quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

É Broca

 
O endosulfan, pesticida organoclorado utilizado mundialmente no controle da famosa larva do besouro Hypothenemus hampei, a broca, considerado altamente tóxico e associado a problemas reprodutivos e do sistema endócrino - será banido do País a partir de 31 de julho de 2013. De acordo com cronograma estabelecido pela ANVISA o endosulfan não poderá ser comercializado, no Brasil, a partir desta data. Antes disso, a partir de 2011, o produto não pode ser mais importado e a fabricação em território nacional está proibida desde 31 de julho de 2012.

As restrições ao uso do endossulfan se dão pelo fato do produto fazer parte dos Poluentes Orgânicos Persistentes (POPs), disseminados após a segunda guerra mundial e reconhecidamente bioacumuladores e persistentes, isto é, da mesma maneira que o DDT e Aldrim, se acumulam nos animais por meio das cadeias reprodutivas.

Por ser um produto de tecnologia ultrapassada, sua produção e uso são altamente perigosos. Em novembro de 2008, a empresa Servatis - uma das fabricantes do endosulfan no Brasil , deixou vazar 18 mil litros do agrotóxico no rio Paraíba do Sul, no município de Resende, no Rio de Janeiro. O acidente provocou a suspensão da pesca, o esvaziamento de reservatórios e a possível contaminação da água em diversas cidades , sem contar que o produto derramado está em circulação até hoje, pois não se degrada com facilidade no ambiente.

Os principais sistemas de certificação e de verificação de café, Rainforest Alliance CertifiedTM, UTZ Certified, 4C, e Fair Trade, têm políticas de restrição ao uso do produto a fim de garantir a saúde das pessoas e do meio ambiente. A RAS (entidade que acredita organismos de certificação para uso do selo Rainforest Alliance CertifiedTM ), tinha como política proibir o endossufan até 2011. A pedido dos produtores brasileiros prorrogou seu uso até julho de 2012. UTZ e 4C prorrogaram a utilização do endossulfan até julho de 2013, acompanhado a legislação brasileira, que permite a utilização de estoques antigos.

A proibição tem causado muita preocupação aos cafeicultores e ao mercado de cafés especiais já que, até o momento, existem poucas opções químicas com efeito similar, e as práticas não químicas, entre elas a coleta dos cafés do chão após a colheita são consideradas de alto custo, sendo que a utilização de agentes biológicos ainda foi pouco estudada. Estas mudanças poderão acarretar prejuízos econômicos aos produtores e diminuição da qualidade dos grãos já que muitos deles poderão ir ao mercado brocados.

Seja agora ou até julho, os produtores de café terão que descontinuar o uso do endossulfan. Nos casos dos empreendimentos certificados, esta medida é mais urgente, já que poderão perder sua certificação no caso de descumprimento de regras. No caso dos não certificados, o acesso ao produto acabará muito brevemente.

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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Os cultivares que mudaram a cafeicultura brasileira nos últimos cinquenta anos

 

Os cultivares que mudaram a cafeicultura brasileira nos últimos cinquenta anos  


Em 2012, as cultivares Mundo Novo e Catuaí completam, respectivamente, 60 e 40 anos de introdução nas fazendas de café do Brasil. Juntas, estima-se que elas representem cerca de 85% das cultivares plantadas no País. A Mundo Novo e a Catuaí fazem parte da história do café no Brasil, responsáveis por uma mudança significativa no cenário da produção cafeeira, em termos de produtividade e longevidade, e tem contribuído para a consolidação da cultura nas principais regiões produtoras. As duas variedades são resultados de trabalhos do programa de melhoramento do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), instituição integrante do Consórcio Pesquisa Café. O Consórcio, há 15 anos, investe no programa de melhoramento genético do IAC, apoiando o desenvolvimento de pesquisas que também geraram dezenas de outras cultivares de café.

As pesquisas de melhoramento trabalham continuamente na obtenção de cultivares cada vez mais específicas para doenças, pragas, condições climáticas e demais aspectos importantes para o produtor, em estudos que levam em média duas décadas ou até mais. São investimentos em conhecimento e em recursos necessários para o crescimento da cafeicultura brasileira, uma das mais sustentáveis do mundo. Os casos bem-sucedidos das cultivares Mundo Novo e Catuaí, há mais de meio século no mercado cafeeiro brasileiro, merecem destaque.

Mundo Novo

A Mundo Novo foi introduzida em 1952 substituindo o Bourbon nas fazendas, até então a mais utilizada pelos produtores brasileiros, desde 1940, e que apresentava uma produtividade mediana. O diferencial da Mundo Novo foi justamente nesse aspecto, a nova cultivar apresentava uma alta produtividade e se adaptou bem em todas as regiões cafeeiras. O pesquisador do IAC, Luiz Carlos Fazuoli, conta que uma hipótese bem provável é que a Mundo Novo tenha sido resultado de um cruzamento entre Bourbon Vermelho e a Sumatra, cultivar introduzida no Brasil ainda em 1796. "A Mundo Novo apresentou uma produtividade de até 200% a mais que a Tipíca", introduzida no Brasil em 1727, diz. O que explica a mudança de paradigma que a planta trouxe para a cafeicultura nacional. Manejos de poda e a mecanização foram fatores que também contribuíram para os bons resultados da cultivar. Esta cultivar foi muito importante para o estabelecimento da cafeicultura brasileira no cerrado.

Catuaí

Passados 20 anos e mantido, não só a produtividade, mas também sendo atestada a longevidade da Mundo Novo, em 1972 chega ao campo a cultivar Catuaí. Resultado de cruzamento da Mundo Novo com a variedade Caturra - planta de porte baixo, mas muito exigente em água e nutrição. A Catuaí preserva o porte baixo, mas ganha em vigor vegetativo. Também rapidamente bem adaptada às regiões cafeeiras do País, Fazuoli destaca a importância da Catuaí no desbravamento da cafeicultura no Cerrado brasileiro na década de 1970. A redução que a cultivar trouxe no custo das colheitas, por ser de porte baixo, foi outro avanço importante na adoção da cultivar.

Atualmente o Brasil tem um parque cafeeiro de 6,7 bilhões de covas, entre pés em formação e produção, segundo dados da Conab. Destas quase 5 bilhões são de plantas de Coffea arabica, da qual fazem parte a Mundo Novo e a Catuaí.

Novas variedades

O Brasil tem atualmente 120 cultivares de café arábica registradas no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), mas nem todas são adotadas no campo. O número crescente demonstra o bom investimento em pesquisas de melhoramento genético e a preocupação dos pesquisadores em buscar cultivares cada vez mais adaptáveis às diferentes exigências de produtividade, clima, solo etc. A questão da longevidade, visto que o café é uma cultura perene, é também um dos fatores preponderantes na escolha de uma cultivar.

Nas variedades mais recentes, o índice de produtividade e as características de resistência a pragas e doenças têm sido aspectos alcançados com sucesso, mas o pesquisador Luiz Carlos Fazuoli destaca a importância do produtor seguir algumas recomendações antes de optar pela introdução de uma nova cultivar em sua fazenda. Segundo ele, em uma mesma fazenda pode haver diferenças na produtividade da mesma cultivar.

Recomendações

A primeira recomendação que Fazuoli aponta é conhecer bem a cultivar, para depois definir o local onde vai ser plantada. Investir em experimentos com a cultivar no local, se possível com apoio técnico, é essencial para o sucesso da adoção de uma nova cultivar. O pesquisador destaca também a importância de adotar manejos adequados a cultivar escolhida. Como vai ser o plantio, se utilizará poda, se adotará o adensamento, como será a colheita e as doenças e pragas suscetíveis da cultivar e que atingem a fazenda, são detalhes a serem observados antes da adoção de uma nova cultivar.

