segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Embrapa apresenta cultivares mais resistentes de café

Embrapa apresenta cultivares mais resistentes de café



Depois de vinte anos de testes e pesquisas, as cultivares Arara e Acauã-novo chegam ao setor cafeicultor com duas características principais: imunidade à doença da ferrugem e potencial produtivo de 10% a 20% maior do que as variedades tradicionais do café. Além delas, outras duas espécies, classificadas como Catucaí-amarelo, também são novidades com resistência parcial ao fungo e potencial produtivo similar.

A Catucaí-amarelo 24/137 já se encontra plantada em lavouras da Zona da Mata e do sul de Minas Gerais, de acordo com o pesquisador Carlos Henrique Siqueira de Carvalho, da Fundação Procafé. "Só agora [as quatro variedades] estão sendo registradas para a comercialização de sementes", ele diz. O preço não ultrapassa o razoável: cerca de R$ 20 por quilo.

"Entre as vantagens, uma produtividade mais elevada do que as espécies existentes e a resistência à ferrugem", reforçou Siqueira. A doença, segundo o gerente-geral da Embrapa Café, Paulo César Afonso Júnior, é "um dos elementos econômicos que devem ser tratados com muito cuidado na produção do café".

Para evitá-la, os novos cultivares vêm sendo desenvolvidos desde os anos 80. A entrada da Embrapa Café, criada há 12 anos, na coordenação do Programa de Pesquisa em Café, e a criação de um consórcio setorial, em 1997, contribuíram para essas e outras pesquisas. Cerca de 50 instituições participam do grupo, focado na melhoria dos cafezais.

Em quinze anos de existência, o Consórcio Pesquisa Café desenvolveu algo entre 700 e mil projetos, de acordo com Afonso Júnior. A iniciativa recebe apoio do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé), gerido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), do qual recebeu cerca de R$ 150 milhões na última década e meia.

Nesse período, o consórcio lançou 30 cultivares especiais, com resistência a altas temperaturas, à seca ou a pragas, entre outras. Vale dizer que as mudanças climáticas e a evolução das doenças podem tornar obsoletas as espécies de café que, criadas em laboratório, eram resistentes. De modo que as novas pesquisas buscam a experiência das antigas para se (re)criarem.

Afonso Júnior destaca que o investimento em um cafezal, cultura perene, leva cerca de três anos para maturar. "Não se pode mudar a lavoura facilmente."
"Os projetos de pesquisa são de média e longa duração. 50% dos projetos atuais são relativamente novos, com um ano de desenvolvimento", diz o gerente-geral da Embrapa Café. "Para desenvolver um cultivar, leva-se de 20 a 30 anos. Com biotecnologia, reduz-se o período pela metade".

E em biotecnologia o Consórcio Pesquisa Café trabalha com marcadores moleculares - uma tecnologia já explorada em outras culturas, mas recentemente aderida pelo negócio do café. Ou seja, sabe precisar no código genético do café quais partes correspondem ao período de floração ou a outras funcionalidades do grão. "Em vez de ir ao campo para testar todas as possibilidades, levamos a variedade ao laboratório e identificamos nela as características agronômicas desejáveis".

Segundo Afonso Júnior, a biotecnologia vem se agregando cada vez mais à manipulação dos genes, vide o exemplo dos marcadores genéticos. As ações nesse campo incluem o mantimento, por consorciados da entidade, de "biofábricas", nas quais o material genético de cultivares é apropriadamente armazenado.

O especialista indicou a realização de outro trabalho de vanguarda que está acontecendo no universo da cafeicultura, na área da irrigação. Trata-se de provocar nas lavouras um "estresse hídrico", isto é, deixá-las sem água por períodos calculados, que podem variar em torno de um mês, dependendo da região, de modo que a "sede" das plantas deixe a florada mais homogênea.

"Mas isso deve ser feito em períodos bem calculados e bem acompanhados, com formato de adubação diferenciado e manejo especial. As plantas têm que estar fortes e bem nutridas", previne.

