sexta-feira, 15 de abril de 2011

Pesquisa inédita revela as emissões do café



Pesquisa inédita revela as emissões do café

Estudo realizado pela illycaffè, em parceria com o Centro de Energia Nuclear na Agricultura, calcula as emissões de gases do efeito estufa na cafeicultura

Foram divulgados os primeiros resultados de um estudo inédito, focado nas emissões de gases do efeito estufa na cafeicultura, promovido pela illycaffè em parceria com o Centro de Energia Nuclear na Agricultura, da Universidade de São Paulo (CENA/USP). A pesquisa foi apresentada, no último mês de março em São Paulo (SP), durante o Seminário “Criando Valor a partir do Conhecimento e da Sustentabilidade”, organizado pela Universidade do Café Brasil.

Por meio deste projeto – que está identificando as emissões para reduzir o impacto e ampliar a fixação de carbono na cafeicultura –, a illycaffè busca conhecer melhor as implicações ambientais da atividade para conduzir e especializar, ainda mais, seu trabalho ligado à produção do café sustentável. A iniciativa também ajudará toda a cadeia produtiva do café a identificar os maiores problemas, aplicar alternativas que não prejudiquem a produção nem a qualidade do café e que, ao mesmo tempo, reduzam a contribuição do setor no aquecimento global.
 

A pesquisa, coordenada por Carlos Clemente Cerri, professor titular do CENA/USP e especialista em mudanças climáticas, está sendo desenvolvida em Minas Gerais, estado que concentra dois terços da produção de café do país, com suas 23,7 milhões de sacas produzidas em 2010, segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). As análises foram concentradas em três importantes regiões produtoras: Cerrado, município de Presidente Olegário (MG); Matas de Minas, município de São João de Manhuaçu (MG); e Sul de Minas, município de Cabo Verde (MG).

O principal objetivo do estudo é, primeiramente, identificar os maiores focos de emissão, para que possam ser analisadas maneiras de amenizar os efeitos dos principais gases gerados pela agricultura no Brasil, entre eles: o CO2 (dióxido de carbono); o CH4 (metano), 25 vezes mais potente do que o CO2; e o N2O (óxido nitroso), cerca de 300 vezes mais potente do que o conhecido dióxido de carbono.

Segundo Cerri, “um gás pode ser medido a partir da sua capacidade de reter a radiação solar que bate na superfície do planeta e volta na mesma direção”. O especialista lembra que é nesta hora que um gás pode se constituir um aliado do fenômeno de “estufa”, ao bloquear a saída da radiação solar que incide sobre o planeta.

No caso da agricultura, mais especificamente no caso do café, as emissões dos chamados gases de efeito estufa (GEE) acontecem ao longo de todo o processo produtivo: do plantio, passando pelo manejo, colheita, transporte até a secagem e beneficiamento. Ao longo destas etapas, o café gera o chamado CO2 equivalente, dióxido de carbono e outros gases “que deixam um rastro de carbono ao longo de sua produção”, destaca Cerri.


Além dos processos produtivos, os insumos agrícolas apresentam alto índice de emissão, considerando, principalmente, os fertilizantes nitrogenados – que liberam N2O e CO2 – e o calcário, responsável pela emissão do CO2. Além disso, foram levados em consideração a utilização dos combustíveis – responsáveis pela emissão de CO2,CH4 e N2O –, sobretudo nos transportes, e o uso da energia elétrica ao longo do beneficiamento – que libera CO2 e CH4 quando gerada em uma hidrelétrica, por exemplo.

Ainda segundo os primeiros resultados da pesquisa, as principais fontes de emissão da cafeicultura, atualmente, estão concentradas no solo e nos resíduos decorrentes da atividade. Identificar, precisamente, as fontes de emissão e mitigar seus efeitos sem afetar a qualidade e a produtividade são os maiores desafios de um estudo como este. “Esta é uma iniciativa pioneira da illycaffè, em que teremos a oportunidade de calcular e monitorar essa emissão. Esta informação será exigida, muito em breve, pelo mercado consumidor internacional e estamos nos antecipando a isso”, afirmou Cerri.