IAC 125 RN

Guardados esses cuidados são bem maiores as chances de a mudança dar certo na propriedade. A cultivar IAC 125 RN, registrada este ano pelo IAC, é um exemplo disso. A variedade vem sendo experimentada com sucesso em fazendas em Patrocínio e Patos, em Minas Gerais. Com exigência de irrigação e boa nutrição, os produtores que adotaram os manejos adequados têm tido bom retorno com a cultivar, que é resistente às Raças I e II do nematóide exígua. A IAC 125 RN tem cinco genes de resistência à ferrugem (Raça II), gera frutos grandes vermelhos e é altamente produtiva.

A cultivar IAC 125 RN é mais uma que teve apoio do Consórcio Pesquisa Café, do qual Fazuoli destaca a importância do apoio. "Em todos esses anos, a contribuição do Consórcio foi valiosíssima para novas cultivares, assim como para manutenção das pesquisas com as variedades já existentes". As pesquisas do Consórcio Pesquisa Café contam com recursos do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé/MAPA), com gestão da Embrapa Café, unidade da Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Características

Mundo Novo - As diversas linhagens da cultivar Mundo Novo possuem elevada capacidade de adaptação, produzindo bem em quase todas as regiões cafeeiras do Brasil. É preferencialmente indicada para plantios largos (3,80-4,00m x 0,80-1,00m). Em razão de seu grande vigor vegetativo, o espaçamento para o sistema adensado com essa cultivar deverá ser maior que o normalmente utilizado com cultivares de porte baixo. Por ter ótima capacidade de rebrota, é especialmente indicada para os sistemas em que se utiliza a recepa ou o decote para reduzir a altura das plantas. Dentre as linhagens de Mundo Novo, IAC 376-4, IAC 379-19, IAC 464-12 e IAC 515-20 são as que melhor se adaptam ao plantio adensado mecanizado, caso o cafeicultor faça opção a este sistema de cultivo.

Catuaí - As cultivares Catuaí Vermelho e Catuaí Amarelo têm ampla capacidade de adaptação, apresentando produtividade elevada na maioria das nossas regiões cafeeiras ou mesmo em outros países. De baixa estatura, permitem maior densidade de plantio, tornam mais fácil a colheita e mais eficientes os tratamentos fitossanitários. Essas cultivares já produzem abundantemente logo nos dois primeiros anos de colheita. Por isso, necessitam de cuidadoso programa de adubação.

As informações são da Gerência de Transferência de Tecnologia da Embrapa Café, adaptadas pela Equipe CaféPoint.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Brasil, país campeão do agronegócio café

 
 
Flávia Bessa


A produção de café no Brasil é responsável por cerca de um terço da produção mundial de café, o que faz o País ser de longe o maior produtor - posição mantida há 150 anos. Além disso, é também o campeão mundial na exportação do produto e ocupa a segunda posição entre os países consumidores da bebida, devendo chegar à primeira colocação nos próximos anos, superando a marca dos EUA. Segundo a Associação Brasileira da Indústria do Café - ABIC, o consumo per capita em 2001 era de 4,9 kg/habitante; em 2012, saltou para de 6,4 kg/habitante. Isso representa um consumo de quase 20 milhões de sacas, bem próximo dos EUA, que é de pouco mais de 22 milhões de sacas. O aumento do consumo interno da bebida é atribuído à melhoria na qualidade do café destinado ao mercado nacional, bem como ao aumento do poder aquisitivo da população.

Essa sucessão de vitórias é resultado da ação de um time coordenado, formado por quase 300 mil propriedades de café - segundo último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE - em sintonia com centenas de pesquisadores, técnicos e extensionistas, todos espalhados pelas principais regiões produtoras brasileiras: Minas Gerais, São Paulo, Bahia, Paraná, Espírito Santo e Rondônia. Os esforços dessa equipe campeã foram congregados e otimizados com a criação, há 15 anos, do Consórcio Pesquisa Café, cujo programa de pesquisa é coordenado pela Embrapa Café – Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – Mapa.

Inovação é o lema – Maior arranjo de instituições de ensino, pesquisa e extensão rural já realizado para fomentar a pesquisa cafeeira no Brasil, o Consórcio Pesquisa Café reúne hoje 50 instituições. O modelo de gestão incentiva a interação entre as instituições e a união de recursos humanos, físicos, financeiros e materiais para elaboração de projetos inovadores. Nesses últimos 15 anos de pesquisa, cerca de mil projetos permitiram a geração de diferentes conhecimentos básicos, produtos, processos e tecnologias amplamente utilizados pelos cafeicultores. Essa expertise dobrou a produção de café no País sem que fosse necessário nenhum aumento da área cultivada.

As tecnologias geradas estão relacionadas às áreas de melhoramento de plantas e biotecnologia para a obtenção de cultivares adaptadas às diferentes condições edafoclimáticas do País, técnicas de plantio, condução da lavoura, nutrição mineral de plantas, fitossanidade, irrigação, adubação orgânica, manejo de plantas invasoras, colheita, pós-colheita, manejo sustentável; entre outras. “As tecnologias desenvolvidas por esse time campeão chamado Consórcio Pesquisa Café visam à sustentabilidade social, econômica e ambiental da produção cafeeira no Brasil”, diz o gerente geral da Embrapa Café, Gabriel Bartholo.

Novas cultivares - As pesquisas de melhoramento genético propiciaram o desenvolvimento de 36 cultivares, de arábica e conilon, resistentes às principais pragas e doenças do cafeeiro e com alta produtividade, melhorando qualidade dos frutos e incrementando significativamente a produção. No Instituto Agronômico – IAC, foram geradas sete cultivares; na Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais – Epamig em parceria com a Universidade Federal de Viçosa - UFV, oito; no Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural – Incaper, 3; no Instituto Agronômico do Paraná – Iapar, 13, na Embrapa Café e no Procafé , 4 cultivares; Na Embrapa Rondônia, 1 cultivar. Todas essas instituições são participantes do Consórcio. Mais informações aqui.

Sequenciamento do genoma café– Trabalho de pesquisa realizado pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e ainda por outras instituições consorciadas e pela Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo – Fapesp que resultou na construção de um banco de dados com mais de 200 mil sequências de DNA. Isso permitiu a identificação de mais de 30 mil genes, responsáveis pelos diversos mecanismos fisiológicos de crescimento e desenvolvimento do cafeeiro. Atualmente várias ações de pesquisa estão em andamento para identificar as funções de cada um desses genes de forma que eles possam ser utilizados para aumentar a produtividade e o valor econômico da cultura do café, e mesmo serem utilizados em outras culturas. O conhecimento e utilização do código genético torna possível o desenvolvimento de cultivares mais produtivas e com melhor bebida, tolerantes a variações climáticas (como seca e geada) e resistentes ao ataque de pragas e doenças, com reflexos diretos no aumento da produtividade, na redução do custo de produção e na proteção ambiental. Além disso, os dados gerados pela pesquisa aceleram a obtenção de cultivares de melhor qualidade, aroma, sabor e propriedades nutracêuticas do grão, agregando qualidade ao produto e mais satisfação e saúde para o consumidor.

