quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Plantas-piloto


 Plantas-piloto: o caminho entre a pesquisa na bancada e a produção em escala industrial
No que se refere a processos industriais, o Brasil foi, por muito tempo, importador de tecnologia. No entanto, à medida que o Brasil se afirma como um país em desenvolvimento, torna-se necessário desenvolver internamente processos industriais competitivos frente aos que existem no mundo.

A não ser que se esteja idealizando um novo processo a partir de um já existente (prática conhecida como adaptação de tecnologia ou inovação incremental), um processo industrial nasce nas pesquisas realizadas em laboratórios de universidades e centros de pesquisa, públicos e privados. A visão clássica do pesquisador é a de uma pessoa que fica dentro de um laboratório trabalhando diante de uma bancada, mas poucas pessoas visualizam o longo caminho que uma pesquisa iniciada nesse ambiente necessita para atingir a maturidade, de modo a chegar, finalmente, a um processo industrial de transformação de uma matéria-prima em um produto.

Os estudos conduzidos em laboratório são geralmente referenciados como “em escala de bancada” e se caracterizam pelos reduzidos volumes utilizados ao realizar os processos físico-químicos de transformação da matéria-prima em produto final. Quando se refere à dinâmica dessa transformação, a redução desses volumes fornece menor quantidade de material para a realização das análises necessárias ao acompanhamento do processo em estudo. Com a redução das amostras, compromete-se a qualidade dos resultados.

A transposição dos resultados obtidos em escala de bancada para um processo industrial não ocorre do dia para noite. Ela envolve a geração de dados adicionais para desenvolver balanços de massa e energia, que são empregados na especificação de equipamentos que virão a compor a unidade industrial. Nesse momento, o pesquisador começa a sentir a necessidade de aumentar os volumes envolvidos no estudo, o que é possível no laboratório até um determinado nível, antes de se deparar com problemas do tipo: controlar as correntes de entrada e saída, controlar inventários do sistema (como pressão e nível) e adicionar e/ou remover calor do sistema. Além disso, torna-se necessário obter mais dados em linha, ou seja, os dados são coletados e análises são realizadas de forma automatizada, com a operação do sistema.

Outro fator limitante também envolve a duração dos experimentos, que na escala de bancada são restritos em geral a algumas horas e os dados requeridos para desenvolver um processo podem envolver dias ou semanas de operação contínua, a fim de, por exemplo, determinar a durabilidade de catalisadores e a formação e acúmulo de produtos indesejados ao longo do tempo.

Enfim, os estudos em “escala piloto” são a solução adotada para sanar os limitantes encontrados em escala de bancada. O principal entrave à utilização dessas plantas piloto são os custos envolvidos no desenvolvimento, montagem e operação de tais unidades. Esses custos, entretanto são ordens de grandeza acima dos investimentos na montagem de uma unidade de bancada, mas muito inferiores aos de uma tentativa frustrada de construir uma planta industrial com base em premissas equivocadas ou em informações obtidas em escala de bancada.

Em linhas gerais uma boa fase de pesquisa em bancada gera resultados sólidos e confiáveis que permitem afirmar que a tecnologia é promissora. A partir desse ponto é realizado o desenvolvimento de um processo a ser transposto em uma planta piloto, de forma a verificar a viabilidade técnica e econômica da tecnologia proposta. A partir do projeto da planta piloto e das informações obtidas ao longo de sua operação, pode-se iniciar um projeto de planta industrial, levando em conta as características técnicas e econômicas, que permitirão construir uma planta industrial competitiva.

O marco final de uma pesquisa científica bem sucedida é exatamente quando essa nova tecnologia é adotada em uma planta industrial de forma que seja competitiva frente a outros processos e/ou produtos e se complete o ciclo da inovação. Dessa forma recupera-se o investimento realizado na pesquisa e no desenvolvimento, garantindo a sustentabilidade do empreendimento em termos econômicos, ambientais e sociais.

