se propôs a dar ênfase à internacionalização do setor, com a geração de mais excedentes e ampliação do saldo da balança comercial. Em 2002, a participação do Brasil no comércio mundial total era de 1,2% e de 4,6% no comércio agrícola. Desde então, a fatia do país no setor agrícola aumentou. Foram 2,2 pontos percentuais para o agronegócio (6,8%) e 0,4 ponto (1,6%) em outros setores.

Nos últimos oito anos, as negociações internacionais experimentaram importância crescente. A agenda externa tornou-se mais proativa, a partir de missões frequentes e estratégicas organizadas pelo Ministério da Agricultura. Juntamente com representantes de outros governos, foi possível negociar a abertura oficial de mercados, como o da carne de aves para Coreia do Sul e China, e carne suína para o Vietnã. Além disso, o país conquistou a reabertura do acesso da carne bovina à África do Sul, Chile e Rússia, após o fechamento de mercados por causa dos focos de febre aftosa em Mato Grosso do Sul e Paraná, em 2005.

O secretário de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Célio Porto, diz que ainda há desafios a serem superados nas negociações, em especial na ampliação do mercado da carne suína no Japão, Coreia do Sul, China e União Europeia. “Esses mercados são importantes e podemos ter uma participação ainda maior”, avalia. A expectativa é que, ainda em 2011, os norte-americanos deem o aval para as exportações de carnes bovina in natura e suína in natura.

Célio Porto explica que a produção brasileira ganhou destaque na vitrine internacional também por mérito das diversas ações de promoção comercial. O Ministério da Agricultura organizou a exposição de produtos em feiras e eventos do setor em países da Ásia, Oriente Médio e Europa, em sintonia com o setor exportador. “Aumentamos a participação em mercados já abertos para o Brasil, a partir da busca por oportunidades de diversificação de negócios e agregação de valor”, aponta.

O perfil das compras mundiais também vem apresentando mudanças nos últimos anos. O diferencial do valor agregado é destaque, na opinião do secretário. “O governo vem estimulando a inserção de produtos processados em outros mercados e estamos conseguindo despertar essa consciência nas empresas”, afirma Célio Porto. Assim, as cadeias produtivas e a indústria exportadora, com o apoio do governo, vêm conseguindo atender o perfil de consumo mundial, tornando o Brasil um país estratégico no comércio de alimentos.

Além das políticas públicas para o aumento das exportações, o salto na atividade deve-se ao incremento da procura por alimentos no mundo. Crescimento da renda, aumento populacional, expectativa de vida mais elevada e um forte processo de urbanização levaram ao atual cenário. “O Brasil consegue atender a essa demanda graças às características de clima, solo e recursos hídricos, aliadas ao empreendedorismo do produtor rural”, explica o secretário de Relações Internacionais.

Demanda crescente

Carro-chefe das exportações agrícolas do Brasil, a soja deve despertar maior interesse de outros países a partir da crescente demanda por alimentos em países em desenvolvimento, como a China. Além disso, a estiagem enfrentada pela Rússia em 2010 levou as autoridades a suspenderem as vendas internacionais dos grãos no próximo ano, configurando uma boa oportunidade para os exportadores brasileiros. “Experiências anteriores nos mostram que medidas desse tipo desestimulam a produção local e aumentam a necessidade de importação”, comenta Célio Porto.

Prova disso foi o que aconteceu com a Índia, antes a maior exportadora mundial de açúcar. Após a quebra de safra, em 2009, por conta da instabilidade do regime de chuvas, o país asiático tornou-se o maior comprador do açúcar brasileiro. Com a retração na oferta do ex-líder, importadores do produto buscaram no Brasil a fonte de seu abastecimento.

Entre 2007 e 2009, os três principais setores exportadores do agronegócio (soja, carnes e açúcar) foram responsáveis por 98,6% do incremento do valor das vendas internacionais. Isso significa que a concentração da pauta exportadora brasileira aumentou nos principais setores. O complexo soja, as carnes, o complexo sucroalcooleiro, o café e o fumo representaram mais de 80% do total de embarques em 2009.

