quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Os cultivares que mudaram a cafeicultura brasileira nos últimos cinquenta anos

 

Os cultivares que mudaram a cafeicultura brasileira nos últimos cinquenta anos  


Em 2012, as cultivares Mundo Novo e Catuaí completam, respectivamente, 60 e 40 anos de introdução nas fazendas de café do Brasil. Juntas, estima-se que elas representem cerca de 85% das cultivares plantadas no País. A Mundo Novo e a Catuaí fazem parte da história do café no Brasil, responsáveis por uma mudança significativa no cenário da produção cafeeira, em termos de produtividade e longevidade, e tem contribuído para a consolidação da cultura nas principais regiões produtoras. As duas variedades são resultados de trabalhos do programa de melhoramento do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), instituição integrante do Consórcio Pesquisa Café. O Consórcio, há 15 anos, investe no programa de melhoramento genético do IAC, apoiando o desenvolvimento de pesquisas que também geraram dezenas de outras cultivares de café.

As pesquisas de melhoramento trabalham continuamente na obtenção de cultivares cada vez mais específicas para doenças, pragas, condições climáticas e demais aspectos importantes para o produtor, em estudos que levam em média duas décadas ou até mais. São investimentos em conhecimento e em recursos necessários para o crescimento da cafeicultura brasileira, uma das mais sustentáveis do mundo. Os casos bem-sucedidos das cultivares Mundo Novo e Catuaí, há mais de meio século no mercado cafeeiro brasileiro, merecem destaque.

Mundo Novo

A Mundo Novo foi introduzida em 1952 substituindo o Bourbon nas fazendas, até então a mais utilizada pelos produtores brasileiros, desde 1940, e que apresentava uma produtividade mediana. O diferencial da Mundo Novo foi justamente nesse aspecto, a nova cultivar apresentava uma alta produtividade e se adaptou bem em todas as regiões cafeeiras. O pesquisador do IAC, Luiz Carlos Fazuoli, conta que uma hipótese bem provável é que a Mundo Novo tenha sido resultado de um cruzamento entre Bourbon Vermelho e a Sumatra, cultivar introduzida no Brasil ainda em 1796. "A Mundo Novo apresentou uma produtividade de até 200% a mais que a Tipíca", introduzida no Brasil em 1727, diz. O que explica a mudança de paradigma que a planta trouxe para a cafeicultura nacional. Manejos de poda e a mecanização foram fatores que também contribuíram para os bons resultados da cultivar. Esta cultivar foi muito importante para o estabelecimento da cafeicultura brasileira no cerrado.

Catuaí

Passados 20 anos e mantido, não só a produtividade, mas também sendo atestada a longevidade da Mundo Novo, em 1972 chega ao campo a cultivar Catuaí. Resultado de cruzamento da Mundo Novo com a variedade Caturra - planta de porte baixo, mas muito exigente em água e nutrição. A Catuaí preserva o porte baixo, mas ganha em vigor vegetativo. Também rapidamente bem adaptada às regiões cafeeiras do País, Fazuoli destaca a importância da Catuaí no desbravamento da cafeicultura no Cerrado brasileiro na década de 1970. A redução que a cultivar trouxe no custo das colheitas, por ser de porte baixo, foi outro avanço importante na adoção da cultivar.

Atualmente o Brasil tem um parque cafeeiro de 6,7 bilhões de covas, entre pés em formação e produção, segundo dados da Conab. Destas quase 5 bilhões são de plantas de Coffea arabica, da qual fazem parte a Mundo Novo e a Catuaí.

Novas variedades

O Brasil tem atualmente 120 cultivares de café arábica registradas no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), mas nem todas são adotadas no campo. O número crescente demonstra o bom investimento em pesquisas de melhoramento genético e a preocupação dos pesquisadores em buscar cultivares cada vez mais adaptáveis às diferentes exigências de produtividade, clima, solo etc. A questão da longevidade, visto que o café é uma cultura perene, é também um dos fatores preponderantes na escolha de uma cultivar.

Nas variedades mais recentes, o índice de produtividade e as características de resistência a pragas e doenças têm sido aspectos alcançados com sucesso, mas o pesquisador Luiz Carlos Fazuoli destaca a importância do produtor seguir algumas recomendações antes de optar pela introdução de uma nova cultivar em sua fazenda. Segundo ele, em uma mesma fazenda pode haver diferenças na produtividade da mesma cultivar.