Uma das tecnologias decorrentes do genoma café são os sistemas para expressão dirigida de genes em raízes e em tecidos foliares. São dois promotores obtidos de plantas de café que permitem direcionar e controlar a expressão de genes a eles associados: o Promotor CaIsoR, que atua nas folhas, e o Promotor Caperox, que age nas raízes em resposta a um estímulo externo, oferecendo total controle do tipo de OGM (Organismo Geneticamente Modificado) produzido. Esse trabalho foi desenvolvido em parceria com o Instituto Agronômico de Campinas – IAC, participante do Consórcio, e com a Universidade Estadual Paulista – UNESP. Para mais informações, veja links sobre expressão em raízes e em tecidos foliares. Outra é a pesquisa realizada pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), instituições participantes do Consórcio, que identificou um gene do café arábica que quando transferido para outra planta – Arabidopsis thaliana – tornou esta altamente tolerante à seca. O gene agora está sendo testado em outras plantas de interesse agronômico, como soja, milho, trigo, cana de açúcar, arroz e algodão. Mais informações em matéria sobre o tema.

Biofábricas - Técnica que multiplica in vitro, a partir de tecido da folha, plantas de café arábica de características favoráveis, como resistência ao bicho mineiro e à ferrugem, boa qualidade de bebida e alta produtividade. Essa técnica permite a multiplicação de plantas híbridas com produtividade elevada e a redução de 30 para 10 anos do tempo de desenvolvimento de novas cultivares. A técnica, também é conhecida por clonagem, foi desenvolvida pela Embrapa Café em parceria com a Fundação Procafé, ambas consorciadas. A produção rápida e em larga escala de mudas clonadas de alto valor agregado confere mais competitividade para o café brasileiro no mercado nacional e internacional. O projeto inclui avaliação da viabilidade econômica da tecnologia, medindo os custos de produção industrial em todo o processo de produção. Veja mais informações aqui.

Estresse hídrico - Como um dos usos da irrigação em café surgiu a tecnologia de estresse hídrico, que submete as plantas a uma suspensão da irrigação por um período de 72 dias visando à uniformização de florescimento e maturação, o que afeta diretamente a qualidade do fruto. A tecnologia da Embrapa Cerrados desenvolvida com recursos do Consórcio foi validada não só em experimentos como também em fazendas produtivas de várias regiões brasileiras. A prática do estresse hídrico não custa nada mais ao produtor e ainda traz redução dos custos de água e energia, em média de 33%, economia no processo de colheita, inclusive com mão de obra, e uma visão sustentável do agronegócio tanto do ponto de vista ambiental como da competitividade. É um processo tecnológico que também permite a obtenção de 85% ou mais de frutos cerejas no momento da colheita, maximizando a produção de cafés especiais. Além disso, garante redução de 20% para 10% de grãos mal formados e de 40% na operação de máquinas. Assista programa Dia de Campo na TV sobre o tema.

Sistema de Limpeza de Águas Residuárias (SLAR) - No manejo de pós colheita, o SLAR - desenvolvido por meio da parceria entre Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) e Embrapa Café, no âmbito do Consórcio - remove os resíduos sólidos na água proveniente do processamento de frutos. Esse sistema é constituído por caixas de decantação interligadas e peneiras estáticas. Após a remoção dos resíduos sólidos, a água é novamente conduzida para a caixa de abastecimento para reutilização no processamento ou direcionada à fertirrigação da cultura. Os resíduos sólidos retirados poderão ser utilizados na produção de adubos orgânicos. Entre as vantagens do sistema estão a economia de 90% do consumo de água; o baixo custo para instalação e manutenção, viabilizando a adoção por pequenos produtores, e a preservação do meio ambiente. Saiba mais aqui.

Geotecnologias – Entre elas o sensoriamento remoto e os sistemas de informação geográfica, entre outros, usadas em apoio à produção ou à qualidade do café para auxiliar na caracterização ambiental dos agroecossistemas cafeeiros e fornecer uma base eficiente para a análise integrada das informações e o entendimento das relações entre os sistemas de produção e o ambiente, incluindo simulação de prognósticos. Pela análise espacial é possível delimitar territórios e identificar, por exemplo, os fatores que influenciam a qualidade dos cafés produzidos nessas regiões, informação imprescindível para a obtenção de Indicações Geográficas - IGs. Saiba mais sobre as IGs em matéria que abordou conquisata de selo. As geotecnologias, estudadas pela Epamig e Embrapa Café no âmbito do Consórcio, subsidiam o planejamento da atividade tendo em vista a competitividade e a sustentabilidade da produção.

Poda do Conilon - A poda programada do café Conilon - tecnologia desenvolvida pelo Incaper, instituição consorciada - além de favorecer a longevidade do cafezal, aumenta a produtividade. A tecnologia é adotada pela maioria dos produtores do Espírito Santo e chegou mais recentemente em Rondônia e Minas Gerais. A poda consiste na eliminação das hastes verticais e dos ramos horizontais improdutivos, para que no lugar deles nasçam outros mais vigorosos. Nesse processo, os ramos estiolados e o excesso de brotações também são eliminados. Entre os benefícios da tecnologia estão a redução média de 32% de mão-de-obra; facilidade de entendimento e execução; padronização do manejo da poda; maior facilidade para realização da desbrota e dos tratos culturais; maior uniformidade das floradas e da maturação dos frutos; melhoria no manejo de pragas e doenças; aumento superior a 20% na produtividade média da lavoura; maior estabilidade de produção por ciclo e melhor qualidade final do produto. Leia publicação e assista programa de rádio do Prosa Rural sobre a poda do conilon.

Tecnologias pós-colheita – Há disponível para o mercado tecnologias para preparo, secagem e armazenamento de grãos, desenvolvidas com a liderança da Universidade Federal de Viçosa – UFV, participante do Consórcio. São alternativas tecnológicas especialmente desenvolvidas para a agricultura familiar para oferecer, a custos compatíveis, uma infraestrutura mínima para que, independentemente das condições climáticas, o cafeicultor possa produzir café de qualidade superior, com economia de tempo, redução de custos e mão de obra empregada e maior rendimento operacional. É composta por um terreiro-secador híbrido, abanadora, silo secador e lavador portátil. Programa Dia de Campo na TV da Embrapa abordou a tecnologia em outubro deste ano.

Alerta Geada - O Iapar, instituição do Consórcio, disponibilizou o Alerta Geada, sistema de proteção das lavouras novas de café, de 6 meses a 2 anos, do Paraná que traz benefícios aos cafeicultores desde 1995. Quando há previsão de geada um alerta é disparado para os produtores cadastrados no projeto e também na mídia. Com a previsão da geada os produtores são orientados a fazer o chamado “enterrio” das plantas, que devem ficar cobertas por, no máximo, 20 dias, protegidas contra as geadas de moderadas a fortes. O Alerta Geada também dispara o aviso no começo de todo inverno com o primeiro resfriamento, para outra técnica, a “chegada de terra”, que consiste em amontoar a terra na base das plantas para protegê-las do frio. Cerca de R$ 21 milhões em prejuízos aos produtores de café no Paraná foram evitados com o Alerta Geada.

Café adensado - Outra grande contribuição do Iapar para a cafeicultura foi o desenvolvimento do modelo adensado, proposta tecnológica que possibilitou ao Paraná retomar sua produção, aniquilada na grande geada de 1975. O adensamento de plantio já é utilizado em 70% da área de café no Paraná. A proposta é o cultivo de pequenas lavouras (a maioria dos cafeicultores paranaenses é de produtores familiares) e consiste em reduzir o espaçamento entre as ruas (de 4 m para até 1,5 m) e entre as plantas (de 1,5 m para até 0,5 m). Veja mais informações nesta publicação.