O Brasil tem participação de mercado expressiva em alguns dos principais produtos agropecuários comercializados internacionalmente. Metade das exportações mundiais de frango in natura é proveniente do país. No caso do açúcar essa fatia atinge 37%, do fumo, 29%, do café verde, 26%, da soja em grãos, 25%, do óleo de soja, 24%, da carne bovina in natura, 21% e do farelo de soja, 20%.

Perspectivas

Com a tendência de queda das taxas de crescimento populacional do Brasil e a concomitante expansão da produtividade, o excedente exportado poderá subir nos próximos anos, aumentando ainda mais a participação do país no comércio agrícola mundial.

Dados da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostram que o setor agrícola brasileiro terá o maior crescimento do mundo, com mais de 40% de expansão até 2019.

As projeções para 2020, feitas em estudo da Assessoria de Gestão Estratégica do Ministério da Agricultura, apontam que o Brasil ocupará quase metade do mercado mundial de carnes bovina, suína e de aves. Dos atuais 37,4%, o percentual deve subir para 44,5% em dez anos.

O coordenador-geral de Planejamento Estratégico, José Gasques, confirma a tendência de que o agronegócio brasileiro seja influenciado pelo aumento do consumo em todo o mundo e lembra que, por outro lado, haverá também pressão da demanda interna.

“A razão básica é o aumento do poder aquisitivo do brasileiro, que se reflete em mais consumo doméstico e no processamento pela indústria de matérias-primas”, comenta. Outro ponto observado é que, à medida que a renda cresce, a população tende a consumir produtos de maior valor agregado, como derivados de leite e carne.

O etanol deve despontar nos próximos anos na pauta exportadora, com expectativa de mais de 220%, passando de 4,6 bilhões para 15,1 bilhões de litros no período 2019/2020. A perspectiva é boa também para algodão (91,6%), leite (84,3%), carne bobina (82,8%), milho (80.3%) e carne de frango (71,5%).

Eline Santos
Mapa
(61) 3218-2203
imprensa@agricultura.gov.br

O DNA do cafezinho brasileiro

Artigo: O DNA do cafezinho brasileiro
A qualidade do café produzido no país vem sendo o foco de grandes esforços por parte dos órgãos de pesquisa, indústrias e entidades fiscalizadoras, sejam elas públicas ou não. Isso porque a disputa pelo mercado internacional de café gourmet está tomando proporções cada vez maiores enquanto o mercado interno brasileiro está crescendo à taxas maiores que a média mundial. A valorização do café impulsionado pelo crescente aumento em seu consumo pode incentivar também um aumento nos índices de adulteração do café torrado e moído e do café solúvel. Neste caso, entram em cena adulterantes de baixo valor comercial como grãos (soja e milho) e cereais (arroz, cevada e trigo).

Diante desse panorama, onde a qualidade recebe destaque especial, a detecção e quantificação de fraudes tornam-se particularmente importantes. Esse é um expediente obrigatório para que órgãos de fiscalização, sejam eles nacionais ou internacionais, possam atestar a qualidade do produto fiscalizado.

O processo convencional para detecção de fraudes em café torrado e moído data de 1983 e caracteriza-se por ser um método subjetivo, extremamente dependente de pessoal treinado, de alto custo e de difícil aplicação. Portanto é mais que necessário o emprego de novos métodos caracterizados pela facilidade de aplicação e que possuam confiabilidade de resultados compatíveis com as exigências dos mercados consumidores.

Uma vertente com grande potencial de utilização a ser seguida é a da biologia molecular como ferramenta em investigações sobre adulterantes em café, através da utilização de marcadores moleculares, em especial os marcadores de DNA. Esses marcadores apresentam uma ampla capacidade de amostragem do genoma e vêm sendo utilizados amplamente na avaliação da diversidade genética tanto para aplicações filogenéticas como evolutivas.