Recomendações

A primeira recomendação que Fazuoli aponta é conhecer bem a cultivar, para depois definir o local onde vai ser plantada. Investir em experimentos com a cultivar no local, se possível com apoio técnico, é essencial para o sucesso da adoção de uma nova cultivar. O pesquisador destaca também a importância de adotar manejos adequados a cultivar escolhida. Como vai ser o plantio, se utilizará poda, se adotará o adensamento, como será a colheita e as doenças e pragas suscetíveis da cultivar e que atingem a fazenda, são detalhes a serem observados antes da adoção de uma nova cultivar.

IAC 125 RN

Guardados esses cuidados são bem maiores as chances de a mudança dar certo na propriedade. A cultivar IAC 125 RN, registrada este ano pelo IAC, é um exemplo disso. A variedade vem sendo experimentada com sucesso em fazendas em Patrocínio e Patos, em Minas Gerais. Com exigência de irrigação e boa nutrição, os produtores que adotaram os manejos adequados têm tido bom retorno com a cultivar, que é resistente às Raças I e II do nematóide exígua. A IAC 125 RN tem cinco genes de resistência à ferrugem (Raça II), gera frutos grandes vermelhos e é altamente produtiva.

A cultivar IAC 125 RN é mais uma que teve apoio do Consórcio Pesquisa Café, do qual Fazuoli destaca a importância do apoio. "Em todos esses anos, a contribuição do Consórcio foi valiosíssima para novas cultivares, assim como para manutenção das pesquisas com as variedades já existentes". As pesquisas do Consórcio Pesquisa Café contam com recursos do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé/MAPA), com gestão da Embrapa Café, unidade da Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Características

Mundo Novo - As diversas linhagens da cultivar Mundo Novo possuem elevada capacidade de adaptação, produzindo bem em quase todas as regiões cafeeiras do Brasil. É preferencialmente indicada para plantios largos (3,80-4,00m x 0,80-1,00m). Em razão de seu grande vigor vegetativo, o espaçamento para o sistema adensado com essa cultivar deverá ser maior que o normalmente utilizado com cultivares de porte baixo. Por ter ótima capacidade de rebrota, é especialmente indicada para os sistemas em que se utiliza a recepa ou o decote para reduzir a altura das plantas. Dentre as linhagens de Mundo Novo, IAC 376-4, IAC 379-19, IAC 464-12 e IAC 515-20 são as que melhor se adaptam ao plantio adensado mecanizado, caso o cafeicultor faça opção a este sistema de cultivo.

Catuaí - As cultivares Catuaí Vermelho e Catuaí Amarelo têm ampla capacidade de adaptação, apresentando produtividade elevada na maioria das nossas regiões cafeeiras ou mesmo em outros países. De baixa estatura, permitem maior densidade de plantio, tornam mais fácil a colheita e mais eficientes os tratamentos fitossanitários. Essas cultivares já produzem abundantemente logo nos dois primeiros anos de colheita. Por isso, necessitam de cuidadoso programa de adubação.

As informações são da Gerência de Transferência de Tecnologia da Embrapa Café, adaptadas pela Equipe CaféPoint.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Brasil, país campeão do agronegócio café

 
 
Flávia Bessa


A produção de café no Brasil é responsável por cerca de um terço da produção mundial de café, o que faz o País ser de longe o maior produtor - posição mantida há 150 anos. Além disso, é também o campeão mundial na exportação do produto e ocupa a segunda posição entre os países consumidores da bebida, devendo chegar à primeira colocação nos próximos anos, superando a marca dos EUA. Segundo a Associação Brasileira da Indústria do Café - ABIC, o consumo per capita em 2001 era de 4,9 kg/habitante; em 2012, saltou para de 6,4 kg/habitante. Isso representa um consumo de quase 20 milhões de sacas, bem próximo dos EUA, que é de pouco mais de 22 milhões de sacas. O aumento do consumo interno da bebida é atribuído à melhoria na qualidade do café destinado ao mercado nacional, bem como ao aumento do poder aquisitivo da população.