Mesmo com essas e muitas outras tecnologias disponíveis, a importância do agronegócio café para o Brasil implica permanente pesquisa, desenvolvimento e inovação científica e tecnológica. O trabalho do Consórcio Pesquisa Café mostra-se imprescindível para manter as diretrizes da pesquisa cafeeira no País e para a integração de diversos atores na busca constante pelo melhoramento da qualidade e da sustentabilidade e competitividade do café brasileiro no mercado nacional e internacional. Em outras palavras, manter o Brasil campeão da cafeicultura: maior produtor, maior exportador e, em breve, maior consumidor de café do mundo. A torcida brasileira, protagonista desse campeonato, agradece.

Saiba mais - O Consórcio Pesquisa Café foi criado por iniciativa de dez instituições ligadas à pesquisa e ao café: Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola - EBDA, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais - Epamig, Instituto Agronômico - IAC, Instituto Agronômico do Paraná - Iapar, Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural - Incaper, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - Mapa, Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro - Pesagro-Rio, Universidade Federal de Lavras - Ufla e Universidade Federal de Viçosa - UFV.

As pesquisas realizadas contam com o apoio e o financiamento do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira – Funcafé, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – Mapa.
EMBRAPA CAFÉ

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Biotecnologia

O que é biotecnologia?

A palavra biotecnologia é formada por três termos de origem grega: bio, que quer dizer vida; logos, conhecimento; e tecnos, que designa a utilização prática da ciência. Com o conhecimento da estrutura do material genético - a molécula do DNA (ácido desoxirribonucléico) - e o correspondente código genético, teve início, a partir dos anos 70, a biotecnologia dita moderna, através de uma de suas vertentes, a Engenharia Genética, ou seja, a técnica de empregar genes em processos produtivos, com a finalidade de obter produtos úteis ao homem e ao meio ambiente. Os métodos modernos permitem que os cientistas transfiram com grande segurança genes de interesse, ou seja, com características desejadas, originados de diferentes organismos (não apenas de organismos sexualmente compatíveis - o que amplia a variedade de genes que podem ser utilizados) de uma forma antes impossível.
O que é Biotecnologia agrícola? A biotecnologia agrícola utiliza a transgenia como uma ferramenta de pesquisa agrícola caracterizada pela transferência de genes de interesse agronômico (e, conseqüentemente, de características desejadas) entre um organismo doador (que pode ser uma planta, uma bactéria, um fungo, etc.) e plantas, com segurança.

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BIOTECNOLOGIA DE PLANTAS:
No melhoramento tradicional, cruzam-se as espécies sexualmente compatíveis e ocorre a combinação simultânea de vários genes. Já a transgenia é uma evolução desse processo, com o objetivo de acelerá-lo e de ampliar a variedade de genes que podem ser introduzidos nas plantas. Além disso, a transgenia, como ferramenta da biotecnologia agrícola, oferece maior precisão do que os cruzamentos, pois permite a inserção de genes cujas características são conhecidas com antecedência, sem que sejam introduzidos outros genes, como acontece no melhoramento genético clássico (no cruzamento ocorre a “mistura” de metade da carga genética de cada variedade parental). A transgenia permite um melhoramento “pontual” através da inserção de um ou poucos genes e da conseqüente expressão de uma ou poucas características desejáveis.
Postado no site da Monsanto company

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Maior catástrofe agrícola dos Estados Unidos

 

Maior catástrofe agrícola dos Estados Unidos

30/07 
Por Danilo Ucha

Com uma perda de 100 milhões de toneladas de milho e, pelo menos, 20 milhões de toneladas de soja, em relação ao previsto, os Estados Unidos estão vivendo a maior catástrofe agrícola de toda a sua história, em consequência de uma seca que assola os principais estados produtores de grãos, com reflexos no mundo todo, pois caíram os estoques agrícolas. No Brasil, já não há mais soja à venda, apesar dos bons preços, R$ 82,00 a saca por lote no Interior do Rio Grande do Sul, valor que nunca havia sido pago desde que se planta soja no Estado, porque a safra passada também foi atingida por secas no Brasil, Argentina e Paraguai, e quem ainda tem não quer vender, esperando preços maiores. A falta é tão grande que já há cooperativas que venderam para entrega futura, mas os contratos estão vencendo, e elas não têm o produto para cumprí-los. E ainda não chegou o mês mais quente do ano nos Estados Unidos, agosto, que vai castigar ainda mais os campos. O mês é tão quente que, em cada agosto, em Chicago, morre uma média de 400 pessoas em consequência do calor. São velhos, gordos, negros e pobres que, sem qualidade de vida, sem ar-condicionado, com peso médio de 130 kg, seus corações não aguentam o calor de 40°.

Catástrofe II

As repercussões locais da seca americana e dos altos preços agrícolas se dão, principalmente, nas criações de frangos, suínos e bovinos. O preço do milho já dobrou. O farelo de soja, que custava R$ 600,00 a tonelada, em 2011, está valendo R$ 1.200,00. O especialista gaúcho em comércio internacional de produtos agrícolas Antonio Sartori, cada vez mais solicitado para palestras sobre o futuro da produção de alimentos, tem números próprios para provar que a situação mundial atual é mais grave do que parece e que, paradoxalmente, vai ser muito boa, no futuro imediato, para quem produzir soja, trigo e milho usando tecnologia para aumentar a produtividade e driblar os efeitos climáticos mais sérios. Ressabiados com a atual seca, os americanos, diz Sartori, já estão planejando colher 375 milhões de toneladas de milho e, pelo menos, 90 milhões de toneladas de soja, em 2013. A motivação maior será o preço, que deve continuar com viés de alta.

Jornal do Comércio

terça-feira, 3 de julho de 2012

Cientistas descobrem por que tomates vistosos não são saborosos


Um grupo de pesquisadores nos Estados Unidos identificou as alterações moleculares responsáveis pelo amadurecimento uniforme característico da maioria dos tomates à venda em supermercados e feiras.
Essas alterações fazem com que os tomates amadureçam no tempo certo para os vendedores, ganhando em aparência e aumentando as vendas. Mas o amadurecimento uniforme também implica em redução no sabor do fruto, que acaba com “gosto de papelão”, segundo a revista científica Science, que acaba de publicar os resultados do novo estudo.
Há mais de meio século os produtores têm desenvolvido e selecionado variedades de tomate com coloração verde clara e uniforme antes do amadurecimento.
Na nova pesquisa, Ann Powell, da Universidade da Califórnia em Davis, e colegas dos Estados Unidos, Espanha e Argentina identificaram que o gene responsável pelo amadurecimento do tomate codifica um fator de transcrição denominado GLK2.
Esse fator, uma proteína que regula outros genes, aumenta a capacidade de o fruto fazer fotossíntese, ajudando na produção de açúcares e de licopeno, substância carotenoide que produz a cor avermelhada.
O problema é que a mutação responsável pelo amadurecimento uniforme desativa o gene GLK2. O resultado é que a produção com base no amadurecimento uniforme tem o efeito indesejado de promover o desenvolvimento inferior dos cloroplastos, que contêm a clorofila responsável por transformar energia solar em açúcar. Ou seja, com a perda nos cloroplastos, cai também a produção de ingredientes fundamentais para o sabor do fruto.
“A informação a respeito do gene responsável pelo amadurecimento em variedades selvagens e tradicionais fornece uma estratégia para tentar recapturar as características de qualidade que acabaram excluídas involuntariamente dos modernos tomates cultivados”, disse Powell.
Os autores do estudo sugerem que a manipulação dos níveis de GLK os de seus padrões de expressão podem eventualmente ajudar na produção de tomates e de outros produtos agrícolas com melhor qualidade.
O artigo Uniform ripening Encodes a Golden 2-like Transcription Factor Regulating Tomato Fruit Chloroplast Development (doi: 10.1126/science.1222218), de Ann Powell e outros, pode ser lido por assinantes da Science em www.sciencemag.org/content/336/6089/1711.
Foto: Divulgação