Apesar da grande importância econômica do café para a economia brasileira, são escassas as informações referentes à qualidade dos produtos comercializados, em especial do café torrado e moído e do café solúvel. A Embrapa Agroindústria de Alimentos está trabalhando no desenvolvimento de um método baseado na reação em cadeia da DNA polimerase (PCR-Polimerase Chain Reaction) para a detecção dos principais adulterantes em café torrado e moído e café solúvel. Assim, será possível realizar um levantamento mais preciso, rápido e menos subjetivo sobre a qualidade dos cafés comercializados no país.

Dra. Edna Maria Morais Oliveira
Doutora em bioquímica e pesquisadora da Embrapa Agroindústria de Alimentos
edna@ctaa.embrapa.br

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Planejamento é essencial para uma lavoura saudável

Artigo: Planejamento é essencial para uma lavoura saudável
O agricultor chega ao laboratório trazendo algumas plantas meio murchas, mal desenvolvidas, em busca de uma resposta para a pergunta: que doença é essa na minha lavoura? E em busca de uma solução: o que posso fazer pra resolver esse problema? Subitamente o agricultor é rodeado por pesquisador, técnico, estagiário e quem mais estiver por perto, e então começa o interrogatório: Que cultivar é essa? Quando semeou? O sintoma é em manchas ou generalizado? E por aí vai. Muitas vezes a resposta à primeira pergunta é: as plantas não estão doentes. Pelo menos não como num caso clássico de um patógeno causando doença numa planta. Frequentemente, os diagnósticos de enfermidades em plantas realizados pelos laboratórios são de má nutrição, sistema radicular mal desenvolvido, distúrbios fisiológicos causados por calor ou fotoperíodo inadequado para as plantas, diversas espécies de fungos de solo atacando a planta ao mesmo tempo, doenças na parte aérea mesmo após várias aplicações de fungicidas, etc.

Situações complexas como essas exigem soluções complexas. Quando a planta apresenta doenças integradas é necessário pensar em manejo integrado de doenças, ou melhor: manejo integrado da lavoura. O controle das doenças na lavoura deve começar muito antes da semeadura, deve começar pelo planejamento da lavoura de um modo geral.

Diversas ações são importantes para prevenir ou facilitar o controle de doenças. Uma delas é a rotação de culturas, uma das premissas do Sistema Plantio Direto (SPD), e que tem um grande efeito na manutenção ou diminuição do inóculo de doenças no solo e nos restos de cultura, dependendo de como é realizada. Além disso, a rotação de culturas é importante para a estruturação do solo, disponibilização de nutrientes e formação de palha, que contribuem para o desenvolvimento das plantas e, consequentemente, para sua capacidade de resistir a doenças. Outro ponto é a escolha do cultivar recomendado para a região e para a época de semeadura. Além disso, deve-se, sempre que possível, escolher cultivares com resistência ou tolerância às principais doenças que normalmente ocorrem na lavoura. Por isso, é importante que o agricultor faça um histórico de cada área de cultivo, anotando os problemas que ocorrem em cada safra e procurando relacioná-los com cultivar, clima, cultura anterior, etc.

O preparo do solo e a adubação também devem ser observados. Solos compactados, mal drenados ou com baixa disponibilidade ou desequilíbrio no balanço de nutrientes tendem a facilitar o desenvolvimento de doenças, principalmente doenças do sistema radicular, cujos agentes causais, muitas vezes, permanecem no solo por vários anos.

Outros requisitos a serem observados são: origem e tratamento das sementes: sementes fiscalizadas e devidamente tratadas com fungicidas (além do tratamento com inoculantes e inseticidas) contribuem imensamente para o sucesso no estabelecimento de uma lavoura, além de evitar a introdução de doenças e pragas que ainda não ocorrem na lavoura ou na região; população de plantas e espaçamento: lavouras muito adensadas, frequentemente, favorecem o desenvolvimento de doenças, por criar um microclima úmido e sombreado, o que favorece o desenvolvimento de microrganismos. Tomemos, como exemplo, a ferrugem da soja: o molhamento foliar é um requisito para a infecção, enquanto que os raios solares matam os esporos, diminuindo consideravelmente a quantidade de doença. Existem várias outras doenças onde o ajuste do espaçamento entre linhas e da população de plantas contribui para a redução da doença.