Para o cálculo, baseado na safra 2009/2010, foram utilizados os dados do Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) e do The Greenhouse Gas Protocol – padrão internacional para quantificar os gases do efeito estufa –, além do inventário brasileiro de emissões, chamado de “Comunicação Nacional Inicial do Brasil à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática”.

O cálculo foi conduzido da seguinte maneira: as emissões de CO2, N2O e CH4 (contabilizadas por hectare, saca e quilograma) – provenientes dos fertilizantes sintéticos, orgânicos, do calcário, do combustível e da eletricidade – foram multiplicados pelo fator de emissão internacional – Emission Factor (EF) –, já que o Brasil ainda não possui um índice nacional para as emissões.

A conclusão desta primeira fase da pesquisa batizada de “Inventário de emissão de GEE na cafeicultura”, realizada entre setembro de 2009 e agosto de 2010, mostrou que “o uso de adubação nitrogenada tem enorme impacto sobre as emissões da cafeicultura”, constata Cerri. Segundo o especialista, esse tipo de fertilização libera N2O, um dos gases que mais contribuem para agravar o efeito estufa.

Nas Matas de Minas, 78% do total de emissões analisadas são provenientes do uso de adubos que contêm nitrogênio em sua composição. No Cerrado, o número atinge 75%. No Sul de Minas, os fertilizantes nitrogenados respondem por 50% das emissões na produção do café, já que “a região apresenta maior uso de adubação organomineral”, lembra Cerri.
 
 

Quanto ao uso do calcário, dos combustíveis fósseis e da eletricidade, a contribuição para o total de emissões é menor, quando comparada aos fertilizantes.

Levando em consideração a intensidade das emissões em CO2 equivalente, o Cerrado lidera o ranking. Na região, são lançadas na atmosfera 4,95 toneladas de dióxido de carbono (CO2 eq) por hectare. Na Zona da Mata, são 2,83 toneladas. Já o Sul de Minas responde por 2,03 toneladas a cada hectare. “A cafeicultura não é um grande emissor [de gases do efeito estufa], quando comparada a outras culturas”, conclui Cerri. Segundo ele, “outros grãos emitem de três a quatro vezes mais”.
 

Para diminuir o impacto ambiental da produção do café, reduzindo a emissão – sobretudo de N2O – dos fertilizantes, Cerri sugere algumas adequações no sistema produtivo apostando, por exemplo, no uso de fertilizantes com inibidores. Neste caso, poderiam ser adotados fertilizantes com inibidores de: uréase, enzima responsável pela decomposição da ureia em amônia; nitrificação, processo formador de nitrito no solo pela ação das bactérias; desnitrificação, formação de gás nitrogênio a partir de outras substâncias que também sofrem a ação de bactérias.

Além disso, o estudo aponta a necessidade e a importância de se adequar doses, fontes e o modo de aplicação dos fertilizantes na cafeicultura, assim como de adotar máquinas e formas de energia mais eficientes.

A segunda fase do “Inventário de emissão de GEE na cafeicultura” irá incluir, para o cálculo do índice de emissões na cafeicultura, dois importantes dados quando o assunto é a geração de gases do efeito estufa. “Ainda precisamos contabilizar o carbono do solo e o carbono da biomassa para calcular não só quanto é emitido, mas o total de carbono fixado”, afirma Cerri.

A primeira parte deste projeto pioneiro manterá o desafio de conciliar o rendimento da produção e a sustentabilidade, para que um dia “sejamos capazes de atingir um café carbono zero”, aposta o especialista, se referindo à fixação do carbono em outras áreas do ciclo produtivo. O caminho, a curto prazo, é “ampliar o uso de fertilizantes organominerais que, além de gerar redução de custo, são responsáveis pelo maior rendimento e queda nas emissões do café”.