Fonte: Agência FAPESP

sexta-feira, 29 de junho de 2012

IAC completa 125 anos com grande presença na história da cafeicultura nacional

 
IAC completa 125 anos com grande presença na história da cafeicultura nacional
Que o Brasil teve seu processo de desenvolvimento e identidade nacional moldados pela cultura do café desde o século XIX até meados do século XX, quase todo mundo sabe. O que provavelmente poucos sabem é que isso só foi possível graças ao trabalho incansável de pesquisadores do Centro de Análise e Pesquisa Tecnológica do Agronegócio do Café “Alcides Carvalho”, do Instituto Agronômico – IAC.
No dia 27 de junho, o IAC completa 125 anos e sua história como centro de pesquisa se confunde com a própria história da pesquisa em café no Brasil, pois foi criado em 1887 com o objetivo primeiro de assistir tecnicamente ao desenvolvimento da cafeicultura nacional. Desde a concepção, o Centro de Café "Alcides Carvalho" é formado por uma equipe multidisciplinar de cientistas envolvidos em inúmeras atividades de pesquisa e desenvolvimento e de transferência de tecnologia. Esse esforço de pesquisa já permitiu a produção de trabalhos clássicos da literatura agronômica brasileira sobre o produto, gerando soluções para os mais diversos segmentos da cadeia produtiva do café, não só no País, mas também em países da América Central e Latina.
Graças às pesquisas pioneiras realizadas no Instituto Agronômico, o Brasil é hoje o maior produtor e exportador mundial de café e o segundo maior consumidor da bebida. As cultivares Mundo Novo e Catuaí desenvolvidas pelo IAC são carros-chefe da cafeicultura brasileira e, representam cerca de 90% dos cafeeiros arábicas cultivados nos campos brasileiros. Entre as contribuições do IAC ao longo dos seus 125 anos para elevar o País ao posto de primeiro produtor mundial destacam-se: novas cultivares, trabalhos com a adubação do solo que viabilizaram o cultivo do café em solos de cerrado e em processamento pós-colheita - que incluem o desenvolvimento do processo cereja descascado - e estudos pioneiros em secagem, colheita mecanizada, fisiologia do cafeeiro, preparo do solo, arborização, genética e melhoramento genético, armazenamento de sementes e grãos, agroclimatologia - que trouxe grande contribuição para o zoneamento climático -, orientações para a mitigação do efeito do aquecimento global, análises químicas do solo, folhas e sementes, fertilização química, enxertia, mecanização da colheita, taxonomia e evolução das cultivares e espécies de Coffea, qualidade do produto etc.
Consórcio Pesquisa Café - A partir de 1997, com a criação do Consórcio Pesquisa Café, cujo programa de pesquisa é coordenado pela Embrapa Café (Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - Mapa), as pesquisas com café conduzidas no IAC ganharam novo impulso. Esse arranjo institucional viabilizou o melhor aproveitamento de recursos humanos, financeiros e de infraestrutura, bem como a transferência de tecnologias já validadas por instituições de pesquisa, ensino e extensão rural nos principais estados produtores. O Consórcio veio atender aos novos desafios que foram colocados para a sustentabilidade do agronegócio café de mais produtividade com competitividade e qualidade.
Genoma Café - Na área de pesquisas biológicas, um fato marcante a partir da constituição do Consórcio é a participação efetiva de pesquisadores do IAC e de Unidades da Embrapa no Projeto Genoma Café, que numa primeira fase desenvolveu o sequenciamento do genoma café, resultando na construção de um banco de dados com mais de 200 mil sequências de DNA. Isso permitiu a identificação de mais de 30 mil genes, responsáveis pelos diversos mecanismos fisiológicos de crescimento e desenvolvimento do cafeeiro. Atualmente as pesquisas são dirigidas à análise das sequencias agregando-lhes função por meio de trabalhos de identificação de marcadores moleculares e de promotores gênicos para dar continuidade ao melhoramento genéticos do cafeeiro. Os reflexos serão diretos no custo de produção, na proteção ambiental e no incremento de produtividade das lavouras, com melhoria da qualidade da bebida e da competitividade do produto.
Sistema para expressão dirigida de genes em raízes e em tecidos foliares - Pesquisa realizada por pesquisadores da Embrapa Café, do IAC e da Universidade Estadual Paulista – UNESP mediante uso de informações geradas pelo Projeto Genoma Projeto Genoma. O sistema consiste em dois promotores obtidos de plantas de café que permitem direcionar e controlar a expressão de genes a eles associados: o Promotor CalsoR, que atua nas folhas, e o Promotor Caperox, que age nas raízes em resposta a um estímulo externo, oferecendo total controle do tipo de OGM (Organismo Geneticamente Modificado) produzido. “É acoplado ao promotor um gene determinado para o que se pretende melhorar na planta, por exemplo resistência a nematóides, não afetando as demais partes, muito menos o fruto do café. E esse mecanismo só é ativado em caso de necessidade, ou seja, em resposta a um estímulo externo, o que representa mais segurança para os consumidores”, explica a pesquisadora Mirian Maluf, da Embrapa Café. Em outras palavras, o gene só será ativado se tiver algum ataque de agente biótico, que, no cafeeiro, é o nematóide da raiz e o fungo das folhas. Outra vantagem é que a técnica também pode ser usada para o melhoramento de várias espécies vegetais de interesse econômico, além do café.
Lançamento de cultivares - Falando em melhoramento genético do cafeeiro conduzidos no IAC para obtenção de cultivares de boas características agronômicas, como produtividade e boa qualidade, o Consórcio apoiou e financiou a seleção de mais seis cultivares de café pelo IAC. São elas: cultivar Tupi IAC 1669-33, resistente à ferrugem e com maturação precoce; IAC Ouro Verde; Obatã IAC 1669-20; IAC 125 RN, resistente à ferrugem e ao nematóide Meloidogyne exigua e de maturação precoce; IAC Ouro Amarelo e IAC Obatã Amarelo.
Café naturalmente sem cafeína - Realizado em parceria com a Embrapa Café, o estudo com o cafeeiro descoberto pelo IAC permitirá que amantes do bom cafezinho com problemas com a ingestão de cafeína possam vivenciar a paixão pela bebida, sem nenhum resíduo químico. Os pesquisadores estão realizando testes em plantas cujo teor da substância é de apenas 0,07%, ou seja,10 vezes menos que o café consumido habitualmente, da espécie Coffea arabica. “Inúmeras espécies, variedades e formas botânicas foram avaliadas e plantas, com teor reduzido de cafeína nos grãos, foram identificadas entre as cerca de três mil plantas da coleção de café arábica oriundas da Etiópia”, explica a pesquisadora Maria Bernadete Silvarolla, do IAC. Mudas clonadas obtidas por estaquia ou cultivo in vitro de matrizes selecionadas em função de sua superioridade agronômica, como produção de frutos e resistência aos principais agentes bióticos da cultura, encontram-se em ensaios de campo desde 2007 e devem ser registradas como novas cultivares clonais.
Origem e os genes responsáveis pela qualidade do café Arábica – É outra pesquisa desenvolvida pelo IAC no âmbito do Consórcio Pesquisa Café, e ainda com financiamento também da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo – Fapesp, que tem fornecido também subsídios para pesquisas de melhoramento genético do cafeeiro. O estudo verificou que boa parte dos genes expressos na espécie de café Arábica – que é uma das mais cultivadas e com melhor qualidade de bebida – parece ser proveniente de Coffea eugenioides, uma espécie pouco usada nos programas de melhoramento genético do café e sem qualquer uso comercial. As pesquisas inéditas identificaram genes potenciais responsáveis pela qualidade do café e comprovaram também que a melhor qualidade do Arábica se dá pela maior expressão de genes da produção de açúcares encontrados em seu material genético.
O estudo teve o objetivo de entender as diferenças gênicas entre os cafés arábica e robusta, responsáveis por 70% e 30% da produção mundial de café, respectivamente. “Um dos principais resultados foi a verificação de que o arábica expressa uma maior quantidade de genes relacionados ao metabolismo de açúcares do que o robusta. Esse resultado confirma os dados bioquímicos anteriores, que haviam evidenciado que o grão do arábica possui mais açúcares, que seriam responsáveis pela melhor qualidade da bebida em relação ao robusta”, explica o pesquisador do Centro de Recursos Genéticos Vegetais do IAC, Jorge Maurício Costa Mondego. O estudo, entretanto, tem como mérito o apontamento de quais seriam os genes responsáveis por essas diferenças.
Com os dados em mãos, os pesquisadores do IAC, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR) e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) aprofundaram seus estudos e descobriram que a maior quantidade de açúcar do arábica provem de uma espécie de café que não tem qualquer uso comercial. Para chegar a este resultado os pesquisadores investigaram a origem do arábica, que se deu há centenas de milhares de anos, na Etiópia, a partir da hibridação natural dos genomas de C. canephora e de C. eugenioides. “Verificamos que boa parte dos genes que estão relacionados à qualidade de bebida do arábica parece vir de C. eugenioides”, conclui o pesquisador.
Mais sobre o Consórcio - O Consórcio Pesquisa Café é uma experiência de integração da ciência e da tecnologia no País tendo por base a sustentabilidade, a qualidade, a produtividade, a preservação ambiental, o desenvolvimento e o incentivo a pequenos e grandes produtores. Foi fundado por 10 instituições ligadas à pesquisa e ao café: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – Mapa, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola - EBDA, Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais - Epamig, Instituto Agronômico - IAC, Instituto Agronômico do Paraná - Iapar, Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural - Incaper, Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro - Pesagro-Rio, Universidade Federal de Lavras - Ufla e Universidade Federal de Viçosa - UFV. Hoje agrega pelo menos mais 45 instituições parcerias. Ao longo de seus 15 anos de existência, o Consórcio Pesquisa Café se consolidou como espaço de geração de tecnologias, conhecimento e de transferência de tecnologia.