Apesar de não podermos fazer muito para alterar as condições climáticas a curto prazo, podemos nos manter atentos para as condições climáticas e previsões de clima para a safra, a fim de tomarmos as decisões mais acertadas com relação a aplicação de fungicidas. E, para se ter sucesso no controle químico das doenças, é necessário um constante monitoramento da lavoura: nós devemos efetivamente procurar as doenças na lavoura, e não esperar que elas nos procurem. Uma atitude proativa de monitoramento da lavoura contribui em muito para o sucesso das intervenções para controle de doenças. Quanto a aplicação de fungicidas, é importante manter-se atualizado sobre os resultados de pesquisas e seguir corretamente as recomendações técnicas para a aplicação de fungicidas, como a dose a ser aplicada, os cuidados durante a aplicação (temperatura, umidade do ar, velocidade do vento), a regulagem dos equipamentos (tipo de ponta de pulverização, tamanho de gota, uniformidade de distribuição, etc.) e treinamento de operadores.

Quando essas informações fazem parte do planejamento da lavoura, as chances de sucesso são bem maiores, porque os problemas serão mais facilmente solucionados.

Alexandre D. Roese
Engenheiro agrônomo, MSc. Fitopatologista. Analista de suporte à pesquisa da Embrapa Agropecuária Oeste. Dourados, MS
alex@cpao.embrapa.br

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Aceitação dos cafés do Brasil em Nova iorque

Artigo: Aceitação dos Cafés do Brasil em Nova Iorque é um feito histórico
O dia 9 de dezembro pode ser considerado histórico para a cafeicultura brasileira, pois foi quando o Conselho de Administração da Bolsa de Nova Iorque (ICE Futures US) anunciou que passará a receber os Cafés do Brasil, preparados por via úmida, em seu Contrato “C”, a partir do vencimento de março de 2013, com um diferencial de US$ 0,09 abaixo do contrato com maior liquidez.

A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA, na sigla em inglês) vem, publicamente, comemorar esta vitória brasileira na principal plataforma de negócios com café do mundo e parabenizar todos os envolvidos no processo, desde os representantes do Governo Federal, como os staffs do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e do Itamaraty, até os profissionais do setor privado, como Conselho Nacional do Café (CNC), Comissão Nacional do Café da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) e, em especial, Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (CeCafé), que desde 2005 encabeça as negociações com a bolsa nova-iorquina.

Saliente-se que esta aprovação é, acima de tudo, a VITÓRIA DA QUALIDADE DOS CAFÉS DO BRASIL, a qual, ano a ano, vem sendo ainda mais reconhecida no globo, fato que nos orgulha, pois este é um nicho que a BSCA, mais do que representar, defende nas esferas interna e externa, divulgando que nossos cafés são, de fato, os melhores do mundo.

Temos que fazer, também, menção honrosa aos trabalhos desempenhados pela primeira delegação brasileira nas tratativas com a ICE futures US, a qual, ainda em 2005, fez a entrega formal do pleito brasileiro, através de Jorge Esteve Jorge, apresentou estudo consistente sobre nossa cafeicultura, por meio de Carlos Brando, e defendeu a qualidade do produto nacional, com apresentações de Sílvio Leite, associado e consultor técnico de qualidade da BSCA.

Por fim, a BSCA deixa a mensagem que, agora, é o momento de nos prepararmos para essa nova fase da cafeicultura brasileira, com o Brasil devendo atentar e expor a realidade de seus custos de produção e, principalmente, da qualidade do nosso café, o que permitirá uma correção desse diferencial de nove centavos de dólar por libra peso abaixo do contrato mais líquido, principalmente sabendo que a bolsa faz revisões periódicas dos diferenciais das origens que já entregam contra o Contrato “C”.