Outras ações também são capazes de mitigar as emissões como, por exemplo, aplicar o sombreamento para imobilizar o CO2 da atmosfera na área do cafezal, ao fixar o carbono nas árvores. “O sombreamento, apesar de difícil no Brasil, permite que as árvores retirem o CO2 da atmosfera, imobilizando-o na madeira que, posteriormente, pode ser usada na fabricação de móveis, por exemplo, mantendo o dióxido de carbono aprisionado”, sugere Cerri.

Além disso, “a utilização do etanol, em substituição ao combustível de origem fóssil, pode gerar uma economia de 60% a 70% nas emissões de CO2 em uma propriedade”, ressalta o especialista. O etanol é considerado um produto neutro, já que, o que ele emite na plantação, ao ser ‘cultivado’, é, proporcionalmente, compensado na baixa emissão quando na forma de combustível.

Com o cálculo final do “Inventário de emissão de GEE na cafeicultura”, que deve ser divulgado em breve, “será possível, dar início a outros cálculos para diversos produtos no Brasil”, indica o coordenador do estudo.

As informações são da assessoria de imprensa da illycaffè.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

A importância das plantas daninhas na agricultura


 A importância das plantas daninhas na agricultura
O surgimento das plantas daninhas ocorreu junto com o desenvolvimento da agricultura, há cerca de 12 mil anos. No início, havia maior equilíbrio entre as diversas espécies. Com o crescimento da população e, conseqüentemente, maior interferência humana nos cultivos, iniciou-se um processo gradual de seleção. As espécies sem interesse agrícola passaram a ser indejesadas e sua multiplicação e alta capacidade de adaptação permitiu-lhes sobreviver a diversos ambientes, tornando-se necessário a adoção de medidas de controle.

Atualmente, não há dúvidas de que a presença de plantas daninhas cause prejuízos aos agricultores. Em média, cerca de 20-30% do custo de produção de uma lavoura se deve ao custo do controle das plantas daninhas. Geralmente, apresentam crescimento rápido e facilidade de disseminação, produzem grande número de sementes e crescem em condições adversas.

Seus prejuízos estão diretamente relacionados às perdas na produtividade e na qualidade dos produtos. Um exempo típico é o que ocorre com sementes de picão-preto (Bidens pilosa) no cultivo do algodoeiro. Muitas espécies também são extremamente danosas em campos de sementes, pois podem impedir a sua certificação. Em áreas de pastagem, espécies como cafezinho (Palicourea marcgravii) e oficial-de-sala (Asclepias curassavica) intoxicam os animais levando-os à morte.

Outras espécies podem, também, parasitar plantas. Exemplo comum no Brasil ocorre com a erva-de-passarinho (Phoradendron rubrum) em citros, ocasionando perdas na produção e morte das plantas. Em outros países, ocorre o parasitismo em plantas de milho ocasionado pela erva-de-bruxa (Striga lutea), espécie daninha de difícil controle devido ao seu desenvolvimento abaixo da superfície do solo.

Indiretamente, as plantas daninhas também podem afetar as lavouras, sendo hospedeiras de pragas e doenças. No caso das guanxumas (Sida ssp.), a maioria é hospedeira do vírus do mosaico-dourado do feijoeiro, transmitido pela mosca-branca. O capim-massambará (Sorghum halepense), hospedeiro do vírus do mosaico da cana-de-açúcar, está geralmente presente em canaviais. Demais prejuízos indiretos ocorrem pela dificuldade de colheita na presença de plantas daninhas como corda de viola (Ipomoea sp), carrapicho (Cenchrus echinatus), unha de gato (Acassia plumosa) e mucuna (Mucuna pruriens) ou mesmo pela dificuldade de manejo após o cultivo, depreciando o valor da terra, a exemplo do que ocorre pela tiririca (Cyperus rotundus).

Além das áreas agrícolas, o manejo de plantas daninhas é importante, também, em áreas industriais, ferrovias, espaços públicos ou mesmo em represas para geração de energia elétrica. Nesses corpos d’água, espécies como taboa (Typha angustifolia) e aguapé (Eichornia crassipes) proliferam rapidamente. Durante o processo de passagem da água pelas turbinas, a massa densa dessas espécies interrompe o fluxo normal, danifica e onera a manutenção dos equipamentos. Outras plantas como salvínia (Salvinia molesta) e alface d’água (Pistia stratiotes) aumentam as perdas de água, pois reduzem o seu aproveitamento.