Flávia Bessa
Embrapa Café com informações da assessoria do IAC

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Um brinde ao café



Um brinde ao café
Confira uma radiografia do setor que enche as xícaras brasileiras e do exterior de aroma e sabor
Lívia Andrade

Você sabia que 14 de abril é o Dia Internacional do Café? Para comemorar a data e parabenizar todos que trabalham direta ou indiretamente com o grão, o Sou Agro preparou esta reportagem, que é o carro-chefe do especial dedicado à bebida.

No Brasil, café é sinônimo de muitas coisas. No passado, foi um dos principais produtos da economia brasileira. Os barões do café eram os magnatas da época e representavam o poderio paulista juntamente com os produtores de leite de Minas Gerais. Daí o título política café com leite ao revezamento do poder nacional por presidentes dos dois Estados no período entre 1898 e 1930.

Muito além da história, a bebida está inserida no cotidiano brasileiro e dá nome à primeira refeição do dia, o café da manhã. Além disso, a expressão “Que tal um café?” pode ser usada como convite para um bate-papo ou pretexto para uma parada no meio do expediente. E as contribuições não param por aí.

Um estudo da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) mostrou que o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) dos municípios que tem no café a base de sua economia é maior que os demais. No ranking mundial, o Brasil tem a liderança na produção e exportação de café.

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), são 360 mil propriedades produtoras do grão espalhadas por 1.800 municípios distribuídos por 12 Estados. Minas Gerais concentra 52% da produção, seguida por São Paulo com 28%. O café, que chegou a representar 80% das exportações brasileiras, hoje – com a diversificação da economia – representa 4%. Mas sua importância não diminuiu.

Só em termos de mão de obra, a cafeicultura gera mais de oito milhões de empregos diretos e indiretos. O grande avanço do setor nas últimas décadas foi na produtividade e qualidade. “Até os anos 90, a área plantada era de 2,7 milhões de hectares e a produção estava na casa de 27 milhões de sacas, o que dava entre 10 e 11 sacas por hectare”, diz Gabriel Bartholo, gerente-geral da Embrapa Café.

Hoje, a área caiu para 2,2 milhões de hectares e a produção aumentou para 40 milhões de sacas ano, o que rende entre 22 e 24 sacas por hectare”, explica Bartholo. Em termos de consumo, o Brasil está longe dos países nórdicos – como Finlândia, Noruega e Dinamarca, lugares em que o consumo per capita é em torno de 13 quilos de café por ano –, mas à frente de Itália, França e EUA.

De acordo, com dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), no ano passado o consumo por brasileiro ano foi de 4,88 quilos, o que dá quase 82 litros da bebida por pessoa.

Diversidade
A oferta de cafés nas gôndolas dos supermercados é cada vez maior. Tal realidade é fruto das pesquisas aliadas aos avanços no processo de beneficiamento e torrefação dos grãos. Quem sai ganhando é o consumidor, que tem ao seu alcance uma variedade cada vez maior. Hoje, há cafés para todos os bolsos e gostos.

Desde o tradicional, aquele vendido embalagens do tipo travesseiro, até os da categoria premium – também chamados de cafés especiais ou gourmet – que vêm em embalagens a vácuo. Os melhores cafés são da variedade arábica e, geralmente, recebem o adjetivo de premium por conta dos cuidados especiais no processo produtivo – trato da lavoura, colheita seletiva dos grãos cereja, beneficiamento e torrefação adequados – que repercutem numa bebida de qualidade superior.

Além disso, a diversidade de regiões produtoras garante ao consumidor opções diferentes ao paladar. Para quem prefere um café encorpado, com acidez acentuada, o ideal é o café de altitude. Exemplo: café das montanhas de Minas. Já o café do cerrado é indicado para aqueles que gostam de uma bebida mais aromática e doce. Basta você provar todas as opções e escolher a que mais lhe agrada.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Café: um aliado da saúde





No Dia Internacional da Saúde, comemorado em 7 de abril, cabe uma pergunta: afinal, café faz bem para a saúde? Em busca de resposta cientificamente comprovada, pesquisou-se estudos de especialistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade de Brasília (UnB), Instituto do Coração (Incor) e informações divulgadas pela Associação Brasileira da Industria de Café (Abic).

A pergunta é motivada por uma realidade contraditória: o tradicional cafezinho, com ampla aceitação em todas as classes sociais, é de fato uma preferência nacional. É a segunda bebida mais consumida no Brasil, só perdendo para a água, segundo levantamento realizado pelo Instituto Ivani Rossi Consultoria em Pesquisa para a Abic. No entanto, apesar de sua popularidade, é uma vítima ainda de preconceitos. Desmentindo muitos dos mitos criados em torno da bebida mais apreciada pelos brasileiros, estudos modernos mostram que, consumido com moderação, o café é saudável sim para o ser humano.