Túlio Junqueira
Presidente da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) e proprietário da Fazenda Carmo Estate Coffees
ascom@bsca.com.br

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Roundup Ready 2


Dekalb lança milho com tecnologia Roundup Ready 2 para safrinha 2011
A Dekalb, líder global em biotecnologia de sementes, lançará híbridos de milho com a tecnologia Roundup Ready 2 (RR2) na safrinha 2011. Esta inovação proporciona à cultura do milho tolerância a herbicidas à base de glifosato. Além disso, e pela primeira vez no mercado brasileiro, a Dekalb disponibilizará a combinação das tecnologias RR2 com YieldGard (YG), a primeira geração da biotecnologia Bt. Os híbridos YieldGard Roundup Ready 2 (YGRR2) combinam, portanto, as características de resistência a insetos e de tolerância ao glifosato.

Os híbridos DKB 390 RR2, DKB 330 RR2 e DKB 177 RR2 permitirão controlar, de forma mais eficaz, as plantas daninhas que competem com a cultura do milho por água, luz e nutrientes. Dessa forma, os herbicidas à base de glifosato terão efeito somente sobre as plantas daninhas, sem afetar o desenvolvimento da lavoura de milho.

Já o híbrido DKB 390 YGRR2 combina a proteção contra algumas das principais pragas da cultura – controle da broca do colmo (Diatraea saccarallis) e supressão das lagartas da espiga (Helicoverpa zea) e do cartucho (Spodoptera frugiperda) - com os benefícios do controle das plantas daninhas pelo glifosato aplicado em pós-emergência.

A adoção da tecnologia RR2, desenvolvida pela Monsanto, proporcionará aos produtores maior segurança e aumento do potencial de produtividade por meio da redução de fitotoxicidade e de excelente controle das plantas daninhas quando comparado aos herbicidas convencionais.

Até a presente data, o glifosato em pós-emergência de milho já está liberado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) nos estados de Mato Grosso do Sul, Goiás e São Paulo. O cultivo do milho RR2 também está aprovado para plantio comercial em países como Estados Unidos, Canadá, Argentina, África do Sul, Filipinas e Colômbia. Já a tecnologia YGRR2 está liberada para plantio em países como Argentina, El Salvador, Estados Unidos, União Europeia, Japão, Coreia do Sul, México, Filipinas, África do Sul e Taiwan.

“Tratam-se de soluções agrícolas alinhadas ao nosso compromisso de promover uma agricultura mais sustentável, com produtividade, preservação do meio ambiente e redução do uso de recursos naturais, além de contribuir para melhoria da qualidade de vida dos agricultores”, afirma Marcelo Segalla, gerente de Biotecnologia para milho da Monsanto do Brasil.

Conscientização no campo

Para que os diferenciais do milho RR2 e YGRR2 sejam preservados nas lavouras brasileiras, a Monsanto possui uma recomendação técnica e comercial que alia o uso de produtos alternativos ao Roundup, visando assim a defesa e o ampliação da plataforma tecnologica Roundup Ready em todo o país. “Cada vez mais, a visão sistêmica da agricultura aliado a adoção de boas práticas, tais como, plantio direto, rotação de cultura, culturas de cobertura e o correto uso dos herbicidas, são fundamentais para a prevenção de plantas resistentes”, afirma Júlio Negrelli, gerente de Estratégia de Proteção de Cultivos da Monsanto.

Além desses cuidados, a melhor maneira de preservar os benefícios das plantas Bt é implantar a área de refúgio como ferramenta de MRI (Manejo de Resistência de Insetos). A área de refúgio consiste no plantio de plantas não-Bt em parte da área a ser plantada com a planta Bt. “Nossos times trabalham fortemente no campo para conscientizar os agricultores sobre a importância da área de refúgio para a manutenção dos benefícios e da durabilidade das novas tecnologias”, afirma Luciano Fonseca, gerente de Stewardship (Gestão Responsável) da Monsanto. Da mesma maneira, de acordo com Fonseca, a implantação de uma estratégia de manejo de resistência de plantas daninhas é fundamental para garantir a longevidade da tecnologia RR2, o que pode ser alcançado pelo uso sequencial de outros herbicidas seletivos à lavoura de milho e adoção de práticas como rotação de culturas.

Tecnologias sustentáveis

O glifosato é um herbicida de baixa toxicidade utilizado com sucesso em todo o mundo. O produto contribui para o sistema de plantio direto, que promove controle da erosão, redução da compactação do solo, aumento de fertilidade do solo, preservação de recursos hídricos, economia de combustível e máquinas com conseqüente redução das emissões de gás carbônico.