Essa sucessão de vitórias é resultado da ação de um time coordenado, formado por quase 300 mil propriedades de café - segundo último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE - em sintonia com centenas de pesquisadores, técnicos e extensionistas, todos espalhados pelas principais regiões produtoras brasileiras: Minas Gerais, São Paulo, Bahia, Paraná, Espírito Santo e Rondônia. Os esforços dessa equipe campeã foram congregados e otimizados com a criação, há 15 anos, do Consórcio Pesquisa Café, cujo programa de pesquisa é coordenado pela Embrapa Café – Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – Mapa.

Inovação é o lema – Maior arranjo de instituições de ensino, pesquisa e extensão rural já realizado para fomentar a pesquisa cafeeira no Brasil, o Consórcio Pesquisa Café reúne hoje 50 instituições. O modelo de gestão incentiva a interação entre as instituições e a união de recursos humanos, físicos, financeiros e materiais para elaboração de projetos inovadores. Nesses últimos 15 anos de pesquisa, cerca de mil projetos permitiram a geração de diferentes conhecimentos básicos, produtos, processos e tecnologias amplamente utilizados pelos cafeicultores. Essa expertise dobrou a produção de café no País sem que fosse necessário nenhum aumento da área cultivada.

As tecnologias geradas estão relacionadas às áreas de melhoramento de plantas e biotecnologia para a obtenção de cultivares adaptadas às diferentes condições edafoclimáticas do País, técnicas de plantio, condução da lavoura, nutrição mineral de plantas, fitossanidade, irrigação, adubação orgânica, manejo de plantas invasoras, colheita, pós-colheita, manejo sustentável; entre outras. “As tecnologias desenvolvidas por esse time campeão chamado Consórcio Pesquisa Café visam à sustentabilidade social, econômica e ambiental da produção cafeeira no Brasil”, diz o gerente geral da Embrapa Café, Gabriel Bartholo.

Novas cultivares - As pesquisas de melhoramento genético propiciaram o desenvolvimento de 36 cultivares, de arábica e conilon, resistentes às principais pragas e doenças do cafeeiro e com alta produtividade, melhorando qualidade dos frutos e incrementando significativamente a produção. No Instituto Agronômico – IAC, foram geradas sete cultivares; na Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais – Epamig em parceria com a Universidade Federal de Viçosa - UFV, oito; no Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural – Incaper, 3; no Instituto Agronômico do Paraná – Iapar, 13, na Embrapa Café e no Procafé , 4 cultivares; Na Embrapa Rondônia, 1 cultivar. Todas essas instituições são participantes do Consórcio. Mais informações aqui.

Sequenciamento do genoma café– Trabalho de pesquisa realizado pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e ainda por outras instituições consorciadas e pela Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo – Fapesp que resultou na construção de um banco de dados com mais de 200 mil sequências de DNA. Isso permitiu a identificação de mais de 30 mil genes, responsáveis pelos diversos mecanismos fisiológicos de crescimento e desenvolvimento do cafeeiro. Atualmente várias ações de pesquisa estão em andamento para identificar as funções de cada um desses genes de forma que eles possam ser utilizados para aumentar a produtividade e o valor econômico da cultura do café, e mesmo serem utilizados em outras culturas. O conhecimento e utilização do código genético torna possível o desenvolvimento de cultivares mais produtivas e com melhor bebida, tolerantes a variações climáticas (como seca e geada) e resistentes ao ataque de pragas e doenças, com reflexos diretos no aumento da produtividade, na redução do custo de produção e na proteção ambiental. Além disso, os dados gerados pela pesquisa aceleram a obtenção de cultivares de melhor qualidade, aroma, sabor e propriedades nutracêuticas do grão, agregando qualidade ao produto e mais satisfação e saúde para o consumidor.

Uma das tecnologias decorrentes do genoma café são os sistemas para expressão dirigida de genes em raízes e em tecidos foliares. São dois promotores obtidos de plantas de café que permitem direcionar e controlar a expressão de genes a eles associados: o Promotor CaIsoR, que atua nas folhas, e o Promotor Caperox, que age nas raízes em resposta a um estímulo externo, oferecendo total controle do tipo de OGM (Organismo Geneticamente Modificado) produzido. Esse trabalho foi desenvolvido em parceria com o Instituto Agronômico de Campinas – IAC, participante do Consórcio, e com a Universidade Estadual Paulista – UNESP. Para mais informações, veja links sobre expressão em raízes e em tecidos foliares. Outra é a pesquisa realizada pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), instituições participantes do Consórcio, que identificou um gene do café arábica que quando transferido para outra planta – Arabidopsis thaliana – tornou esta altamente tolerante à seca. O gene agora está sendo testado em outras plantas de interesse agronômico, como soja, milho, trigo, cana de açúcar, arroz e algodão. Mais informações em matéria sobre o tema.