É praticamente consenso pelas pesquisas já desenvolvidas que o café tem ação estimulante sobre o sistema nervoso e, em doses moderadas - três a quatro xícaras por dia - aumenta a atenção, a concentração e a memória de curto e médio prazo, sendo inclusive recomendado para estudantes de todas as idades. Estudos mostram também que o café pode atuar na prevenção do câncer de cólon e reto, doença de Parkinson e de Alzheimer, apatia e depressão, obesidade infantil, diabetes tipo II, cálculos biliares e câncer de fígado. Também aumenta o estado de vigília do cérebro e diminui a sonolência.

Da UFRJ, estudos realizados corroboram a ação do café para a saúde humana. Na dissertação de Mestrado defendida em 2010 por Taissa Lima Torres, sob a orientação da pesquisadora doutora em Ciências de Alimentos Adriana Farah de Miranda Pereira, o café apresentou a maior capacidade antioxidante dentre diversos alimentos avaliados, seguido pelo chá-mate, vinho tinto e açaí. "Assim, levando em consideração o consumo, o café foi destacado como o mais importante contribuinte de antioxidantes na dieta do brasileiro, independente da classe de renda e da grande região do Brasil", explica Adriana Farah.

De acordo com a pesquisadora, essa capacidade antioxidante está relacionada principalmente aos compostos fenólicos do café, os ácidos clorogênicos. "O café é uma das maiores fontes destes compostos na natureza, principalmente quando torrado ao ponto de torra média. Os antioxidantes podem atuar complexando-se a espécies reativas, seqüestrando radicais livres e interrompendo suas reações em cadeia, prevenindo assim, danos ao DNA das células. Eles também podem impedir a oxidação das LDL, ajudando a prevenir o estabelecimento de algumas doenças degenerativas, entre elas a aterosclerose e o mal de Parkinson. Como a doença de Alzheimer está relacionada a danos celulares, o consumo de café a longo-prazo parece exercer um papel na prevenção desta doença", detalha.

Além das propriedades citadas acima, que também atuam na prevenção do câncer, os ácidos clorogênicos são capazes de modificar vias metabólicas de compostos cancerígenos, inativando-os. No coração, a bebida pode diminuir a incidência de doenças coronarianas e alguns tipos de infarto. Os ácidos clorogênicos se ligam a moléculas de gordura impedindo que se formem placas nas paredes das células.

Vários outros efeitos foram atribuídos aos compostos fenólicos do café, entre eles os efeitos hipoglicemiante (atua na prevenção e como coadjuvante no tratamento do diabetes), digestivo e hepatoprotetor (inclusive na prevenção da cirrose e câncer de fígado). Alguns potenciais efeitos destes compostos que estão também sendo estudados são: imunoestimulante, antiviral, antiobesidade, hipotensivo, antibacteriano, inclusive em relação às bactérias causadoras da cárie.

O médico Luiz Antonio Machado, do Incor, afirma que hoje se sabe que o café não faz mal à saúde, se tomado em quantidades moderadas e habituais, até quatro xícaras de café ao dia. "O que tem sido sempre mostrado é que o café, provavelmente à substâncias anti-oxidantes que possui, protege as pessoas de desenvolverem diabetes, principalmente o café descafeinado. Ou ao menos postergam o aparecimento. Importante lembrar que o café não é remédio e pessoas doentes precisam de tratamento e orientação médica".

A equipe do Instituto está agora realizando estudos para saber os efeitos do café na pressão arterial e no coração de pacientes que já têm doença das coronárias. "Temos observado que o café não traz nenhum mal. Somente o café com torra mais clara ou média, parece aumentar um pouco a pressão arterial, mas o café de torra mais escura que costumamos tomar não interfere na pressão", garante. O médico estudioso acredita que, para diminuir o preconceito das pessoas com relação ao café, a pesquisa e sua divulgação são excelentes aliados.

Devem realmente evitar o consumo da bebida, segundo Luiz Antonio, quem se sente mal ou tem insônia ao ingeri-la ao fim do dia. "Pode-se dizer que o hábito de tomar um bom café pode trazer benefícios como traz também o bom hábito de comer frutas, verduras, legumes etc. Além disso, o café nos desperta pela manhã graças à cafeína, que ativa nosso sistema nervoso central nos mantendo alertas e dispostos".

Pesquisas realizadas por professores da Universidade de Brasília realizadas em populações que têm o hábito de tomar café confirmam os benefícios da bebida do ponto de vista coletivo. "Do ponto de vista médico individual, há controvérsias, mas olhando sobre o prisma coletivo não. Em populações que consomem costumeiramente a bebida comparadas com as que não consomem, observa-se ganhos relevantes para a saúde. Ou seja, sob o enfoque geral, as populações que consomem café estão mais saudáveis do que as que não consomem. Asiáticos que não tinham esse hábito e estão passando a adquiri-lo estão mostrando perfil epidemiológico positivo com relação a algumas patologias degenerativas. O que precisa mudar, no caso do Brasil, é o padrão de exigência do consumidor. Quanto melhor a qualidade do café, melhores serão os benefícios para a saúde", informa o professor José Garrofe Dórea da UnB.

Café para nutrir

São da UFRJ estudos que comprovam que o café pode ser um aliado no combate às deficiências nutricionais de parte da população brasileira, além das já apreciadas qualidades aromáticas e de sabor. "Para que o café possa ser visto como um alimento saudável, vários cuidados devem ser tomados, desde a qualidade inicial dos grãos até o grau e as condições de torrefação, evitando a presença na bebida de compostos prejudiciais à saúde", alerta a professora Adriana Farah.

Com o objetivo de aproveitar a popularidade da bebida a favor da melhoria da nutrição, foi criado o café torrado e moído fortificado com ferro e zinco, fruto de projeto da dissertação de mestrado de Luciana Lopes Costa sob orientação da professora Adriana Farah. "A iniciativa visa suprir o consumo inadequado desses minerais, ainda abaixo dos níveis recomendados pelos padrões internacionais da Organização Mundial da Saúde (OMS), principalmente nos países em desenvolvimento. Cada xícara do café fortificado atende a 20% da recomendação da OMS para a ingestão diária de ferro e de zinco", completa. "Além disso, na análise sensorial, não foram percebidas diferenças entre o sabor do café fortificado e o do café comum, até mesmo em doses acima daquelas utilizadas na fortificação, o que indica que o produto pode vir a ter uma boa aceitação do público", explica Adriana.

Segundo a pesquisadora, ainda não há previsão de quando o produto deve chegar ao mercado, mas o objetivo principal é que ele venha a ser empregado como uma ferramenta de apoio às políticas de assistência à saúde. "O café torrado e moído fortificado ou até mesmo o café solúvel fortificado, que apesar do custo mais elevado oferece um aproveitamento de 100% dos minerais adicionados, poderão ser comercializados ou distribuídos, no futuro, a populações carentes no contexto dos programas de saúde governamentais", diz Adriana.

Recomendações e restrições

O café consumido moderadamente não causa doenças em pessoas normais e saudáveis, da infância a velhice. Mas pessoas que possuem doenças como gastrite, doença do refluxo gastroesofágico, úlcera, transtorno de ansiedade generalizada, transtorno do pânico, palpitações devido arritmias cardíacas, hipertensão arterial, insônia ou doença isquêmica do coração devem ter cuidado no consumo de café, pois ele podem agravar os sintomas ou a doença, principalmente se consumido em excesso.