Roundup, herbicida da Monsanto à base de glifosato, é o único utilizado na reserva ecológica de Galápagos e para o controle de plantas daninhas em patrimônios da humanidade como Pompéia, na Itália. Roundup também foi fornecido pela Monsanto para a restauração da Baía Willapa, em Washington (EUA), habitat natural de aves e organismos marítimos -, que estava sofrendo com a invasão de plantas infestantes.

Segundo o estudo “Impacto Global das Lavouras Geneticamente Modificadas 1996-2008” (2010) de autoria dos economistas Graham Brookes e Peter Barfoot, da consultoria inglesa PG Economics, só em 2008, o milho tolerante a herbicidas gerou, globalmente, um ganho adicional de US$ 433,5 milhões. Além disso, com a adoção da tecnologia, mais de 111,5 mil toneladas de ingredientes ativos deixaram de ser usadas.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Entressafra, Safra ou Safrinha?

Entressafra, Safra ou Safrinha?

O que é entressafra? E safra? E safrinha? Este texto é uma tentativa de esclarecer esses conceitos para os alunos e demais interessados.

Normalmente, a produção agrícola ocorre ao longo de um ano que não necessariamente coincide com o início em janeiro e fim em dezembro. Para os agricultores, dependendo da cultura que eles plantam, o ano pode se iniciar em qualquer mês do ano e não obrigatoriamente em janeiro como estamos acostumados no nosso dia-a-dia. Esse ano dos agricultores que pode ou não coincidir com o nosso, é denominado ano agrícola e é definido pelas condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento de uma determinada cultura que se deseja plantar em um determinado local. Geralmente, ele se inicia na estação chuvosa para que as plantas possam ter água disponível no solo para vegetarem.

Muitas vezes, culturas anuais de ciclo curto se desenvolvem vigorosamente apenas em uma parte do ano devido às já referidas condições climáticas. Desse modo, após a época de serem colhidas, ou seja, a época da safra, o solo permanece em descanso ou, usando um termo técnico, ele permanece em pousio até que condições climáticas favoráveis se estabeleçam novamente para que a cultura possa ser plantada mais uma vez. O período que contempla o fim da colheita (pós-colheita) até o início do novo plantio recebe o nome de entressafra.

Durante a entressafra, o solo fica sem atividade agrícola, o que faz com que alguns agricultores plantem algumas culturas anuais de ciclo curto que consigam desenvolver-se nesse período com as condições climáticas menos favoráveis à cultura principal. Assim, o agricultor consegue cultivar a terra plantando outra cultura o que traz uma renda extra a ele por meio da comercialização dessa cultura plantada nas entressafras. Essa safra obtida dessa cultura recebe o nome de safrinha e, como mencionado, é uma boa opção para o agricultor obter mais recursos financeiros para a sua sobrevivência. Vale colocar que para a obtenção da safrinha, alguns agricultores tentam antecipar a época de plantio da cultura principal de modo que a colheita, em função disso, também seja adiantada. Com isso, no fim do período de safra ele já colheu a cultura principal e, muitas vezes, realiza o plantio novamente de forma a se aproveitar das condições climáticas ainda favoráveis do fim da safra e, assim, ele obtém renda extra como já mencionado.

No nosso cotidiano, é comum os preços dos produtos agrícolas variarem em função do período de safra e entressafra. Como durante a safra de uma fruta, por exemplo, a oferta dessa é maior no mercado, geralmente, seu preço sofre queda. De forma contrária, durante a entressafra, os preços sofrem elevação devido ao fato de haver menor oferta nessa época do ano. Nesse sentido, quando chuvas fortes atingem regiões com o predomínio de plantações de hortaliças (tomate, alface, etc...), geralmente, espera-se um aumento nos preços das mesmas devido à perda do plantio que se perde por causa das chuvas fortes.




Fonte: http://www.webartigos.com/articles/27252/1/Entressafra-Safra-ou-Safrinha/pagina1.html#ixzz17hmGikH8