Entretanto, muitos benefícios também podem ser obtidos pelo conhecimento e uso correto de plantas daninhas. Devido a sua velocidade de crescimento, muitas são usadas no controle da erosão em áreas degradadas, como o que ocorre com as gramíneas (Brachiaria brizantha, B. decumbens, B. ruziziensis e Panicum maximum). Outras são utilizadas nos processos de fitorremediação, permitindo a retirada ou degradação de compostos residuais no solo, ou seja, além de absorver água e nutrientes que as fazem crescer, algumas espécies são capazes de absorver elementos poluentes, funcionando como filtros biológicos, como exemplo para Stizolobium aterrimum, Lupinus albus e Canavalia ensiformes, entre outras.

Muitas espécies consideradas daninhas podem ainda servir na medicina para tratamento fitoterápico a partir da infusão de folhas, a exemplo do uso popular de quebra-pedra (Phyllanthus niruri) ou da urtigueira (Urtica dioica), ou fornecendo inúmeros compostos para sua extração. Algumas plantas daninhas servem também de alimento para inimigos naturais ou mesmo para as abelhas melíferas, como o assapeixe (Vernonia polyanthes) e a vassourinha de botão (Borreria verticillata).

Desta forma, com tantas vantagens e desvantagens, devemos utilizar boas práticas de gestão das plantas daninhas, principalmente no ambiente agrícola. O manejo integrado é uma das práticas que se inicia com a escolha do local de semeadura e da variedade, a qual deve ser adequada à fertilidade e ao pH do solo. A densidade de semeadura e o espaçamento correto também facilitam o seu manejo durante o cultivo. O manejo químico, apesar de importantíssimo, deve levar em consideração a dinâmica das plantas, as práticas culturais e o sistema de semeadura utilizado, assim como, a tecnologia disponível.

O manejo após o cultivo é outra questão importantíssima na redução da infestação e que deve ser considerado na gestão de plantas daninhas.Todavia, o que se observa é o uso inadequado das tecnologias e perda de controle de muitas espécies daninhas. Um exemplo é o que ocorreu com a introdução da soja resistente ao glifosato. Com o uso contínuo e exagerado deste herbicida, biótipos resistentes das espécies buva (Conyza bonariensis), capim amargoso (Digitaria insularis), azevém (Lolium multiflorum) e leiteiro (Euphorbia heterophylla) já foram selecionados e outras espécies também apresentam tolerância como trapoeraba (Commelina benghalensis) e erva quente (Spermacoce latifolia), entre outras.

Recentemente, a Embrapa, em conjunto com a iniciativa privada, está trabalhando no lançamento de soja resistente ao grupo químico das imidazolinonas, como nova alternativa no manejo de plantas daninhas. Porém, a orientação de uso da tecnologia deverá ser repassada para os produtores, para não ocorrer novos casos de resistência.

A partir do proposto, o manejo integrado deve combinar métodos de controle preventivo e curativo, sem se esquecer do conhecimento prático das características de cada espécie de planta daninha. Novos programas de controle devem ser avaliados para garantir o avanço tecnológico, que deverá focar, principalmente, na determinação das características biológicas e nos mecanismos de competição entre as espécies. Por meio da gestão integrada de plantas daninhas é possível reduzir sua interferência nos cultivos agrícolas, sem comprometer as demais áreas.

Rafael Vivian
Pesquisador da Embrapa Meio-Norte
rafael.vivian@cpamn.embrapa.br

terça-feira, 5 de abril de 2011

o maior trator do mundo

Este é o Big Bud. Por muitos anos ele foi o maior trator do mundo. Ele foi construído pela equipe da Ron Harmonn em Montana. O maior Big Bud 747 surgiu em 1977 para aração profunda em uma fazenda de algodão, na Califórnia. Este trator pesa mais de 45 toneladas, é muito pesado. E ele ainda funciona...Vamos olhar as imagens:
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