Nesse contexto, a Embrapa inicia uma nova etapa ligada ao uso da biomassa, pois, por meio da unidade de Agroenergia, passa a pesquisar e desenvolver soluções voltadas para a produção de biocombustíveis, indo da bancada ao estágio de plantas piloto. A partir desse estágio, por meio de parcerias com empresas públicas e privadas pode-se finalizar o processo industrial e colocar o produto no mercado, induzindo, dessa forma, ganhos de competitividade no campo, ao agregar valor a produtos agrícolas, seus resíduos e co-produtos.

Rossano Gambetta
Pesquisador, Embrapa Agroenergia
rossano.gambetta@embrapa.br

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Top - Phos

 

Indústria diz ter criado fertilizante inteligente

15/02 
Sul, Centro-Oeste e Nordeste testam produto que promete redução expressiva nas perdas de fósforo, componente essencial às plantas

Cassiano Ribeiro

Barcelona - Mais de 30 pesquisadores, técnicos, representantes de cooperativas e produtores brasileiros foram à Espanha para conferir uma nova fórmula de fertilizante que promete melhorar a eficiência de fósforo no solo. O produto, denominado Top-Phos, deve ter os primeiros resultados conferidos ainda nesta colheita em lavouras do Brasil.

Produtores brasileiros do Sul, Centro-Oeste e Nordeste que aplicaram o novo adubo em pequenas áreas de soja e milho estariam comprovando mudanças no aspecto físico das plantas. O fósforo é considerado essencial para a vida. É utilizado na armazenagem de energia.

“Ainda não começamos a colher, mas notamos que as folhas estão mais verdes, altas e que as raízes ficaram mais volumosas, permitindo o arranque com mais facilidade”, relata Claudiney Turmina, da Cooperalfa, de Chapecó (Santa Catarina). No Paraná, algumas lavouras em Ponta Grossa (Campos Gerais), Londrina (Norte) e Palotina (Oeste) também já receberam aplicação do Top-Phos e estão na fase final do ciclo.

A aplicação de fósforo é uma das problemáticas do campo, com elevados índices de perda do componente devido a sua ‘neutralização’ diante do pH (acidez) do solo. Além disso, a baixa mobilidade do fósforo dificulta o acesso das raízes das plantas. Pesquisas mostram que, a cada 100 quilos de fósforo aplicados, apenas entre 45 e 50 são de fato aproveitados pelas planta.

Experiências feitas em laboratórios espanhóis e apresentadas à comitiva brasileira mostram que o produto aumenta de 45% a 80% a disponibilidade de fósforo no solo nos primeiros dias de cultivo. O diretor do Centro de Investigação em Produção Animal e Vegetal (Cipv- Espanha), doutor Jose Maria Garcia Mina, explica que o comportamento é atribuído a uma molécula orgânica que se liga ao fósforo através de uma ponte metálica, inibindo sua reação diante de outros metais presentes na terra.

Enquanto fertilizante, “o produto não é melhor e nem pior, mas sim diferente”, destaca o ‘pai’ da pesquisa. Para desenvolver o novo fertilizante, o grupo Roullier, dono da patente, investiu cerca de 4 milhões de euros, conforme Garcia Mina, e contou com a parceria da Universidade de Navarra (Espanha). A meta é estreitar a relação com as universidades brasileiras. Professores de diversas instituições de ensino brasileiras integraram a expedição na Espanha.

A promessa de melhor aproveitamento do fósforo pode compensar o preço mais caro do novo produto, comercializado no Brasil pela Timac Agro. “Com o Top-Phos, o produtor pode dispensar a aplicação de fósforo por pelo menos duas safras”, afirma Marco Justus, diretor da empresa no Paraná.

Segundo ele, o fertilizante representa investimento de uma saca e meia a mais por hectare, com um custo de R$ 1.300 por tonelada. O valor é quase o dobro do preço da fórmula “supersimples”, que custa R$ 700 por tonelada. “Nossa meta de venda é modesta, de 60 mil toneladas de janeiro a junho deste ano. Isso representa somente 1% do mercado”, diz Justus.

O Brasil importa cerca de 50% de todo o volume de fosfatados consumidos no país, cerca de 5 milhões de toneladas. O Paraná é o segundo maior consumidor do país, com 853 mil toneladas estimadas em 2009.