Biofábricas - Técnica que multiplica in vitro, a partir de tecido da folha, plantas de café arábica de características favoráveis, como resistência ao bicho mineiro e à ferrugem, boa qualidade de bebida e alta produtividade. Essa técnica permite a multiplicação de plantas híbridas com produtividade elevada e a redução de 30 para 10 anos do tempo de desenvolvimento de novas cultivares. A técnica, também é conhecida por clonagem, foi desenvolvida pela Embrapa Café em parceria com a Fundação Procafé, ambas consorciadas. A produção rápida e em larga escala de mudas clonadas de alto valor agregado confere mais competitividade para o café brasileiro no mercado nacional e internacional. O projeto inclui avaliação da viabilidade econômica da tecnologia, medindo os custos de produção industrial em todo o processo de produção. Veja mais informações aqui.

Estresse hídrico - Como um dos usos da irrigação em café surgiu a tecnologia de estresse hídrico, que submete as plantas a uma suspensão da irrigação por um período de 72 dias visando à uniformização de florescimento e maturação, o que afeta diretamente a qualidade do fruto. A tecnologia da Embrapa Cerrados desenvolvida com recursos do Consórcio foi validada não só em experimentos como também em fazendas produtivas de várias regiões brasileiras. A prática do estresse hídrico não custa nada mais ao produtor e ainda traz redução dos custos de água e energia, em média de 33%, economia no processo de colheita, inclusive com mão de obra, e uma visão sustentável do agronegócio tanto do ponto de vista ambiental como da competitividade. É um processo tecnológico que também permite a obtenção de 85% ou mais de frutos cerejas no momento da colheita, maximizando a produção de cafés especiais. Além disso, garante redução de 20% para 10% de grãos mal formados e de 40% na operação de máquinas. Assista programa Dia de Campo na TV sobre o tema.

Sistema de Limpeza de Águas Residuárias (SLAR) - No manejo de pós colheita, o SLAR - desenvolvido por meio da parceria entre Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) e Embrapa Café, no âmbito do Consórcio - remove os resíduos sólidos na água proveniente do processamento de frutos. Esse sistema é constituído por caixas de decantação interligadas e peneiras estáticas. Após a remoção dos resíduos sólidos, a água é novamente conduzida para a caixa de abastecimento para reutilização no processamento ou direcionada à fertirrigação da cultura. Os resíduos sólidos retirados poderão ser utilizados na produção de adubos orgânicos. Entre as vantagens do sistema estão a economia de 90% do consumo de água; o baixo custo para instalação e manutenção, viabilizando a adoção por pequenos produtores, e a preservação do meio ambiente. Saiba mais aqui.

Geotecnologias – Entre elas o sensoriamento remoto e os sistemas de informação geográfica, entre outros, usadas em apoio à produção ou à qualidade do café para auxiliar na caracterização ambiental dos agroecossistemas cafeeiros e fornecer uma base eficiente para a análise integrada das informações e o entendimento das relações entre os sistemas de produção e o ambiente, incluindo simulação de prognósticos. Pela análise espacial é possível delimitar territórios e identificar, por exemplo, os fatores que influenciam a qualidade dos cafés produzidos nessas regiões, informação imprescindível para a obtenção de Indicações Geográficas - IGs. Saiba mais sobre as IGs em matéria que abordou conquisata de selo. As geotecnologias, estudadas pela Epamig e Embrapa Café no âmbito do Consórcio, subsidiam o planejamento da atividade tendo em vista a competitividade e a sustentabilidade da produção.