Para saber mais

Veja mais informações nos sites cafeesaude.com, www.coffeeishealth.org e www.abic.com.br.

FONTE

Embrapa Café
Flávia Bessa - Jornalista
Telefone: (61) 3448-1927

Colaboração de Edmilson Liberal, jornalista.

Cigarras: um inimigo quase invisível da cafeicultura




O cafeeiro (Coffea sp.) é uma planta arbustiva originária da Etiópia, da qual se colhem as sementes, para a produção de uma bebida estimulante conhecida como café. Essa planta é largamente cultivada em países tropicais, para consumo próprio, e exportação para países de clima temperado. No Brasil, essa espécie foi introduzida, vinda das Guianas, pelas mãos dos colonizadores. Atualmente o País é o principal produtor mundial de café, seguido pelo Vietnã e Colômbia. Em âmbito nacional, os principais estados produtores são Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Bahia, Paraná e Rondônia, que correspondem a 97% da produção nacional.
Por ser uma cultura tradicional do Brasil, seu bom desempenho é de fundamental importância para toda a economia nacional, pela sua participação na receita cambial, transferência de renda aos outros setores da economia, contribuição à formação de capital no setor agrícola do País, além da expressiva capacidade de absorção de mão de obra. A estimativa de produção de café (arábica e conilon) para a safra de 2012 está entre 48,9 e 52,2 milhões de sacas de 60 quilos do produto beneficiado, o que corresponde a 50,6 milhões de sacas no ponto médio. O resultado representa um crescimento entre 12,6% e 20,2%, quando comparado com a produção obtida na temporada
anterior que foi de 43,4 milhões de sacas. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e a Emater estimam crescimento expressivo na produção de café conilon em Rondônia (principal estado produtor da região Norte), entre 26% e 32%, com uma área plantada de 168 mil hectares.

As cigarras são relatadas como uma das mais importantes pragas-chave dessa cultura. Apesar de referidas pelos produtores acrianos como insetos presentes nessa cultura, não se sabe ao certo o nível de danos que causam. O cafeeiro, quando atacado por cigarras, apresenta definhamento progressivo, folhas com pontuações brancas e com queda prematura, "envaretamento" e, principalmente, decréscimo acentuado de produção. Os danos provocados por esses insetos, à primeira vista, não são detectados devido às cigarras passarem a maior parte de seu ciclo biológico enterradas no solo. Na fase ninfal, sugam continuamente a seiva bruta das raízes do cafeeiro. Posteriormente, a ninfa móvel abandona as raízes cavando uma galeria circular
e individual para sair do solo (quanto maior o número de orifícios sob a saia do cafeeiro, maior o grau de infestação), fixando-se em suportes, como o tronco das árvores. Nessa fase acontece a emergência dos adultos, que irão começar o novo ciclo reprodutivo da praga. Por intermédio de órgãos especializados localizados no abdômen, o macho estridula ou "canta", com a finalidade de atrair a fêmea da espécie para o acasalamento.

Os principais gêneros de cigarras associadas ao cafeeiro são: Quesada, Fidicina, Dorisiana, Carineta e Fidicinoides e, até o momento, foram registradas 12 espécies associadas ao cafeeiro no Brasil: Quesada gigas (Olivier), Quesada sodalis (Walker), Fidicina mannifera (Fabricius), Fidicina pullata (Berg), Dorisiana drewseni (Stål), Dorisiana viridis (Olivier), Carineta fasciculata
(Germar), Carineta matura (Distant), Carineta spoliata (Walker), Fidicinoides pronoe (Walker), Fidicinoides pauliensis (Boulard & Martinelli) e Fidicinoides sarutaiensis (Santos, Martinelli & Maccagnan).

Para o Estado do Acre são registradas as espécies: Carineta dolosa Boulard, Carineta rufescens (Fabricius), Carineta viridicolis (Germar), Carineta spoliata (Walker), além de espécimes dos gêneros Taphura e Dorisiana. Assim, nota-se que, além de uma espécie que tem o cafeeiro como planta hospedeira, foi confirmada a presença do gênero Dorisiana no estado, o qual também possui espécies associadas ao cafeeiro. Portanto, novos estudos devem ser realizados a fim de constatar ou não a presença de espécies de importância econômica em cafezais no Estado do Acre, para que medidas de controle sejam efetivamente realizadas.

Os patógenos de solo, como por exemplo, o fungo entomopatogênico Metarhizium anisoplie (Metsch.), são os principais inimigos naturais das cigarras. Quando entram em contato com as ninfas de cigarras, os esporos do fungo germinam, produzindo enzimas que degradam a pele da cigarra e ajudam o fungo a invadi-la. Conforme cresce, o fungo libera toxinas que modificam o comportamento da ninfa e impedem que ela se mova, levando o inseto à morte.

Assim, nota-se que as cigarras são importantes insetos-praga associados à cultura do café no Brasil. No entanto, novos estudos fazem-se necessários para verificar as espécies associadas e níveis de dano ocasionados por esses insetos na produção de café na Amazônia, para que técnicas de controle eficiente sejam adotadas.

AUTORIA

Rodrigo Souza Santos
Biólogo
Doutor em Entomologia Agrícola
Pesquisador da Embrapa Acre,
E-mail:: rodrigo@cpafac.embrapa.br

Café: municípios produtores de MG tem IDH superior à média




Estudo da Emater, baseado em dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), diz que a cafeicultura está associada à geração e distribuição de renda
Agência Estado
Municípios mineiros que têm no café a base de sua economia registram Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) maior que a média do Estado, aponta estudo da Emater-MG. O IDH médio dos municípios que cultivam mais de 5 mil hectares está acima de 0,756, enquanto que o IDH médio no Estado é de 0,726, informa a Secretaria de Agricultura. O estudo tem como base dados divulgados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
IDH médio dos municípios produtores de café está acima de 0,756, enquanto que o IDH médio no Estado é de 0,726 
Nos municípios pesquisados, ao se comparar o IDH com as áreas plantadas com café, ficou evidenciado que, quanto maior a área plantada, maior o IDH do município. “Isso não é apenas uma questão de preço e mercado”, analisa o gerente de programas especiais da Emater-MG, Leonardo Kalil. Segundo ele, o mercado vem passando por bons momentos, os estoques mundiais enfrentaram um período de baixa, o consumo individual vem aumentando, mas a cultura está associada não apenas à geração mas também à distribuição de renda.
Os cinco municípios com a maior área plantada de café em Minas Gerais que têm um índice superior à média do todo o Estado são Patrocínio (0,799); Três Pontas (0,733); Manhuaçu (0,776); Monte Carmelo (0,768) e Nepomuceno (0,747). ”É uma cultura que emprega muita mão de obra não apenas nas lavouras, mas na cadeia produtiva como um todo. Além disso, apresenta um faturamento por área muito bom, em comparação com outras atividades agropecuárias”, afirma Kalil.
De acordo com seus cálculos, uma lavoura com produtividade média de 25 sacas por hectare, pode render cerca de R$ 10 mil por hectare, se cada saca for comercializada ao preço médio atual de R$ 400. “É um bom retorno financeiro, se compararmos ao conseguido com o eucalipto, por exemplo, que na média do estado gira torno de R$ 2,28 mil por hectare ao ano”, compara.
O café lidera as exportações do agro mineiro. Minas Gerais produziu em 2011 22,2 milhões de sacas em uma área plantada de 1 milhão de hectares, distribuídos por mais de 600 municípios.