Na área de "pós-colheita", a Embrapa Café e parceiros do consórcio de pesquisa buscam organizar informações relativas à cafeicultura e disponibilizá-las para o pequeno produtor, "criando oportunidades e oferecendo alternativas", diz Afonso Júnior. Mas o trabalho da entidade não se restringe à pequena lavoura, mas, sim, ao agronegócio. "O que lançamos hoje é reflexo de ações de dez anos atrás", reforça o gerente-geral.

As informações são do DCI, adaptada pela Equipe CaféPoint.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Projeto Educampo/Sebrae-MG

Projeto Educampo/Sebrae-MG: Eficiência Técnica e Econômica da cafeicultura

 



Por Christiano Nascif, Alexandre Lima Baião e Luiz Antônio Abrantes


A atividade cafeeira apresenta significativa importância para o país devido a sua representatividade na balança comercial e capacidade de absorver e fixar mão de obra no campo. O Projeto Educampo se insere neste contexto, fornecendo assistência técnica e gerencial para produtores localizados em Minas Gerais. O projeto atende, atualmente, 450 cafeicultores individualmente e beneficia um número ainda maior através das metodologias de grupo (palestras, dias de campo, cursos). Este artigo busca investigar, se além dos resultados para produtores e agroindústria, o Projeto Educampo exerce algum papel na arrecadação tributária dos diversos entes federativos (União, Estados e Municípios).

Como várias das operações econômicas que caracterizam a atividade do café sofrem incidência tributária, pode-se supor que o Projeto Educampo, à medida que fortalece a cadeia agroindustrial, contribui para a manutenção e elevação da arrecadação. Para verificar esta hipótese, utilizaram-se dados de produtores atendidos situados em Patrocínio e com o maior prazo disponível. Consequentemente foram selecionados 28 cafeicultores da Coopa - Cooperativa Agropecuária de Patrocínio, que ingressaram no primeiro ano do projeto, em 2007, e que se mantiveram até o final de 2010.

Antes de explorar a questão tributária, vale analisar a evolução de produção obtida com a assistência técnica e gerencial. Nesse sentido, o gráfico a seguir mostra que os cafeicultores atendidos conseguiram elevar sua produção em uma proporção superior ao crescimento na mesorregião, revelando o impacto positivo do Projeto Educampo.

Evolução da produção na amostra e na mesorregião


Este trabalho considerou os tributos incidentes em três situações na cadeia. A primeira corresponde às aquisições dos cafeicultores, que incorporam em seus custos os tributos de PIS/COFINS e ICMS embutidos nos insumos. A segunda diz respeito à comercialização da produção rural bruta, sobre a qual incide as contribuições de PIS/COFINS, INSS e SAT. A terceira consiste no recolhimento de IR, PIS/COFINS e ICMS na indústria. A análise considerou que a indústria apresenta margem de lucro de 30% e utiliza o café cru para produzir café torrado e moído. Para realizar estas estimativas utilizaram-se dados de custos médios das fazendas e da indústria de torrefação e moagem, além das perdas inerentes aos processos de industrialização.

Os resultados mostram que cada saca de café tende a gerar R$ 9,12 de ICMS e R$ 4,02 de PIS/COFINS nas aquisições dos produtores. Ainda na atividade rural, são recolhidos R$ 17,46 a titulo de SENAR, SAT e INSS para cada saca de café. Este mesmo volume de café cru, após ser processado e vendido pela indústria de café torrado e moído, tende a gerar R$ 17,16 de ICMS, R$ 37,14 de PIS/COFINS e R$ 23,70 de IR. Desta forma, pode-se concluir que cada saca de café adicional produzida nas fazendas eleva a arrecadação tributária em R$ 30,60. Após este café ser processado e vendido pela indústria, são arrecadados adicionalmente R$ 78,00. No total de arrecadação, para cada saca de café adicional produzida nas fazendas, são arrecadados R$108,60 em toda a cadeia.



Aplicando estes valores na produção do período anterior ao Educampo e do último período disponível, obtêm-se os resultados da tabela 2.



Desta forma, percebe-se que o projeto Educampo tem um efeito positivo na produção dos cafeicultores, e, consequentemente, fortalece a cadeia agroindustrial do café. De fato, o lucro médio do grupo de cafeicultores analisados aumentou de R$ 30.525,50 em 2006/2008 para R$ 64.219,72 em 2008/2010. A indústria também é favorecida, através da maior disponibilidade de matéria-prima, em termos de quantidade e qualidade. Contudo, pode-se concluir que, além dos resultados para cafeicultores e indústrias, a elevação da produção consegue sustentar e elevar a arrecadação tributária, beneficiando a União, Estados e Municípios.