O repórter acompanhou o grupo de brasileiros na Espanha a convite da Timac Agro Brasil

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Maior Plantadora do mundo

Pode ser a australiana MFS (Multi Farming System) de 48 metros e 96 linhas. No último post sobre plantadeiras a John Deere DB120 ficou em primeiro lugar, mas esta da Austrália merece destaque. Segundo a empresa outra de 92 metros está em desenvolvimento. Confira as fotos:


A plantadeira no exemplo é puxada por um trator Steiger STX de 500HP (A Steiger faliu em 1986, sendo comprada pelo grupo que se tornou a CASE).

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

MPA 2500


Monitor de plantio é um dos destaques do Show Rural Coopavel 2011
Aumentar a produtividade no campo é o principal objetivo do monitor de plantio MPA 2500, fabricado pela Auteq Telemática. O equipamento deve ser um dos destaques da Show Rural Coopavel, que se inicia nesta segunda-feira (7), na cidade de Cascavel/PR.

O monitor de plantio Auteq MPA2500 é um equipamento robusto, totalmente vedado, adaptável a plantadeiras de qualquer marca e modelos que permite reduzir os custos do plantio e aumentar a produção de grãos.

Entre seus principais benefícios estão: evitar falhas no plantio de sementes, desvios na população de sementes e excesso de velocidade no plantio, aumentar a produtividade das máquinas ao facilitar o trabalho noturno e a produtividade das máquinas e operadores ao evitar a necessidade de paradas periódicas para averiguação.

O equipamento ainda elimina os custos e riscos de acidentes causados pela necessidade de um assistente (“badeco”) para o monitoramento visual do plantio e controla com facilidade a área e o tempo efetivamente trabalhados

“Este novo modelo traz como novidades o cabeamento modular com instalação e manutenção muito simples, comunicação de todos os sensores através de um barramento CAN, tela de 4,7 polegadas com alta luminosidade e contraste e receptor GPS de 50 canais”, afirma o diretor da Auteq Telemática, Alberto Menoni. “E incorporaremos ainda mais funcionalidades durante o correr deste ano”, acrescenta.

A Auteq Telemática é líder brasileira em equipamentos de gerenciamento de frota e de monitoramento de operações agrícolas, florestais e de mineração. Em 2009 a empresa formalizou uma joint-venture com a John Deere, referência mundial na produção de implementos agrícolas. Juntas, Auteq e John Deere oferecem a seus clientes soluções completas para a expansão de seus negócios e estão presentes em cerca de 180 concessionários em todo o País. Só em 2010, a Auteq registrou um crescimento de 55% em relação a 2009.

Promovido pela Coopavel Cooperativa Agroindustrial, o Show Rural Coopavel é um evento anual com objetivo de facilitar o acesso de produtores rurais a equipamentos e técnicas que auxiliam a produzir mais e melhor, mesmo com severas adversidades climáticas. Acontece em uma área de 72 hectares especialmente planejada para a feira. A edição 2011 do evento reuniu mais de 180 mil visitantes e cerca de 350 expositores.


Sylvia Guirao
Assessoria de imprensa da Auteq Telemática S.A.
imprensasylvia@gmail.com

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Giro tecnológico de soja e forrageiras marca primeiro dia de Showtec em MS


O primeiro dia do Showtec 2011 em Maracaju/MS foi movimentado. O Giro Tecnológico começou pelas cultivares de soja, desenvolvidas pela parceria Embrapa e Fundação Meridional, para a safra 2010/2011. O resultado são materiais apropriados a cada situação das regiões Sul e Centro do país, incluindo os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais.

Agregar características de interesse do produtor, visando ganhos sejam biológicos, econômicos e sociais, é com esse foco que a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, e Meridional atuam. Na escolha da cultivar leva-se em consideração a área de indicação, o ciclo, a resistência a doenças, a época e densidades de semeadura e as condições do solo.

Para esta safra, o lançamento das transgênicas 295RR e 316RR desenha o calendário agrícola. A 295RR destaca-se pela precocidade, com plantio a partir de 15 de outubro, ótima opção para a sucessão com o milho safrinha e resistência ao nematóide de cisto. A 316RR, por sua vez, além do alto potencial produtivo, é resistente a duas espécies de nematóides, galha incógnita e javanica, e a podridão radicular de fitóftora.