Poda do Conilon - A poda programada do café Conilon - tecnologia desenvolvida pelo Incaper, instituição consorciada - além de favorecer a longevidade do cafezal, aumenta a produtividade. A tecnologia é adotada pela maioria dos produtores do Espírito Santo e chegou mais recentemente em Rondônia e Minas Gerais. A poda consiste na eliminação das hastes verticais e dos ramos horizontais improdutivos, para que no lugar deles nasçam outros mais vigorosos. Nesse processo, os ramos estiolados e o excesso de brotações também são eliminados. Entre os benefícios da tecnologia estão a redução média de 32% de mão-de-obra; facilidade de entendimento e execução; padronização do manejo da poda; maior facilidade para realização da desbrota e dos tratos culturais; maior uniformidade das floradas e da maturação dos frutos; melhoria no manejo de pragas e doenças; aumento superior a 20% na produtividade média da lavoura; maior estabilidade de produção por ciclo e melhor qualidade final do produto. Leia publicação e assista programa de rádio do Prosa Rural sobre a poda do conilon.

Tecnologias pós-colheita – Há disponível para o mercado tecnologias para preparo, secagem e armazenamento de grãos, desenvolvidas com a liderança da Universidade Federal de Viçosa – UFV, participante do Consórcio. São alternativas tecnológicas especialmente desenvolvidas para a agricultura familiar para oferecer, a custos compatíveis, uma infraestrutura mínima para que, independentemente das condições climáticas, o cafeicultor possa produzir café de qualidade superior, com economia de tempo, redução de custos e mão de obra empregada e maior rendimento operacional. É composta por um terreiro-secador híbrido, abanadora, silo secador e lavador portátil. Programa Dia de Campo na TV da Embrapa abordou a tecnologia em outubro deste ano.

Alerta Geada - O Iapar, instituição do Consórcio, disponibilizou o Alerta Geada, sistema de proteção das lavouras novas de café, de 6 meses a 2 anos, do Paraná que traz benefícios aos cafeicultores desde 1995. Quando há previsão de geada um alerta é disparado para os produtores cadastrados no projeto e também na mídia. Com a previsão da geada os produtores são orientados a fazer o chamado “enterrio” das plantas, que devem ficar cobertas por, no máximo, 20 dias, protegidas contra as geadas de moderadas a fortes. O Alerta Geada também dispara o aviso no começo de todo inverno com o primeiro resfriamento, para outra técnica, a “chegada de terra”, que consiste em amontoar a terra na base das plantas para protegê-las do frio. Cerca de R$ 21 milhões em prejuízos aos produtores de café no Paraná foram evitados com o Alerta Geada.

Café adensado - Outra grande contribuição do Iapar para a cafeicultura foi o desenvolvimento do modelo adensado, proposta tecnológica que possibilitou ao Paraná retomar sua produção, aniquilada na grande geada de 1975. O adensamento de plantio já é utilizado em 70% da área de café no Paraná. A proposta é o cultivo de pequenas lavouras (a maioria dos cafeicultores paranaenses é de produtores familiares) e consiste em reduzir o espaçamento entre as ruas (de 4 m para até 1,5 m) e entre as plantas (de 1,5 m para até 0,5 m). Veja mais informações nesta publicação.

Mesmo com essas e muitas outras tecnologias disponíveis, a importância do agronegócio café para o Brasil implica permanente pesquisa, desenvolvimento e inovação científica e tecnológica. O trabalho do Consórcio Pesquisa Café mostra-se imprescindível para manter as diretrizes da pesquisa cafeeira no País e para a integração de diversos atores na busca constante pelo melhoramento da qualidade e da sustentabilidade e competitividade do café brasileiro no mercado nacional e internacional. Em outras palavras, manter o Brasil campeão da cafeicultura: maior produtor, maior exportador e, em breve, maior consumidor de café do mundo. A torcida brasileira, protagonista desse campeonato, agradece.

Saiba mais - O Consórcio Pesquisa Café foi criado por iniciativa de dez instituições ligadas à pesquisa e ao café: Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola - EBDA, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais - Epamig, Instituto Agronômico - IAC, Instituto Agronômico do Paraná - Iapar, Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural - Incaper, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - Mapa, Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro - Pesagro-Rio, Universidade Federal de Lavras - Ufla e Universidade Federal de Viçosa - UFV.

As pesquisas realizadas contam com o apoio e o financiamento do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira – Funcafé, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – Mapa.
EMBRAPA CAFÉ