Contribuíram para a elaboração deste artigo, os técnicos da Central de Processamento de Dados do Educampo: Douglas Santiago, Leandro da Silva Almeida, Luiz Gustavo da Silva Rabelo.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

2012: Ano Internacional das Cooperativas



 

A Assembleia Geral das Nações Unidas ratificou, em 22 de dezembro último, a resolução sobre "Cooperativas e Desenvolvimento Social", que declara 2012 como ano Internacional das Cooperativas (IYC, na sigla em inglês). Com isso, a ONU reconhece o modelo cooperativo como fator importante no desenvolvimento econômico e social dos países. Esta é a primeira vez na história que um ano será dedicado ao setor cooperativista.

A ONU se propõe a três objetivos: aumentar a consciência sobre esse modelo empresarial e sua contribuição positiva, promover sua formação e seu crescimento, e impulsionar os Estados-membros para que adotem políticas que favoreçam sua expansão.

Sem importar o setor no qual atuam, as cooperativas são consideradas modelos de empresas bem-sucedidas porque seus integrantes são responsáveis por todas as decisões da instituição. Além disso, elas não objetivam a maximização dos lucros, mas atender às necessidades de seus membros, que participam do gerenciamento.

O potencial das cooperativas para ajudar a erradicar a pobreza, criar e fortalecer práticas sustentáveis e contribuir para o desenvolvimento são as características que a ONU pretende destacar para que os Estados-membros as promovam. Um dos principais assuntos que a agenda da ONU para o desenvolvimento propõe é destacar o aspecto humano, mais do que o financeiro - e as cooperativas combinam ambos.

A matéria é do MDA, resumida e adaptada pela Equipe AgriPoint.

Cresce para 19% o número de propriedades de café certificadas em Minas Gerais


Reconhecimento garante qualidade e amplia potencial de vendas

por Globo Rural On-line
 Shutterstock
O número de propriedades cafeeiras aprovadas para certificação em Minas Gerais subiu para 1.438 em 2011, um aumento de 19% em relação ao ano anterior, informa a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa). O reconhecimento se deve ao ano de resultados positivos do setor cafeeiro, principalmente com vendas externas.

Segundo o assessor especial de Café da Seapa, Níwton Castro Moraes, a certificação de propriedades cafeeiras é realizada por meio do Certifica Minas Café. “Trata-se de um Programa Estruturador do governo estadual, executado pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) e pela Emater-MG, instituições vinculadas à secretaria, com o objetivo de possibilitar o crescimento da participação da produção nos mercados nacional e internacional”, diz Moraes.

A certificação atesta a conformidade das fazendas produtoras com as exigências do comércio mundial, possibilitando ao café do estado consolidar posições na área e conquistar novos mercados. De acordo com o assessor, “a crescente adesão ao programa confirma o interesse dos produtores em introduzir nas lavouras as boas práticas recomendadas pelos técnicos, que resultam em safras maiores, de alta qualidade e, por isso, mais valorizadas, dentro de um processo produtivo com sustentabilidade ambiental, social e econômica.”

Atualmente, há propriedades certificadas em 211 municípios mineiros, uma cobertura de 25% do mapa do estado. As lavouras incluídas no programa estão localizadas em regiões tradicionais de café como a Zona da Mata, Cerrado, Sul e agora também na Chapada de Minas com a inclusão de Capelinha, além da região Norte, com propriedades em Rio Pardo e Taiobeiras.

No quadro das exportações totais de Minas, o café fica atrás apenas do minério de ferro, posição confirmada em 2011. Entre janeiro e novembro deste ano, a receita das exportações mineiras de café alcançou US$ 5,2 bilhões, cifra 44,9% superior à registrada em idêntico período de 2010. Foi de 58,4% a participação do produto nas exportações totais do agronegócio nos onze meses, que atingiram US$ 8,9 bilhões, segundo informações da Seapa.