No campo das convencionais, a BRS 317 chega ao mercado com o diferencial de alta produtividade aliada à estabilidade. Essa semiprecoce é uma das melhores nesses quesitos dentro da rede de ensaios da Embrapa com cultivares convencionais, menciona o pesquisador Carlos Lásaro, da Embrapa Agropecuária Oeste (Dourados-MS), especialista em genética e melhoramento vegetal. Lásaro ressalta que “todas as cultivares da Empresa são resistentes a três doenças: cancro da haste, pústula bacteriana e mancha olho-de-rã”.

Nematóides – há mais de 15 anos com estudos na área, o nematologista da Embrapa, Guilherme Asmus, foi enfático ao afirmar que a população de nematóides, vermes que atacam diversos grãos, é consideravelmente reduzida com a adoção de rotação de culturas como principal estratégia. O plantio de cultivares resistentes, conforme o pesquisador, é outro método recomendado.

Em Mato Grosso do Sul, as pesquisas apontam o avanço do nematóide reniforme da soja, principalmente, entre os anos de 2001 e 2005, responsável por reduzir o porte da planta, com crescimento irregular da mesma. O reniforme, de acordo com Asmus, é de difícil identificação e apresenta-se, com frequência, em solos argilosos e monocultivos, alimentando-se da raiz da soja. “Os experimentos provaram que em sistemas, como Integração-Lavoura-Pecuária, a população de nematóide é mais baixa, ou seja, rotacionar é uma solução”, sugere o cientista.

Em Dourados, o Laboratório de Solos da Embrapa está à disposição dos produtores para análise de solo e identificação dessa praga.

ILP – A Integração Lavoura-Pecuária (ILP) não é uma boa saída somente para o controle de reniforme. O Sistema eleva a estabilidade de renda do produtor, melhora as condições físicas do solo e recupera a sua fertilidade, preserva o meio ambiente, reduz custos e produz pasto, forragem conservada e grãos para terminação de novilhos na estação seca. A escolha das forrageiras utilizadas no ILP é um dos fatores de sucesso do Sistema.

Pesquisador da Embrapa em Campo Grande-MS, Ademir Zimmer, explica que “todas as forrageiras podem ser adotadas na Integração, vai depender do objetivo de cada produtor”. As braquiárias, como o capim-piatã, são mais eficientes para àqueles que desejam pasto por período curto. Pastos de melhor qualidade são obtidos com essa braquiária, com soja na safra e milho na safrinha. A quantidade de carne produzida pelo Piatã é maior superando a desvantagem do custo de dessecação, revela o zootecnista, especialista em transferência de tecnologia da Gado de Corte, Haroldo Pires Queiroz.

Para engorda de bois, o forragicultor Zimmer, aconselha os panicuns Tanzânia e Mombaça, pois “essas pastagens possuem valor nutritivo superior e maior produção de folhas por hectare. “São capins mais produtivos e com mais qualidade para o gado”, afirma.

Milho com braquiária – O consórcio milho safrinha com braquiária consolidou-se como tecnologia para obtenção de palha e pasto no outono-inverno e perfeitamente aplicável no Sistema ILP. O engenheiro agrônomo da Empresa, Gessi Ceccon, estuda o consórcio desde 2005, na Embrapa Agropecuária Oeste, e os resultados alcançados demonstram grandes benefícios para os produtores, com destaque para a continuidade do crescimento da braquiária depois da colheita do milho, protegendo o solo e produzinho massa verde. “Além do mais, o retorno econômico é de 10 a 20% superior ao milho solteiro”, completa o pesquisador Ceccon.

Uma indicação prática do fitotecnista Gessi é utilizar a mesma plantadeira para a semeadura de soja no milho, mudando somente os discos da plantadeira, “uma linha de milho e outra de braquiária”. O valor cultural da semente e o número de furos no disco determinam a população da forrageira.

Dalízia Aguiar
Embrapa Gado de Corte – Campo Grande/MS
dalizia@cnpgc.embrapa.br
(67) 3368-2144